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24 de fevereiro de 2011
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Mercado

Um ano para ficar na história

Venda de equipamentos para construção cresce 70,5% em 2010, o melhor ano da história do setor, colocando o mercado brasileiro entre os mais atrativos do mundo

Os profissionais de equipamentos para construção estão aprendendo a conviver em um cenário diferente daquele que se habituaram a enfrentar ao longo de mais de duas décadas. Em vez da alternância de altos e baixos, que caracterizou o comportamento do setor nos últimos tempos, eles devem se preparar para atuar em um mercado com crescimento constante e sustentado. É o que aponta o “Estudo do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”, divulgado pela Sobratema no final do ano passado.

Segundo o levantamento, realizado anualmente pela associação, o mercado brasileiro de equipamentos encerrou 2010 com um crescimento 70,5% em relação ao ano anterior, o que representa a comercialização de mais de 70.500 unidades, contra as 41.360 vendidas em 2009. Os números apontados pela pesquisa surpreendem até mesmo os profissionais mais otimistas, com picos de crescimento de 200% nas vendas de caminhões fora-de-estrada (saltaram de 50 para 150 unidades), de 109% nas de tratores de esteiras (de 550 para 1.150 unidades) e de 90% nas de escavadeiras hidráulicas (de 2.900 para 5.500 unidades).

“Ao observar o comportamento do mercado, constatamos que o setor está sendo fortemente impulsionado pelas obras de grande porte do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)”, afirma o jornalista britânico Brian Nicholson, consultor da Sobratema no desenvolvimento dessa pesquisa. Vale ressaltar que o segmento de plataformas elevatórias, relativamente novo no Brasil, registrou um aumento de 233%, com a venda de 3.000 unidades. Com a industrialização dos processos no canteiro de obras, ele avalia que esse tipo de equipamento já registraria um volume de vendas suficiente para justificar sua fabricação local

Brian ressalta a posição de destaque ocupada pelo país no mercado internacional, já que as projeções apontam um crescimento de 120% do setor de equipamentos entre 2010 e 2014, índice muito acima do registrado em outras regiões do mundo. “O Brasil é a estrela do mercado mundial, principalmente devido ao ritmo de seu crescimento, mas ainda é um mercado relativamente pequeno em comparação com outros países em desenvolvimento como a China e Índia”, diz ele.

Riscos e oportunidades


Segundo o economista Rubens Sawaya, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e também consul

Os profissionais de equipamentos para construção estão aprendendo a conviver em um cenário diferente daquele que se habituaram a enfrentar ao longo de mais de duas décadas. Em vez da alternância de altos e baixos, que caracterizou o comportamento do setor nos últimos tempos, eles devem se preparar para atuar em um mercado com crescimento constante e sustentado. É o que aponta o “Estudo do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção”, divulgado pela Sobratema no final do ano passado.

Segundo o levantamento, realizado anualmente pela associação, o mercado brasileiro de equipamentos encerrou 2010 com um crescimento 70,5% em relação ao ano anterior, o que representa a comercialização de mais de 70.500 unidades, contra as 41.360 vendidas em 2009. Os números apontados pela pesquisa surpreendem até mesmo os profissionais mais otimistas, com picos de crescimento de 200% nas vendas de caminhões fora-de-estrada (saltaram de 50 para 150 unidades), de 109% nas de tratores de esteiras (de 550 para 1.150 unidades) e de 90% nas de escavadeiras hidráulicas (de 2.900 para 5.500 unidades).

“Ao observar o comportamento do mercado, constatamos que o setor está sendo fortemente impulsionado pelas obras de grande porte do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)”, afirma o jornalista britânico Brian Nicholson, consultor da Sobratema no desenvolvimento dessa pesquisa. Vale ressaltar que o segmento de plataformas elevatórias, relativamente novo no Brasil, registrou um aumento de 233%, com a venda de 3.000 unidades. Com a industrialização dos processos no canteiro de obras, ele avalia que esse tipo de equipamento já registraria um volume de vendas suficiente para justificar sua fabricação local

Brian ressalta a posição de destaque ocupada pelo país no mercado internacional, já que as projeções apontam um crescimento de 120% do setor de equipamentos entre 2010 e 2014, índice muito acima do registrado em outras regiões do mundo. “O Brasil é a estrela do mercado mundial, principalmente devido ao ritmo de seu crescimento, mas ainda é um mercado relativamente pequeno em comparação com outros países em desenvolvimento como a China e Índia”, diz ele.

