Mobilidade no local de trabalho — Revista M&T
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Tecnologia e inovação para
construção e mineração

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M&T nº 281Fev/Mar - 2024 Matéria 3 de 16
Sumário
  1. EditorialAs boas razões para eletrificar a construção
  2. FinanciamentoViés além do financeiro
  3. BritadoresMobilidade no local de trabalho
  4. Especial InfraestruturaA importância dos contratos em edificações industriais
  5. Implementos HidráulicosAjustes no ponto certo
  6. CombustíveisA ascensão do diesel renovável
  7. FabricanteScania apresenta gama Super XT para operações off-road
  8. LançamentoKomatsu lança novas escavadeiras no Brasil
  9. EmpresaJohn Deere investe em centro de P&D no Brasil
  10. FabricanteAposta na tecnologia
  11. LançamentoMercedes-Benz entra no mercado de locação
  12. EmpresaDevelon inaugura Centro de Distribuição de Peças no Brasil
  13. A Era Das MáquinasA evolução das retroescavadeiras
  14. ManutençãoA execução de juntas soldadas
  15. Entrevista — Daniel Poll“A diversificação permite enfrentar as flutuações”
  16. Coluna Do YoshioAs imperceptíveis mudanças do tempo
  17. Painel19 notas e colunas
Britadores

Mobilidade no local de trabalho

Diversos fatores devem ser analisados no momento de selecionar um britador móvel, incluindo o prazo de operação no local e o tipo de alimentação para seu funcionamento

Exclusivo M&T 11 de março de 2024 · Edição 281

Indicado para situações que demandam flexibilidade, o conjunto móvel de britadores permite a produção imediata sem a necessidade de obras de construção e montagem. Porém, para que todas as vantagens do equipamento sejam de fato alcançadas, a especificação precisa ser criteriosa e avaliar diferentes fatores, como a identificação do tipo de material a ser britado ou peneirado, localidade, distância a ser percorrida e fonte de energia disponível.

“A planta móvel é usada em situações que pedem mobilidade e não precisam de grandes produções”, comenta André Misael, diretor comercial da Superior Industries do Brasil.

A planta fixa, diz ele, oferece capacidade e versatilidade superiores para pilhas maiores, além de melhor configuração dos produtos. “Já a móvel se destaca, por exemplo, em uma obra de rodovia onde existem rochas que devem ser removidas e o espaço de trabalho não é tão grande”, ressalta.

Segundo Marcos Fernandes de Oliveira, engenheiro de vendas de equipamentos da Furlan, a máquina móvel tem uso mais comum em projetos de curto a médio prazo, como construções rodoviárias que necessitam de produção de agregados, demolição e outras aplicações. A especificação também passa pela definição da alimentação, elétrica ou a diesel.

Normalmente, os conjuntos a eletricidade necessitam de um grupo gerador ou rede elétrica, além de uma base civil. “Já as alternativas a diesel têm como principal característica a mobilidade dentro do local de trabalho”, compara Fernandes.

De fato, a decisão sobre acionamento a diesel ou a eletricidade depende muito da localidade e do acesso à rede de transmissão elétrica, indica Eduardo Panta, diretor comercial da Astec do Brasil.

“Quando disponibilizamos um conjunto móvel elétrico, um dos principais critérios é a boa relação custo x benefício”, acentua. “São equipamentos que pedem menor investimento de manutenção, são menos poluentes e podem contribuir nos processos de crédito de carbono”, completa Daniel Ferraz, gerente geral da Mason Equipamentos, distribuidora das linhas móveis e semimóveis da Sandvik.

CÁLCULOS

Normalmente, o equipamento abastecido por diesel é utilizado quando não há possibilidade de eletrificação. Isso inclui, por exemplo, obras de rodovia executadas em locais onde não existem torres de alta tensão com fácil acesso.

“Essa é uma alternativa vantajosa em situações que pedem pouca infraestrutura, uma vez que a principal fonte de energia é o combustível”, indica Fernandes. Porém, é importante destacar que, independentemente do combustível, ambas as opções têm desempenho igual. “A potência é a mesma, sem nenhuma perda”, assegura Misael.

Já os conjuntos elétricos apresentam vantagens como economia superior a 50% nos custos de manutenção e redução de 30% no valor de componentes para manutenção.

“Há, ainda, menor complexidade no projeto – o que facilita a manutenção – redução em 70% na geração de ruídos, ausência de emissão de monóxido de carbono e maior disponibilidade física, o que permite melhor uso, aumentando consequentemente a produtividade”, enumera Panta.


Soluções entregam mobilidade em obras de rodovia sem muito espaço de trabalho

Com a possibilidade de ser instalado em chassi único, o conjunto móvel a eletricidade conta ainda com a vantagem de que o preço da eletricidade é bem menor do que o custo do diesel. “Cada situação é uma realidade que pede análises para definição do melhor tipo de solução”, ressalta Misael.

“Se não há eletricidade disponível, pode-se optar pelo diesel. Mas não existe uma fórmula mágica, pois depende da aplicação e de fazer todos os cálculos.”

Por suas características, os equipamentos elétricos são mais recomendados para trabalhos em minas subterrâneas, evitando o problema de emissão de gases tóxicos pelos motores a combustão. Nesses casos, a solução também consegue reduzir os custos operacionais ao ser capaz de excluir a necessidade de implantação de exaustores para lidar com os poluentes.

No entanto, além das opções propriamente elétricas e a diesel, existem as motorizações configuradas com tecnologia diesel-elétrica. Trata-se de uma alternativa mais vantajosa em aplicações com exigência de movimentação constante dos equipamentos, o que torna economicamente inviável a construção de estações elétricas para conexão das máquinas por curtos períodos.

“É uma tecnologia indicada para empreiteiros que trabalham em trechos específicos e por prazos determinados, que precisam mover esses equipamentos para outras obras ao final do projeto”, detalha Luiz Zoch, gerente geral da divisão latino-americana da Kleemann, marca que introduziu o conceito de motorização híbrida há mais de 15 anos.


Planta móvel de britagem é usada em situações que não demandam produções elevadas

“O motor a diesel aciona o conjunto principal de trituração e a carga sobressalente desse processo alimenta um gerador de energia, que por sua vez movimenta os demais motores do equipamento durante a operação”, diz Zoch, mencionando ainda o equipamento Dual Power, que traz um conjunto de motores elétricos que funcionam de forma concomitante ou individual.

“A solução, nesse caso, é indicada para operações de grande porte, em que as máquinas operam por longos períodos em um mesmo local”, delineia o especialista.

Quando se fala em britadores móveis, a relação entre custo operacional e produtividade é uma questão de máxima importância. A produtividade das opções é próxima, porém na versão elétrica os custos operacionais são reduzidos devido a fatores já citados, como energia mais barata, menor necessidade de peças e eliminação de paradas para abastecimento e lubrificação.


Definição da tecnologia depende do local de operação e eventual acesso à rede de transmissão

Panta indica que as vantagens do conjunto elétrico são bem maiores quando existe uma rede de transmissão para alimentação, destacando que a alternativa promove um bem para a sociedade com a emissão zero de poluentes.

Já Fernandes aponta a necessidade de se analisar cada cenário. “Temos uma metodologia de avaliação em conjunto com o cliente”, conta. “Para tanto, dados como material a ser processado, tempo de obra e produtos gerados são devidamente aferidos antes da compra ou aluguel de uma máquina elétrica ou movida a diesel.”

BOAS PRÁTICAS

Assim como qualquer equipamento, os britadores móveis demandam manutenções regulares para evitar desgastes que aceleram a depreciação. Entre os cuidados está a inspeção adequada, a troca de revestimentos com excesso de horas trabalhadas, a substituição de telas e a atenção com a vida útil da correia.

As intervenções preventivas e preditivas são importantes para manter a operação da máquina mais equilibrada, devendo-se evitar a utilização de produtos de baixa qualidade.

Além disso, em conjuntos a diesel é essencial dedicar atenção especial ao sistema hidráulico e ao motor, o que é crucial para garantir a eficiência e a longevidade da máquina. Os erros humanos são mais um fator crítico que pode diminuir a vida útil dos materiais de desgaste.

