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26 de junho de 2018
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Construção

Setor da construção civil mostra preocupação com tabelamento do frete

Publicada em 27 de maio, a Medida Provisória (MP) 832/2018 estabelece o valor do frete mínimo. A formulação da tabela de valores fixos fez parte do acordo entre governo e caminhoneiros para tentar pôr fim à paralisação que durou 11 dias no último mês.
Fonte: Agência do Rádio

A greve dos caminhoneiros, que tomou conta de quase todo o país, trouxe diversas consequências para a população, como a falta de combustíveis e o desabastecimento.

Um mês depois da paralisação, um tema que ganhou destaque nos noticiários foi o tabelamento do frete para quem trabalha no setor de transporte rodoviário de cargas.

Publicada em 27 de maio, a Medida Provisória (MP) 832/2018 estabelece o valor do frete mínimo. A formulação da tabela de valores fixos fez parte do acordo entre governo e caminhoneiros para tentar pôr fim à paralisação que durou 11 dias no último mês.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o tabelamento, os fretes tiveram aumentos médios de 25% a 65%.

Em algumas situações, os custos de transporte subiram mais de 100%. A tendência, com isso, é que a população perceba um aumento geral nos preços, já que praticamente todo o transporte de mercadorias passa pelas estradas brasileiras.

Concedido pelo governo como moeda de troca para apaziguar os ânimos, o tabelamento do frete é visto como um retrocesso por especialistas.

José Del Chiaro, advogado especializado em Direito Econômico considera que a medida pode trazer prejuízos ainda maiores para a população brasileira.

“Uma tabela vinculativa, uma tabela obrigatória leva à cartelização, leva ao aumento de preço. Ela prejudica a sociedade como um todo. Eu acho que nesse momento, o próprio caminhoneiro precisa pensar que ele está entrando na construção de uma bola de neve, porque na hora que ele sobe todos os preços da forma que ele vai subir, ele também será prejudicado”, argumenta.

O setor produtivo tem mostrado preocupação com o tabelamento do frete. No segmento da construção civil, os materiais utilizados sofreram reajustes devido ao aumento do preço do transporte de mercadorias por rodovias.

Roberto Lira, engenheiro civil e consultor técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro, explica que os preços altos atingem principalmente produtos básicos, chamados de insumos.

“O que a gente vai sentir muito, na verdade, são mais ainda aqueles insumos que vêm de lugares distantes”, afirma Lira.

A CNI ingressou na última semana com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o tabelamento do frete para o transporte rodoviário de cargas.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral