Entre as regiões mais encrencadas do mundo, a Líbia ocupa posição de destaque. O país está entre os mais corruptos e é liderado pelo mesmo homem, Muamar Kadafi, há mais de 40 anos. Excêntrico e caprichoso, o ditador já chegou a propor uma guerra santa contra a Suíça e expulsou da Líbia a organização da ONU para o auxílio de refugiados (isso tudo só do início do ano até agora). Aos rompantes de seu governante, ainda se soma um atraso de mais de dez anos da economia líbia. Acusado de apoiar o terrorismo, o país viveu sob um embargo que impedia a importação de produtos e a atuação de empresas estrangeiras. O entrave só foi derrubado em 2003 depois de um acordo internacional.
Pois é exatamente esse o ambiente escolhido por um grupo cada vez maior de construtoras brasileiras para fazer negócios. "A Líbia vive um momento histórico relevante", diz Daniel Villar, diretor-superintendente da Odebrecht na Líbia. "Com o fim do embargo, o país decidiu se modernizar e investir em infraestrutura." O dinheiro para financiar as obras não é, pelo menos por enquanto, um problema. Só um dos fundos soberanos da Líbia, para investimentos internos, tem U$800 bilhões. Com a maior parte de seu PIB proveniente do petróleo, o país investiu U$ 115 bilhões em infraestrutura entre 2003 e 2009, segundo estimativas.