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30 de janeiro de 2019
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AGRONEGÓCIO

Máquinas agrícolas podem ficar sem financiamentos

Moderfrota é uma linha de crédito para a compra de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores
Fonte: Jornal do Comércio

Depois de quatro anos seguidos de queda, o setor de máquinas e implementos agrícolas finalmente viu suas vendas voltarem a crescer em 2018.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a comercialização dos produtos chegou a 47,8 mil unidades em 2018, alta de 12,7% sobre as 42,4 mil unidades vendidas em 2017. A projeção para 2019 é de nova alta, na ordem de 10,9%.

O problema, porém, é que os recursos para financiamento podem acabar antes do que o atual Plano Safra, praticamente inviabilizando as vendas por meses.

A entidade mais ativa na questão tem sido a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que alerta para o possível problema desde novembro do ano passado.

"A indústria está vendo que, do jeito que está, estaremos sem recursos a partir de março", argumenta João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq.

A preocupação reside no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), que precisaria de um reforço de mais R$ 3 bilhões para atender a toda a demanda, segundo Marchesan.

O Moderfrota é uma linha de crédito para a compra de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores, entre outras máquinas, com juros subsidiados pelo governo federal.

Neste Plano Safra, os juros foram estipulados em 7,5% a.a. e 9,5% a.a., dependendo do faturamento do agricultor, com prazo para pagamento de sete anos para itens novos e quatro anos para usados.

Apenas no primeiro semestre deste ano-safra, os agricultores brasileiros já consumiram 59,2% do total de recursos disponibilizados pelo governo federal para o Moderfrota. Entre julho e dezembro, foram utilizados R$ 5,27 bilhões dos R$ 8,9 bilhões liberados para todo o ciclo, segundo a União.

Nesse ritmo, o financiamento não chegará até o fim do junho, quando se encerra o ano-safra.

"Os recursos vão acabar, provavelmente, na Expodireto", projeta o dirigente, referindo-se à feira que acontece em Não-Me-Toque entre 11 e 15 de março. A maior feira do país, a Agrishow, que acontece em Ribeirão Preto, SP em maio, pode ocorrer sem financiamento disponível pelo programa, caso a projeção se confirme. O resultado, por um lado, exemplifica o aquecimento do setor.

No mesmo período de 2017, por exemplo, apenas R$ 3,5 bilhões haviam sido utilizados pelos produtores dentro do mesmo programa. "Houve uma demanda muito forte, o que é um bom sinal. Pior seria se tivesse dinheiro sobrando e não estivéssemos vendendo", comenta Marchesan.