A essência do conhecimento — Revista M&T
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M&T nº 235Junho 2019 Matéria 12 de 12
Sumário
  1. EditorialO futuro elétrico se aproxima
  2. SegurançaProteção nas alturas
  3. Soluções FlorestaisMecanização que agrega valor
  4. TuneladorasAdaptadas ao solo
  5. CaminhõesDemanda ascendente
  6. Torres De IluminaçãoLuz nos canteiros
  7. Momento BwTendências Globais
  8. A Era Das MáquinasSupermotoniveladoras em cena
  9. ManutençãoO Handicap do biodiesel
  10. EntrevistaRODRIGO BONATO
  11. Especial InfraestruturaO Desafio Energético
  12. Coluna Do YoshioA essência do conhecimento
  13. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

A essência do conhecimento

Em um mundo mais competitivo, em que muito mais pessoas possuem o conhecimento, a essência do diferencial profissional torna-se ainda mais dependente da habilidade de aplicação ao mundo real

Exclusivo M&T 17 de julho de 2019 · Edição 235

Uma conhecida frase do filósofo Confúcio (551 a.C.-479 a.C.) diz que “a essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”. Portanto, a posse precede a aplicação. Nestes tempos de internet de banda larga, Wikipédia e educação a distância, claro que esta é a parte mais simples da equação.

Mas se o conhecimento tornou-se quase uma commodity, o que pode diferenciar um profissional no futuro? A minha aposta está no passado, mais exatamente há 2.500 anos, na época em que Confúcio cunhou seu aforismo. Na verdade, está no próprio aforismo. Ou seja, se possuir o conhecimento está cada dia mais fácil e acessível, o passo subsequente – sua aplicação – continua tão difícil quanto nos tempos do pensador chinês.

Se naqueles tempos adquirir conhecimento era penoso e demorado e, ainda assim, a aplicação era considerada a essência da questão, imagine como a questão tornou-se ainda mais complexa na atualidade, em que a aquisição do conhecimento é muito mais fácil. Ou teria o uso do saber se tornado mais fácil na mesma proporção de sua aquisição?

Pelo contrário, eu diria. Em um mundo mais competitivo, em que muito mais pessoas possuem o conhecimento, a essência do diferencial profissional torna-se ainda mais dependente da habilidade de aplicação ao mundo real. Afinal, sabemos como se tornou muito mais difícil desenvolver pessoas para a aplicação, apesar das novas tendências de educação “make”, tão difundida mundo afora.

E este ambiente mais competitivo também nos demanda uma expansão contínua do conhecimento, adquirido rapidamente e exercitado em um passo ainda mais acelerado. Movendo-se entre mudanças que criam novos desafios, os profissionais de hoje investem na aquisição de conhecimento horizontal, buscando familiarização com novas áreas de conhecimento, compensando a fragmentação da educação atual. Poderia isso ser um reflexo das incertezas profissionais vindouras alardeadas pelos futurólogos?

A nova “arte” que diferencia os melhores profissionais está na aplicação, na capacidade de transformar o conhecimento em resultados concretos, muito além da elegância da teoria. Como escreveu Confúcio, cinco séculos antes de Cristo: “O homem superior é modesto na fala, mas excede em suas ações”, dizia o sábio, valorizando as ações que produzem resultados.

Assim, o foco dos profissionais deve ser a rapidez com que as ações são colocadas em marcha, com o uso de ferramentas e instrumentos adequados para a execução. Não é necessário produzir resultados maiores em cada ação realizada. Basta ser mais rápido e produzir mais ações dentro do mesmo período de tempo. Embora pareça demasiadamente simplista, a ideia é de um contínuo aprimoramento para se tornar cada vez mais ágil.


*Yoshio Kawakami
é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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