A mecanização da pavimentação — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 278Outubro 2023 Matéria 9 de 12
Sumário
  1. EditorialA transformação digital dos canteiros
  2. EscavadeirasAssistência aprimora o desempenho da máquina
  3. Correias TransportadorasSegurança redobrada na operação
  4. Especial InfraestruturaInvestigações para obras complexas
  5. EmpresaCeleiro de alta tecnologia
  6. Gestão De FrotasA disruptura da conectividade
  7. Gestão De FrotasAvanço em direção às preditivas
  8. FabricanteBrasil se torna fornecedor exclusivo para tratores de esteira da CNHi
  9. A Era Das MáquinasA mecanização da pavimentação
  10. ManutençãoAtendimento na frente de operação
  11. Entrevista • Luis Miguel Torres Silva"A ideia é que o cliente faça o gerenciamento digital dos equipamentos”
  12. Coluna Do YoshioVivenciando a intermodalidade
  13. Painel19 notas e colunas
A Era Das Máquinas

A mecanização da pavimentação

A evolução da indústria da construção a partir de 1920 nos Estados Unidos e de 1948 na Europa aumentou a demanda por materiais

Exclusivo M&T 6 de outubro de 2023 · Edição 278

A evolução da indústria da construção a partir de 1920 nos Estados Unidos e de 1948 na Europa aumentou a demanda por materiais, fazendo com que a areia e o cascalho colhidos no leito dos rios fossem insuficientes e criando a necessidade de processos mecanizados de maior produção.

Com isso, as centrais de britagem, operadas por uma só pessoa, se tornaram populares nos anos 50. Os britadores aumentaram de tamanho e foram agrupados em três diferentes categorias.

Os modelos de mandíbulas tendem a produzir um agregado alongado, enquanto os giratórios e de impacto produzem partículas mais cúbicas, melhores para o concreto e o CBUQ.

Por volta de 1955, a Goodwin desenvolveu um britador para produção de agregado, a Parker produziu o britador de impacto Kubit para a mesma aplicação e a Pegson-Telsmith lançou o Gyrasphere, uma solução alternativa para a produção de agregados cúbicos.

Na França, Dragon, Bergeaud, Fives-Lille e outras marcas também participaram desse processo. A Dragon produziu um britador de mandíbulas com peso de 250 ton e abertura de 2,5 x 1,6 m, considerado o maior do mundo na época.

Nos Estados Unidos, os maiores fabricantes eram Babbitless, Allis-Chalmers e Universal, enquanto na Alemanha esse mercado era dominado por empresas de aço.

O equipamento Simesa Vibro-Finitrice era adaptado com longas esteiras e trilhos
de deslocamento, trazendo sistema vibratório de 13 a 20 Hertz

OPERAÇÃO

Em operações de alta produção eram usados dois ou três britadores, sendo um deles para a britagem primária, outro para a britagem secundária e um terceiro para a produção de finos, quando necessário.

Nessa mesma época (anos 50) surgiram os primeiros alimentadores, que conduziam o agregado para o britador primário e desviavam as rochas menores diretamente para a britagem secundária.

O material era classificado através de peneiras rotativas ou vibratórias, sendo que no final da década de 50 as primeiras praticamente já haviam desaparecido.

O manuseio dos materiais entre os equipamentos era feito através de correias transportadoras, cujo comprimento, largura e potência aumentaram significativamente ao longo do tempo.

Na pavimentação, uma usina de asfalto norte-americana típica era composta por silos para diferentes tipos e tamanhos de agregado, com descarregamento em uma correia que, por sua vez, alimentava um elevador de canecas até o secador.

O betume era aquecido e transportado para o tambor misturador, juntamente com o agregado quente, enquanto a mistura resultante era descarregada diretamente em caminhões ou armazenada em silo aquecido por um período curto.

Alguns componentes e pequenas plantas completas foram montados sobre caminhões. Em 1950, a Barber-Greene lançou a usina Travel Plant, com capacidade de 115 a 230 ton/h, que também foi usada para reciclagem de material in situ.

No final da década de 50, a Marini lançou uma usina móvel com tambor secador-misturador, que dispunha de todos os equipamentos necessários e produzia 3 a 5,5 m3/h.


