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25 de maio de 2018
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Escavadeiras

Tendência de mercado

Diferentemente de outros mercados, uma maior adoção das escavadeiras sobre rodas nos canteiros brasileiros ainda esbarra em questões históricas, culturais e financeiras
Por Evanildo da Silveira

Diferentemente do que ocorre em mercados mais desenvolvidos e maduros, como o europeu e o norte-americano, as escavadeiras sobre rodas ainda são pouco utilizadas nos canteiros de obra do Brasil. Embora ofereçam maior mobilidade e flexibilidade, respondem por menos de 5% das vendas desse tipo de máquina – o restante é de seus congêneres de esteiras. As explicações para essa grande diferença têm a ver com questões históricas, culturais e, principalmente, de custos – pois elas são mais caras.

Do ponto de vista histórico, o especialista de aplicação de produtos da Caterpillar, Maurício Briones, conta que no passado uma empresa – ele não revela qual – trouxe muitas unidades de escavadeiras de rodas para o mercado brasileiro, mas não se preparou adequadamente para o pós-venda. “Isso acarretou muitos problemas por falta de peças de reposição, serviço e reparo, gerando alta insatisfação”, revela. “Com isso, os clientes passaram então a descartar o uso dessas máquinas.”

De acordo com Davi Luduvico, engenheiro de aplicação da JCB do Brasil, atualmente o principal fator que restringe a demanda por escavadeiras sobre rodas é mesmo o custo de aquisição, pois todas as máquinas disponíveis no Brasil são importadas. Por isso, são equipamentos que custam entre 30% e 40% a mais que o seu equivalente (da mesma classe de tamanho) sobre esteiras. “Além disso, em países em desenvolvimento ainda observamos a falta de cultura de uso desse tipo de máquina”, acrescenta.

Há ainda a questão da aplicação, ou seja, em que tipo de serviço o equipamento será usado. Os modelos de rodas com implemento de escavação normalmente são utilizados em trabalhos que precisam de mobilidade e baixo peso operacional. No Brasil, os clientes preferem para esse fim as retroescavadeiras, devido ao custo de aquisição e à versatilidade superior, já que possuem implementos de pá carregadeira e escavadeira. “Eles desconsideram o fator produtividade, que é maior quando se usam máquinas de pneus ou sobre esteira de pequeno porte, que são mais comumente utilizadas no mercado europeu”, explica Lucas Oliveira, engenheiro de produto da Liebherr.

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Diferentemente do que ocorre em mercados mais desenvolvidos e maduros, como o europeu e o norte-americano, as escavadeiras sobre rodas ainda são pouco utilizadas nos canteiros de obra do Brasil. Embora ofereçam maior mobilidade e flexibilidade, respondem por menos de 5% das vendas desse tipo de máquina – o restante é de seus congêneres de esteiras. As explicações para essa grande diferença têm a ver com questões históricas, culturais e, principalmente, de custos – pois elas são mais caras.

Do ponto de vista histórico, o especialista de aplicação de produtos da Caterpillar, Maurício Briones, conta que no passado uma empresa – ele não revela qual – trouxe muitas unidades de escavadeiras de rodas para o mercado brasileiro, mas não se preparou adequadamente para o pós-venda. “Isso acarretou muitos problemas por falta de peças de reposição, serviço e reparo, gerando alta insatisfação”, revela. “Com isso, os clientes passaram então a descartar o uso dessas máquinas.”

No passado, a falta de assistência gerou insatisfação no mercado nacional com os modelos sobre rodas

De acordo com Davi Luduvico, engenheiro de aplicação da JCB do Brasil, atualmente o principal fator que restringe a demanda por escavadeiras sobre rodas é mesmo o custo de aquisição, pois todas as máquinas disponíveis no Brasil são importadas. Por isso, são equipamentos que custam entre 30% e 40% a mais que o seu equivalente (da mesma classe de tamanho) sobre esteiras. “Além disso, em países em desenvolvimento ainda observamos a falta de cultura de uso desse tipo de máquina”, acrescenta.

Há ainda a questão da aplicação, ou seja, em que tipo de serviço o equipamento será usado. Os modelos de rodas com implemento de escavação normalmente são utilizados em trabalhos que precisam de mobilidade e baixo peso operacional. No Brasil, os clientes preferem para esse fim as retroescavadeiras, devido ao custo de aquisição e à versatilidade superior, já que possuem implementos de pá carregadeira e escavadeira. “Eles desconsideram o fator produtividade, que é maior quando se usam máquinas de pneus ou sobre esteira de pequeno porte, que são mais comumente utilizadas no mercado europeu”, explica Lucas Oliveira, engenheiro de produto da Liebherr.