Riscos e oportunidades
Segundo o economista Rubens Sawaya, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e também consultor da Sobratema no desenvolvimento desse estudo, as perspectivas para os próximos anos também são de crescimento do mercado, porém em patamares menores que o registrado em 2010. As previsões são de uma expansão de 10,3% em 2011, de 9% em 2012, 11% em 2013 e 12% em 2014. “Os números levantados em 2010 não consideram as obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, bem como os recursos destinados à exploração do pré-sal, que deverão impactar a demanda de equipamentos a partir de 2012 ou 2013”, ele avalia.

Sawaya alerta para os riscos desse cenário que, se por um lado aponta para um crescimento sólido e sustentado, por outro acena para um possível esgotamento. “Do ponto de vista macroeconômico, a combinação de juros altos e câmbio desvalorizado enfraquece a indústria nacional e a geração de emprego, formando uma mistura explosiva num cenário de elevada dívida pública, que sempre compromete a arrecadação do Estado e sua capacidade de investimento em infraestrutura”, enumera o economista.

Por esse motivo, ele avalia que “o melhor antídoto” para os atuais níveis da dívida pública brasileira é o mercado continuar crescendo. Sawaya também alerta para o rápido crescimento da frota de máquinas novas (com menos de 10 anos de uso). Apesar desse fator se refletir em maior produtividade nos canteiros de obras, ele resulta em queda de preço no mercado de equipamentos usados e no adiamento da decisão das construtoras pela renovação futura de suas respectivas frotas.

O parque de máquinas da linha amarela com vida útil de até 10 anos saltou de 122 mil unidades, em 2009, para 146 mil unidades, no ano passado, devendo chegar a 198 mil equipamentos, em 2012, e 270 mil unidade, em 2014. “Esses níveis de frota não têm paralelo em nossa história e talvez só encontrem comparação com o mercado na década de 1970, porém numa escala bem menor”, ressalta o economista.

Ele apoia suas projeções de expansão do mercado também na capacidade de investimento do governo. “O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que tradicionalmente operava com uma carteira de R$ 90 bilhões para financiamentos, incorporou cerca de R$ 300 bilhões em recursos do Tesouro nacional, que passaram a compor sua carteira para fomento da indústria e dos projetos de infraestrutura.” O único problema, de acordo com o economista, é que a estrutura do banco continua a mesma, o que pode comprometer a rapidez na análise e aprovação dos projetos a serem financiados.

Mudança do mercado
De acordo com Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema, a pesquisa realizada pela associação demonstra uma mudança no perfil do mercado de equipamentos, impulsionada pela industrialização dos canteiros de obras e a busca de maior produtividade nas operações. Ela se reflete no surgimento dos segmentos de plataformas elevatórias e manipuladores telescópicos (telehandlers), bem como na expansão da demanda de máquinas compactas (as minicarregadeiras e miniescavadeiras) e de equipamentos de maior porte (como caminhões fora-de-estrada e escavadeiras pesadas).

Segundo as projeções de Mário Humberto, o mercado de equipamentos movimenta anualmente entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões em negócios, mantendo uma indústria que gera cerca de 40 mil empregos diretos e até 150 mil empregos indiretos, considerando todo o suporte em serviços de manutenção às máquinas no canteiro.

Eurimilson Daniel, também vice-presidente da Sobratema, alerta para outro tipo de mudança no perfil do mercado: o rápido crescimento do setor de locação, que já responde por um quarto dos negócios no setor de equipamentos. “Em 15 anos, a participação das rental no mercado saltou de 15% para 25% e as empresas adquiriram alto nível de profissionalização, oferecendo o produto adequado para cada necessidade das construtoras”, ele pondera.

Além da profissionalização, as empresas do setor passaram a dispor de crédito para a renovação da frota, conquistando a confiabilidade dos grandes locatários. “A situação inverteu e as grandes obras, que representavam apenas 30% dos contratos de locação, já respondem por cerca de 70% dos equipamentos locados, cabendo aos 30% restantes os contratos de curto prazo.” Do ponto de vista do locador, isto resulta em maior segurança para a contínua renovação da frota associada à rentabilidade de seu negócio.