Por volta dos anos 50, a Teerag-Asdag de Viena utilizava espargidores de asfalto similares
a esse modelo, sendo que o material era derramado em caçambas e aplicado com as mãos

Nessa mesma época, a Linnhof lançou a Kompaktomat, uma usina modular com capacidade de 25 a 100 ton/h. Em locais onde não houvesse brita ou cascalho suficientes, era possível obter uma base satisfatória para o pavimento por meio da mistura dos materiais do solo com cimento ou asfalto.

APERFEIÇOAMENTOS

Em 1950, Harry J. Seaman montou um rotor na traseira de um trator, para desagregação, mistura e nivelamento do solo.

O equipamento evoluiu para as pulvi-misturadoras, bastante populares por décadas a fio. Em 1953, a P&H lançou um estabilizador de solos que executava toda a preparação da base, com exceção da compactação.

A máquina possuía quatro rotores, sendo um para desagregação do material, outro para mistura inicial e dois para mistura final, após a administração de substâncias líquidas. Alguns anos depois, a Buffalo Springfield/Koehring e a Linnhof lançaram equipamentos similares.

Os espalhadores de agregados também não tiveram mudanças significativas desde os anos 30, quando surgiram os primeiros modelos acoplados na traseira de caminhões e o primeiro equipamento autopropelido.

Nessa mesma época, também surgiram as pavimentadoras de base, usadas como alternativa às motoniveladoras para nivelamento antes da compactação.

Embora o conceito básico da aplicação de betume não tenha mudado, os aperfeiçoamentos ao longo do tempo a tornaram mais eficiente.

O controle da distribuição de material por ar comprimido assegurou uma camada uniforme em toda a superfície, ao passo que sistemas aquecidos de espalhamento permitiram obter pavimentos de melhor qualidade.

O avanço das acabadoras de asfalto entre 1935 – com o lançamento da Adnum Black, pela Blaw-Knox – e 1960 foi bastante significativo, passando de equipamentos de baixa produtividade para máquinas mais eficientes, sofisticadas e capazes de produzir pavimentos de alta qualidade, montadas sobre esteiras e sobre pneus.

As empresas Blaw-Knox e Barber-Greene tiveram grande sucesso nessa época. O modelo 879 da BG, uma máquina de porte médio para larguras entre 2,4 e 3,6 m com capacidade de 100 ton/h, possuía socador de alta frequência e tinha uma velocidade de locomoção de 7 km/h.

Outros fabricantes cujos modelos se destacaram na época incluíam Linnhof, Dingler, Marini e Richier.

SUCESSOS

Para assegurar a qualidade do agregado foram desenvolvidas centrais de lavagem. A Loro & Parisini oferecia tambores cuja produção variava entre 3 e 15 m3/h.

A inglesa Parker dispunha de quatro modelos diferentes: um parafuso horizontal (Sandowheel), um cilindro rotativo com pás (Rotablade), uma correia elevadora (Sador) e um cilindro com água circulando no sentido oposto ao do agregado (Contraflow).

A partir de 1935, começaram a ser usados escarificadores para remoção do pavimento em reparos, com uma versão mais pesada introduzida por LeTourneau no final da década. Conjuntos de aquecedor e cortador (hot planers) também surgiram nessa época.

Em 1950, a Arrow desenvolveu uma máquina muito simples para o corte de pavimento para reparos. Basicamente, era constituída por uma torre vertical com um cortador acionado por gravidade, montada sobre um pequeno trator.

O Koehring 23-E Tribatch trazia hooper de 0,9 m2 e era movimentado por um diesel motor GM de 180 hp

A pintura mecanizada de faixas se iniciou no final da década de 50. Antes uma simples tarefa manual utilizando um gabarito de madeira, a atividade passou a compreender um tanque de tinta, um compressor e duas guias de aço, que limitavam a área a ser pintada.

Posteriormente, foram incluídos dispositivos para pintura em curvas e esquinas, com unidades montadas em chassis rebocados ou autopropelidos.

O meio-fio, que era feito de blocos de granito, passou a ser feito de concreto, inicialmente moldado in situ com formas de madeira.

Em 1952, a empresa americana Dotmar lançou a primeira máquina de concretagem contínua, capaz de produzir 90 m de meio-fio por hora. Basicamente, a solução consistia de um conjunto de forma e um vibrador, que deslizava sobre duas formas de pavimento devidamente niveladas.

Nesse mesmo ano, Bill Canfield experimentou com sucesso uma máquina extrusora de perfis, que veio a se tornar a Power Curbers.

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