Com peso operacional entre 14 e 25 toneladas, dependendo do modelo, as escavadeiras de pneus podem ser empregadas em vários tipos de serviço. Segundo João Rocha, gerente regional de vendas da Komatsu, as atividades mais indicadas são aquelas em que é necessário preservar o piso, como dentro de estabelecimentos ou galpões, com exigência de baixo nível de ruído – como trabalhos em período noturno e em áreas residenciais –, em obras urbanas em espaço confinado ou mesmo em vias de tráfego intenso, nas quais a área de trabalho é limitada, além de serviços em redes de esgotos e rodovias.

Custo de aquisição é o principal fator que restringe a demanda por escavadeiras de pneus no país

Como contraponto, Thomas Spana, gerente de vendas da divisão de construção da John Deere Brasil, explica que em aplicações nas quais o esforço de escavação é alto, não existe opção melhor que as escavadeiras de esteiras, que conferem estabilidade ao equipamento. “Em trabalhos não tão pesados, no entanto, nos quais o deslocamento necessário está acima de 10% do tempo de utilização da máquina, as de rodas constituem uma opção melhor, sempre que uma retroescavadeira não for capaz de fazer o mesmo serviço”, completa.

Segundo ele, os equipamentos de pneus também podem ser utilizados na movimentação de madeira em pátios da indústria de celulose e na movimentação de material para empresas da reciclagem (pátios de sucata). Todavia, nestas aplicações a máquina é utilizada muito mais como um “guindaste” do que como uma escavadeira de fato, ou seja, ela não porta caçamba de escavação, mas sim uma garra manipuladora.

No entanto, elas podem ir além. Briones revela que já testemunhou escavadeiras de rodas trabalhando em aplicações que, teoricamente, seriam inviáveis para elas. Isso inclui, por exemplo, operações em pedreiras (usando martelos) e na demolição (utilizando tesouras e garras selecionadoras). “Sem contar os modelos com uma ferramenta chamada ‘rototilt’, que possibilita à máquina fazer operações inimagináveis para uma escavadeira, escavando, fechando e dando acabamento”, conta.

Modelos tornam-se opção quando o deslocamento está acima de 10% do tempo de utilização da máquina

Segundo ele, a verdade é que qualquer operação pode ser feita por essas máquinas, tudo depende do que se tem disponível em termos de ferramental e, obviamente, da presença de um engate rápido. “Mesmo se o cliente não precisar dessa versatilidade, o equipamento ainda é indicado para qualquer operação de escavação, corte e carregamento, pois oferece a mobilidade e velocidade que uma máquina de esteira não tem”, diz ele.

APLICAÇÃO

Outro fator que ajuda a explicar a preferência dos clientes brasileiros pelas máquinas de esteiras é cultural. “Em mercados mais maduros como o europeu, por exemplo, encontramos uma maior utilização das escavadeiras de rodas, pois a cultura de escolha do equipamento mais adequado para cada tipo de aplicação é mais bem definida”, diz Rocha. “No Brasil, esse mercado ainda está em desenvolvimento e isso representa oportunidades, ou seja, uma tendência de mercado.”

Ainda nesse rol, também há uma questão arquitetônica. De acordo com Briones, na Europa as aglomerações urbanas são formadas por ruas estreitas e de relevante valor histórico. Por isso, as escavadeiras de rodas são bem mais utilizadas, uma vez que não danificam o pavimento e as calçadas dessas cidades-monumento. “O fato de os caminhões-prancha não poderem acessar as áreas metropolitanas tem muita influência nisso, pois ao se permitir que uma máquina de pneus possa andar por vias públicas, você evita a entrada deles”, acresce.

Na mesma linha, Spana lembra que na Europa as escavadeiras sobre rodas são largamente utilizadas na reparação de vias e tubulações de saneamento dentro das cidades, nas quais – como vimos – o rápido deslocamento, sem danificar o pavimento, é uma vantagem. De acordo com ele, no Brasil essas aplicações são realizadas preferencialmente por retroescavadeiras e escavadeiras hidráulicas compactas com esteiras de borracha, ambas com investimento e manutenção mais baixos.