Nessa equação, é preciso lembrar que existem duas tecnologias comumente utilizadas nos processos convencionais de trituração: compressão e impacto. “O desconhecimento da aplicação correta de cada uma em relação à etapa do processo e aos materiais processados pode acelerar o desgaste”, adverte Zoch, destacando que o excesso de vibração é mais um fator relevante.


​​​​​​​Erros humanos são um fator crítico que pode diminuir a vida útil dos materiais de desgaste

Independentemente se a máquina é abastecida por diesel ou energia, existem boas práticas que promovem a economia de combustível – colaborando, assim, com a eficiência da operação. Como vimos, o primeiro desses cuidados é garantir que o equipamento sempre trabalhe com capacidade máxima.

Além disso, recomenda-se que o profissional responsável por acompanhar os processos seja capaz de identificar anomalias e indicar a necessidade de intervenções no britador móvel, antes de surgirem problemas maiores.

As manutenções também devem ser realizadas em conformidade com o planejamento e de forma atenta ao manual do fabricante. Essa atividade precisa ser executada por especialistas e qualquer substituição de peças requer componentes originais.

Por isso, a escolha de fornecedores bem estruturados é fundamental para um bom suporte técnico, ressaltam os especialistas.


MERCADO
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Segmento tem boas perspectivas para o ano


País tende a acompanhar mercados mais avançados no processo de conversão para a britagem móvel

A expectativa entre os fornecedores de britadores móveis para 2024 é positiva. Esse sentimento se justifica pelo bom número de obras no horizonte, tanto da iniciativa pública quanto da privada.

É o caso, por exemplo, da construção do túnel entre Santos e Guarujá, no litoral sul de São Paulo, e dos empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida. “Em muitas regiões, também vemos diversas concessionárias cuidando do recapeamento das estradas”, antecipa Misael, da Superior. “Ou seja, é um ano que tende a ser excelente e com boas perspectivas.”

Fernandes, da Furlan, salienta que há um crescimento projetado de 2,9% no mercado de construção civil em 2024, assim como a previsão de mais dez leilões de concessões rodoviárias.

“A perspectiva para as vendas de equipamentos de produção temporária, como os conjuntos móveis de britagem, é de alta demanda”, diz ele. “Isso traz boa expectativa para esse segmento de mercado.”

Para Adriano Correia, diretor-presidente da Wirtgen Brasil, a América Latina aponta boas possibilidades de negócios em 2024. “Independentemente de todos os problemas que os mercados enfrentam, a infraestrutura é o motor de desenvolvimento e recuperação econômica amplamente usado por governos”, destaca.

“E a perspectiva permanece de crescimento, já que os mercados mais maduros estão avançados no processo de conversão para a britagem móvel.”

Um dos mercados que deve trazer bons resultados para os fornecedores de britadores móveis é a mineração. De acordo com Ferraz, da Mason, a demanda deve permanecer alta nessa área nos próximos anos.

“Porém, crescerá mais no setor de agregados, diretamente relacionado à construção civil e obras de grande porte”, analisa, destacando que o uso dessas máquinas agiliza os processos, reduz os custos e permite o reaproveitamento de materiais.

A percepção de Panta, da Astec, também é de otimismo, com expectativa de negócios para esses equipamentos em 2024.

“Temos vários em operação no Brasil, com destaque para o minério de ferro, principalmente”, comenta o especialista, que vê espaço inclusive para conjuntos de britagem semimóvel, que se caracterizam pela mobilidade, rápida instalação e montagem, além de não demandarem licença ambiental e dispensarem a utilização de barragem de rejeitos.

“Acreditamos que continuaremos com o sucesso de fornecimento que já vem desde 2023”, conclui.


Saiba mais:
Astec:
www.astecindustries.com
Furlan: https://furlan.com.br
Kleemann: www.wirtgen-group.com/pt-br/empresa/kleemann
Mason: www.masonequipamentos.com.br
Superior: https://superior-ind.com
Wirtgen: www.wirtgen-group.com/pt-br

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A Revista M&T é editada pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos.

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