A história da Sandvik — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

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M&T nº 302Abril de 2026 Matéria 9 de 12
Sumário
  1. EditorialA ascensão do hidrogênio no mercado de máquinas
  2. Conexpo 2026O próximo estágio da construção
  3. Rolos CompactadoresEscala precisa na operação
  4. InfraestruturaTelecomunicação vive transição no país
  5. Correias TransportadorasEspecificação define desempenho e vida útil
  6. EmpresaReestruturação com foco na frota
  7. LançamentoLiuGong introduz novos equipamentos no Brasil
  8. EmpresaO fim da ociosidade
  9. A Era Das MáquinasA história da Sandvik
  10. ManutençãoNa linha de frente da operação
  11. Entrevista – Eduardo Defilippi‘‘O fortalecimento da locação é estratégico para o setor"
  12. Coluna Do YoshioReflexões sobre governança nas empresas
  13. Painel24 notas e colunas
A Era Das Máquinas

A história da Sandvik

Fundada em 1862 em Sandviken, na Suécia, inicialmente para revender a produção da Högbo Bruk no mercado internacional, a Sandvik acabou por adquirir essa empresa e passou a atuar na produção de aço, instalando-se numa área próxima de minas e florestas

Exclusivo M&T 6 de abril de 2026 · Edição 302

A Sandvik passou a atuar na produção de aço após a aquisição da Högbo Bruk, em 1863. Imagens: REPRODUÇÃO


Fundada em 1862 em Sandviken, na Suécia, inicialmente para revender a produção da Högbo Bruk no mercado internacional, a Sandvik acabou por adquirir essa empresa e passou a atuar na produção de aço, instalando-se numa área próxima de minas e florestas (fornecedoras de matéria prima e carvão).

Para fixar a mão de obra, a empresa investiu em uma estrutura com alojamento, hotel, ambulatório (posteriormente hospital), escola, teatro, centro esportivo e outras instalações.

A empresa foi a primeira a utilizar o processo Bessemer na produção de aço, em 1863, seguida pela trefilação, em 1876, e pela laminação de bobinas, em 1880.

Em 1898, implantou o processo Siemens-Martin de produção de aço, que manteve ativo até 1960.

Em 1907, iniciou a produção de hastes ocas de perfuração de rocha.

A expansão posterior envolveu a compra de diversas empresas, com ampliação e atualização das linhas de produção, além da criação de subsidiárias em diversos países.

Após superar a queda das vendas nos anos 1920, a companhia produziu os primeiros tubos de aço inox sem costura e fundou uma subsidiária nos Estados Unidos.

PRODUÇÃO

Com a chegada da Segunda Grande Guerra Mundial, reorganizou a produção para atender principalmente à demanda interna. Em 1942, criou a marca Coromant para bits de perfuração e produziu as primeiras ferramentas com carbeto de tungstênio.

Após o final da guerra, ampliou a venda de hastes e extensões integrais de perfuração.

Em 1947, firmou um acordo de longo prazo com a Atlas Diesel e, em 1949, fundou uma subsidiária do grupo em São Paulo.

A década de 1950 caracterizou-se pelo desenvolvimento de suportes e ferramentas de manuseio dos insertos de tungstênio. As linhas Gammax e T-max são sucessos dessa época.

Em 1962, foi inaugurada no Brasil uma unidade para fabricação de ferramentas de corte e perfuração.

Nessa mesma década, e empresa também lançou tubos de zircônio para a indústria nuclear, aços inox para a indústria de papel e celulose e serras para corte das esculturas do templo de Abu Simbel, no Egito, transferidas devido à construção da barragem de Assuã.

Nos anos 1970, as ferramentas Sandvik foram usadas na escavação do túnel São Gotardo, na Suíça. Tubos de titânio foram desenvolvidos para centrais nucleares e o Projeto Concorde, além de tubos especiais para altas temperaturas e ligas de ferro-níquel para contatos, chaves e relês.

No final da década, os produtos de tungstênio correspondiam a 50% do total de vendas da companhia.

O declínio das vendas nos anos 1980 levou ao fechamento de unidades e à demissão de mais de 2.000 funcionários.

A seguir, foi lançada a linha Delta Drill, com capacidade muito superior à das linhas espirais. A partir de 1984, a empresa se reorganizou no âmbito corporativo, separando as diferentes áreas de atuação.

Nos anos 1990, a Sandvik introduziu as ferramentas modulares Coromant para perfuração e mineração, lançando posteriormente as primeiras ferramentas com insertos de diamante.

Também adquiriu diversos fabricantes de ferramentas com pastilhas de tungstênio.