Já o presidente da BMC/Hyundai, Felipe Cavalieri, cita um aspecto espacial como uma das explicações mais plausíveis para o “desprezo” dos construtores brasileiros em relação às escavadeiras sobre rodas. Segundo ele, o uso dessas máquinas já está em desenvolvimento na área industrial, mas na construção civil continua baixo, se comparado à população majoritária de equipamentos de esteiras. “Isso porque, em muitas regiões, a construção civil apresenta relevos inadequados para sua utilização”, diz ele.

De modo geral, o uso dessas máquinas é recomendado em serviços que exijam maior mobilidade e flexibilidade. “Mas acessórios como caçambas de diferentes dimensões, rompedores e equipamentos para compactação, dentre outros, adicionados à facilidade de ter o engate rápido, ajudariam bastante no aumento desse uso”, explica Cavalieri. “Como isso não ocorre hoje no Brasil, os clientes não querem pagar o custo adicional que uma máquina dessas tem em comparação à de esteira. O custo-benefício acaba não se justificando.”

Isso não significa que não tenham seu valor. Para o executivo, falta um conhecimento mais aprofundado no Brasil sobre esses equipamentos. “Além disso, também existe a necessidade de emplacamento, para que essas máquinas possam transitar em via pública sem a necessidade de colocá-las em carretas”, destaca.

Com tantos obstáculos, a mudança desse cenário de amplo predomínio das escavadeiras de esteiras pode demorar a ocorrer, mas não é impossível que aconteça. Para Briones, por exemplo, o conceito do equipamento sobre rodas é “ótimo” para o mercado atual, em que se buscam máquinas flexíveis e ágeis na execução das tarefas. “É exatamente o que a máquina de pneus é capaz de fazer”, diz ele. “Por isso, o mercado precisa reaprender a gostar dela e a consultar o nível de cobertura do seu revendedor, com disponibilidade de peças e suporte técnico, mesmo que seja importada. Hoje em dia, isso já não é empecilho algum.”

Setores como a construção apresentam relevos inadequados para a utilização desses equipamentos sobre rodas

PECULIARIDADES

Até porque as escavadeiras sobre rodas têm algumas características que lhes são peculiares e as diferenciam das de esteiras. Entre elas, como vimos, está a citada facilidade de locomoção dentro do canteiro de obras, podendo atender a diversas frentes de serviço com velocidade e baixo gasto de pneu e combustível. “Elas também possuem facilidade de reposicionamento rápido no trabalho”, acrescenta Cavalieri. “Além disso, essas máquinas podem se locomover entre os canteiros, desde que devidamente emplacadas.”

Aliás, essa facilidade de deslocar-se em diferentes frentes torna possível reduzir a quantidade de equipamentos necessários para suporte. Ou seja, ao invés de ter duas ou três máquinas de suporte em diferentes locais da obra, é possível ter uma única escavadeira de rodas cobrindo todas essas frentes.

Outras características desses equipamentos incluem pneus rígidos ou a ar, lanças inteiriças ou com articulação bipartida, lâminas frontais ou estabilizadores. São acessórios que também influenciam na facilidade de locomoção, versatilidade e estabilidade quando há necessidade de proteção ao solo e uso de diversas ferramentas de trabalho, como garras, rompedores, tesouras e eletroímãs, por exemplo. “Além de possuírem grande variedade de opcionais, as escavadeiras sobre rodas são equipadas com sistemas hidráulicos projetados para um melhor desempenho e utilização”, garante Rocha.

Por sua vez, Luduvico cita outras características sui generis das escavadeiras sobre rodas. No chassi superior, diz ele, a maior diferença está na cabine, com volante e pedais de acelerador e freios. Já no chassi inferior, há um conjunto de eixos, os pneus e toda a estrutura para esses componentes, que substituem as esteiras. “Uma exceção seria a JCB Hydradig, uma escavadeira sobre rodas que difere de todas as demais por ter motor, sistema hidráulico e auxiliares alocados no chassi inferior, o que lhe garante maior estabilidade, capacidade de carga e visibilidade”, descreve.

A flexibilidade para o uso de diferentes ferramentas é outro atributo que complementa a sua mobilidade. “Esta configuração é fundamental para quem busca aumentar os lucros com o uso desta máquina, pois se ela irá trabalhar em diferentes locais, também poderá atuar em diferentes aplicações, como limpeza, escavação e levantamento de cargas, por exemplo”, explica Briones.

