A importância da cultura na construção (e como melhorá-la) — Revista M&T
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M&T nº 276Agosto 2023 Matéria 7 de 11
Sumário
  1. EditorialO futuro dos regulamentos de emissões
  2. TendênciasSetor projeta desaceleração das vendas no ano
  3. Caminhões E ImplementosOs impactos do Euro 6
  4. Especial InfraestruturaConcessões geram investimentos no transporte aéreo
  5. OperacionalA manutenção preventiva em minicarregadeiras
  6. Usinas De AsfaltoControle preciso na produção
  7. Mão De ObraA importância da cultura na construção (e como melhorá-la)
  8. A Era Das MáquinasOs guindastes no Leste Europeu
  9. ManutençãoEntendendo as modificações de chassis
  10. Entrevista – Carlos Ribeiro“Evoluímos no conceito de equipamento como serviço”
  11. Coluna Do YoshioA redução populacional nas cidades
  12. Painel19 notas e colunas
Mão De Obra

A importância da cultura na construção (e como melhorá-la)

Consultor avalia maneiras de atrair e reter talentos, com base no aprimoramento da cultura empresarial a partir da aplicação de valores até o estímulo à integração dos colaboradores

Exclusivo M&T 8 de agosto de 2023 · Edição 276

Atualmente, há uma grave escassez de mão de obra no setor de construção – mas isso não é exatamente uma notícia nova. Em publicações de jornais e revistas, as manchetes anunciam que “ninguém mais quer trabalhar”, mas será que essa explicação está realmente na raiz do que é um problema já antigo no setor?

À medida que os Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964) se aposentam e os trabalhadores da Geração Z (pessoas nascidas, em média, entre a segunda metade da década de 1990 até o início dos anos 2010) rejeitam as longas horas de trabalho no setor da construção, torna-se mais importante que nunca examinar as causas dessa escassez de mão de obra sem precedentes e explorar possíveis soluções.

As empresas estão sentindo a pressão desse déficit, especialmente em cargos especializados, sendo que muitas ainda não conseguiram resolver os problemas com a força de trabalho. Ao constatarem que aumentar salários e flexibilizar jornadas trouxeram pouco ou nenhum resultado, muitas companhias passaram a se questionar se a culpa não seria de sua própria cultura organizacional.

PERCEPÇÃO

Durante a recente ConExpo-CON/AGG 2023, realizada em março, essa questão foi abordada em uma sessão educativa intitulada “Cultura na Construção – É realmente tão ruim assim?” (“Culture in Construction – Is It Really That Bad?”, do original em inglês) pelo palestrante Wally Adamchik, criador da FireStarter Speaking and Consulting, que apresentou os motivos pelos quais as respostas a essa pergunta podem ser “tanto sim, quanto não”.


Pesquisa mostrou as discrepâncias de percepção entre escritórios e canteiros de obras

Segundo ele, a boa notícia é que os resultados de pesquisas como “People in Construction Report” (Relatório sobre Pessoas na Construção, em tradução livre), conduzida pela própria FireStarter, indicam que o componente cultural pode não ser tão ruim assim no setor (ao menos nos EUA).

De fato, 83% dos entrevistados na pesquisa dizem que “se candidatariam novamente ao cargo atual”, enquanto 73% das pessoas dizem que “estão felizes no trabalho”, aponta o relatório. No entanto, de acordo com Adamchik, esses resultados não são suficientemente bons para sustentar o crescimento bem-sucedido e a execução de projetos.

A pesquisa mostrou ainda que há uma divisão significativa entre o gerenciamento de projetos em escritórios e a supervisão de campo nos canteiros de obras. Nos escritórios, 81% dos funcionários dizem que mantêm amizades próximas no trabalho, enquanto no campo apenas 50% dos profissionais compartilham desse sentimento.

Além disso, 75% dos funcionários dos escritórios acham que conseguem manter um equilíbrio razoável entre a vida profissional e pessoal, enquanto novamente apenas 50% dos funcionários de campo consideram isso possível.

Ao invés de apenas listar mais estatísticas sobre a escassez de mão de obra no setor, muitos líderes agora anseiam por informações sobre “como criar uma força de trabalho mais duradoura e motivada”. De acordo com Adamchik, várias ações concretas podem ser tomadas para melhorar a cultura empresarial e manter os funcionários felizes, mas as empresas devem agir imediatamente para evitar a perda de mais colaboradores.

“A escassez de mão de obra não é exclusiva do setor de construção, e essas ações podem ser implementadas em qualquer local de trabalho”, disse ele. “Mesmo organizações que já contam com uma boa cultura empresarial podem implementar algumas dessas mudanças para elevar a experiência dos colaboradores.”

MUDANÇAS

Para o especialista, a mudança deve começar por normas e valores. Aproximadamente 90% dos participantes da pesquisa citada acima concordam que ignorar os valores fundamentais de seu local de trabalho é algo que os colocaria em apuros.

Isso mostra que os valores das empresas ainda são importantes, ele deduziu, de modo que a maneira mais visível de manifestar isso é estabelecer padrões em todos os setores. “Quando se trata de valores, não deve haver dois pesos e duas medidas”, reforçou Adamchik. “As pessoas levam os padrões e os valores mais a sério quando eles fazem parte da cultura da empresa e percebem que a liderança é avaliada pelos mesmos padrões que os funcionários.”

O próximo item é a criação de mudanças duradouras. Três quartos das lideranças sênior (que deveriam estar impulsionando as mudanças no local de trabalho) dizem que seus esforços são insuficientes.

Para o palestrante, qualquer mudança nesse sentido exige capacidade organizacional e investimento pessoal significativo por parte dos líderes. “A criação de um caminho para a mudança, com etapas concretas a serem seguidas ao longo do caminho, ajuda a manter a organização ativa e incentiva funcionários e lideranças a seguir adiante”, afirmou.


Para consultor, empregadores devem tomar ações para melhorar a cultura das empresas

Outro ponto citado pelo consultor refere-se ao reconhecimento de colaboradores. Para ele, existem inúmeras maneiras de dizer o quanto os funcionários são apreciados pela empresa. “Em uma base diária, é provável que haja inúmeras oportunidades de oferecer reconhecimento e construir relacionamentos”, apontou Adamchik. “E as empresas que fazem isso têm maior probabilidade de atrair e manter funcionários leais.”

Ampliar os programas de indicações também é algo importante. Cerca de 84% dos funcionários pesquisados dizem que recomendariam seu local de trabalho a um amigo (mas não o fazem). “Também há várias maneiras de aumentar a eficácia de um programa de estímulo, incluindo a oferta de uma combinação de incentivos, anúncios e gratificações pela indicação de candidatos”, destacou.

Na lista do especialista, preencher a lacuna entre equipes e departamentos vem a seguir. Na construção civil, disse ele, as várias discrepâncias detectadas pela pesquisa podem ser corrigidas com um pouco de trabalho. “Como, por exemplo, a criação de oportunidades de formação para toda a equipe, sejam mensais ou trimestrais, que podem ajudar a criar uma maior proximidade”, sugeriu.

Esses são alguns exemplos de melhorias que podem beneficiar a cultura no setor da construção e das empresas em geral, derivadas dos resultados da pesquisa e que, na avaliação de Adamchik, mostram que a situação pode não ser tão ruim quanto se anuncia.

“Há várias ações que os empregadores podem tomar para melhorar a cultura da empresa, desde a aplicação de valores até a união dos funcionários”, resumiu. “Mesmo as pequenas ações fazem uma grande diferença, mas precisam ser adotadas rapidamente.”

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