Em 1992, adquiriu 25% da Tamrock, fabricante finlandesa de equipamentos de perfuração (v. box). Em 1996, o processo continuou com a aquisição de 49% da Tampella, controladora da Tamrock, completando a compra em 1997.

Em 1995, foi lançada a linha de soluções de fresagem CoroMill, seguida em 1997 pela apresentação da Toro 2500, a maior carregadeira subterrânea do mundo na época.

Em 1998 houve nova reestruturação na empresa, que ficou então com três áreas de negócio: Tooling, Mining and Construction e Specialty Steels. Com isso, as áreas de serras e ferramentas foram vendidas no ano seguinte.


A empresa foi fundada em 1862 por Göran Fredrik Göransson, pioneiro na
utilização do método Bessemer para produção de aço em escala industrial


INVESTIMENTOS

A empresa iniciou o século XXI com investimentos em automação e controle remoto, com testes em mineração de ouro no Canadá e na Suécia.

A seguir, adquiriu a linha de equipamentos de britagem e classificação da Svedala (em 2001) e constituiu uma sociedade com a Smith International para fabricação de bits de rolo, adquirindo o controle do negócio em 2005.

Em 2003, alterou o nome para Sandvik Materials Technology, apresentando uma nova linha de pastilhas com tratamento bicolor, para indicar o desgaste.

Em 2006, lançou uma nova geração de jumbos com sistema informatizado para tratamento de dados sobre condições de perfuração e de reparos. No ano seguinte, lançou ferramentas cementadas de tungstênio com refrigeração de alta pressão integrada.

No entanto, a crise global do final da década levou a cortes em pessoal, capacidade de produção, estoques e custos.

A recuperação começou com uma nova reestruturação, que criou cinco áreas de negócio: Mining, Machinery Solutions, Materials Technology, Construction e Venture.

Em 2010, a Sandvik iniciou a produção de britadores em Svedala e, no ano seguinte, fez uma joint venture com uma empresa chinesa para produção e venda de equipamentos de mineração nesse mercado.

Em 2015, decidiu abandonar a operação de sistemas de manuseio para mineração, em um processo de enxugamento que continuou nos anos seguintes. Em 2018, foi considerada uma das empresas mais sustentáveis do mundo.

A década seguinte se iniciou com a pandemia da Covid-19, que causou nova contenção de despesas, superada até 2021.

Nesse ano, a empresa adquiriu a DSI Underground, líder de mercado na área de segurança subterrânea e encerrou as operações na Rússia em 2022 devido à guerra com a Ucrânia.


A trajetória da marca Tamrock

Desde 2006, as máquinas da Tampella Tamrock Oy integram o portfólio da divisão Sandvik Mining and Construction


Em 1844, foi montado um alto-forno em Tampere, na Suécia, mas a baixa qualidade da matéria-prima levou à construção de uma fundição ao lado do forno.

Os negócios nunca foram bem, de modo que o local foi transformado em uma oficina de metalurgia.

Na mesma época, foi criada uma fiação de linho chamada Tampella, que acabou por se fundir à oficina. O negócio também foi mal desde o início e seus proprietários faliram.

Os novos proprietários conseguiram sucesso, produzindo navios, moinhos, turbinas de água e, após 1900, turbinas a vapor.

Nos anos 1930, a empresa começou a fabricar lançadores de granadas, criando um setor de equipamentos militares.

A partir dos anos 1970, a Tampella enfrentou dificuldades financeiras, sem conseguir resolvê-las. A reestruturação começou em meados dessa década, com a venda das primeiras unidades de produção.

A SKOP começou então a comprar ações da Tampella, buscando transformá-la na matriz de seu grupo, mas também enfrentou dificuldades com a recessão dos anos 1980.

Em 1991, o Banco da Finlândia assumiu a SKOP, tornando-se o principal proprietário da Tampella.

Entre 1991 e 1992, a divisão de fabricação de armas começou a ser gradualmente vendida, até ser totalmente assumida pela Patria Oy, que depois vendeu a operação florestal.

Em 1996, a área de fabricação de turbinas hidráulicas e caldeiras foi alienada e, em 1997, apenas a fabricante de perfuratrizes Tampella Tamrock Oy permanecia no grupo.

Por fim, a Sandvik comprou as ações da Tampella, mudando o nome inicialmente para Sandvik Tamrock Oy e, em 2006, para Sandvik Mining and Construction Oy.

Atualmente, as operações da empresa se concentram em duas áreas principais: equipamentos e ferramentas (incluindo tecnologias digitais e sustentáveis para mineração e infraestrutura), ferramentas de corte e metalurgia do pó).

Leia na próxima edição: Máquinas diferenciadas para serviços específicos
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