A arte de ver o lado bom das coisas — Revista M&T
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M&T nº 247Setembro 2020 Matéria 15 de 15
Sumário
  1. EditorialOs desafios para a infraestrutura na retomada
  2. EscavadeirasTalhadas para grandes desafios
  3. PavimentaçãoSinergia em longas extensões
  4. Especial InfraestruturaPor uma cultura do descarte
  5. Fórum De InfraestruturaA vez do saneamento
  6. RentalÀ espera de um novo boom
  7. FinanciamentoMercado diversifica opções de crédito
  8. LançamentoAposta renovada no Brasil
  9. EventoUma experiência inovadora
  10. SegurançaCuidados na operação de guindastes
  11. LançamentoCada vez mais tecnológico
  12. A Era Das MáquinasUma tecnologia crucial e subestimada
  13. ManutençãoA organização do posto de trabalho
  14. EntrevistaMárcio Pedroso
  15. Coluna Do YoshioA arte de ver o lado bom das coisas
  16. Painel16 notas e colunas
Coluna Do Yoshio

A arte de ver o lado bom das coisas

"Poder ver o lado bom da situação tem um efeito positivo na confiança de uma verdadeira recuperação. Afinal, em plena pandemia um número relevante de empresas mostra-se muito bem e algumas realizam os melhores resultados de sua história."

Exclusivo M&T 10 de setembro de 2020 · Edição 247

No início da pandemia, uma nuvem negra dominou o noticiário cotidiano, projetando o evidente lado negativo dos fatos, alertando para os riscos da inesperada e desconhecida situação e repetindo diariamente os cuidados necessários para se evitar a doença. Confesso que as projeções eram de assustar até mesmo os mais vividos e experientes dos seres humanos.

Assim, nos preparamos mentalmente para o pior, algo mais terrível do que qualquer mortal pudesse ter vivido na curta existência de, vá lá, uns 100 anos. Os descrentes do perigo representavam um perigo adicional, enquanto a expectativa de caos econômico desnorteou até mesmo o governo federal, levando-o a adotar uma estranha postura “negacionista”.

Porém, só mesmo vivendo um dia após o outro para ver as coisas incríveis que acontecem neste mundo, ou melhor, neste país. Pois o mês de abril foi o momento da verdade. Entre os nossos clientes e parceiros de negócios, a empresa que mais sofreu relatou diminuição de 90% no faturamento, ao mesmo tempo em que a que menos sofreu viu suas receitas aumentarem em 30%. Ora, tratava-se de um indicativo claro das enormes diferenças que existem entre os diversos setores e segmentos de negócios, embora o noticiário se concentrasse apenas nos casos mais dramáticos.

Após 90 dias de pandemia, todas as empresas haviam recuperado parcialmente o seu faturamento, alcançando pelo menos 50% do plano anterior. No entanto, a surpresa maior estava no fato de que uma parcela maior de empresas havia recuperado ao menos 80% do plano, com algumas delas vivendo o melhor ano da sua história. Quando comento sobre isso com executivos e empresários, ao invés de simplesmente gerar uma reação incrédula, surgem outros exemplos positivos, talvez um tanto timidamente, como que desculpando-se de não estar em crise...

Há um lado bom nisso, que não é um mero aprendizado de sofrimento ou sacrifício inevitável. Também não se pode dizer que essas empresas estavam preparadas para uma crise como agora, enquanto outras foram incautas. Tampouco atribuir apenas à sorte o bom resultado obtido por elas.
O fato é que, em plena pandemia, um número relevante de empresas mostra-se muito bem e algumas inclusive realizam os melhores resultados de sua história. E poder ver o lado bom da situação tem um efeito positivo na confiança de uma verdadeira recuperação. Arrisco dizer que uma recuperação em “U” ou uma estagnação em “L”, tão debatidas nos últimos meses, parecem ser projeções bastante improváveis nesse momento.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema

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