Em termos comparativos, o engenheiro de produtos da Liebherr, Pedro Gaspar, cita uma diferença importante entre os dois tipos de escavadeiras. No caso, no carro inferior. “Nas máquinas sobre rodas, além da parte estrutural e das patolas, o carro inferior é constituído de uma caixa de transmissão acionada por motor hidráulico, que transmite potência para os dois eixos diferenciais (dianteiro e traseiro), por meio de eixos cardã”, detalha, acrescentando que, no caso dos equipamentos de esteiras, além da parte estrutural, o carro inferior possui um mecanismo de translação, responsável pelo acionamento de cada esteira (direita e esquerda). “Este mecanismo é constituído por um motor hidráulico, um redutor de translação e uma roda motriz.”

De acordo com Gaspar, a principal diferença está no acionamento da translação, que nas máquinas sobre rodas tem um volante para fazer a direção do eixo dianteiro e um pedal para realizar o comando de translação – pedal este que é responsável apenas pelo comando de translação e não para acelerar o motor diesel. “Nas escavadeiras de pneus Liebherr, o sentido de translação é selecionado por um botão no joystick, diretamente do posto de comando”, pontua. “No caso das escavadeiras sobre esteiras, a translação é realizada por dois pedais, um para acionar a da direita e outro para acionar a da esquerda – a direção e sentido da máquina depende do acionamento desses pedais.”

Máquinas com pneus têm a preferência em espaços confinados ou com área limitada de trabalho

CUIDADOS

Em relação à operação, Luduvico diz que as diferenças são mínimas. Segundo ele, os dois equipamentos operam de forma semelhante, sendo a de rodas mais ágil nos deslocamentos, dirigida com volante e pedais, normalmente contando com estabilizadores para melhorar a segurança nas escavações. Do mesmo modo, Briones também reitera que a operação de escavadeira de pneus, no que diz respeito à escavação, não é nada diferente de uma máquina com esteiras, com exceção de modelos que permitem articular a lança por meio de um pedal, conferindo maior alcance.

Ele alerta, no entanto, que no quesito estabilidade e força de desagregação, o operador precisa estar atento a movimentos laterais e esforços maiores, pois deverá estabilizar a máquina (ou patolar, na linguagem dos operadores). “Ele não pode fazer escavações utilizando apenas os pneus como base, pois isso poderá danificá-los e reduzir a vida útil. No que diz respeito à manutenção, Briones afirma que os cuidados que o operador deve ter são os mesmos que em qualquer outra máquina de pneus ou esteiras. Revisões diárias e inspeções visuais, trocas de óleo, filtros e verificação de mangueiras, por exemplo, estão no rol de procedimentos. “A diferença está na acessibilidade, pois existem modelos de escavadeiras de rodas que permitem toda a manutenção no nível do solo, justamente para ser feita em ambientes urbanos e locais mais apertados”, destaca.

No caso das máquinas de pneus da Komatsu, Rocha diz que a manutenção é facilitada por uma série de itens do projeto. “Elas oferecem pontos de lubrificação centralizados, podendo receber o sistema automático, filtros projetados em um mesmo espaço e posicionados para facilitar sua inspeção e troca, além de facilidade de limpeza dos radiadores por estarem lado a lado”, diz ele. “Além disso, têm bomba de abastecimento elétrico, ajudando no reabastecimento de combustível e evitando sua contaminação.”

Diante das semelhanças e diferenças entre as escavadeiras de rodas ou de esteiras, a escolha por um ou outro tipo deve ser feita levando em conta todos esses fatores. Em resumo, conforme foi observado nesta reportagem, destacam-se a necessidade de deslocamento da máquina no canteiro de obras, o tipo de solo em que irá trabalhar e as restrições à sua preservação. Normalmente, a máquina de pneus é destinada a locais onde o piso é regular e com acabamento que não deve ser agredido, como, por exemplo, pátios e pavimentos de asfalto e concreto.

As escavadeiras de esteiras, em contrapartida, são destinadas a operações mais severas de escavação e carregamento de materiais, nas quais as condições do solo são mais restritivas. “Se comparadas ao trabalho de uma escavadeira de rodas, as máquinas de esteiras são escolhidas onde se consegue deixá-la estacionária e fazer com que a operação seja desenhada para uma base de trabalho pré-fixada”, conclui Rocha.

Saiba mais:

BMC-Hyundai: bmchyundai.com.br

Caterpillar: www.cat.com/pt_BR

JCB: www.jcb.com/pt-br

John Deere: www.deere.com.br/pt

Komatsu: www.komatsu.com.br

Liebherr: www.liebherr.com.br