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31 de dezembro de 1969
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Pneus

Tecnologias que aumentam a vida útil

Sistemas de monitoramento eletrônico de pneus são aperfeiçoados e começam a ser adotados por grandes frotistas

Os pneus ocupam um destacado segundo lugar nas planilhas de custos operacionais. No caso de operações de mineração, eles representariam 20% dos investimentos mensais para manter um caminhão fora-de-estrada em movimento. Para as frotas de caminhões rodoviários, a colocação no ranking se repete. Os dados foram apurados no Brasil pela Saveway, empresa que se especializou em sistemas de monitoramento de pneus para grandes frotistas. As estatísticas, combinadas com um possível desabastecimento do mercado de pneus nos próximos anos, chamam a atenção para tecnologias que monitoram esses componentes e podem aumentar sua vida útil.

Um exemplo é a recente homologação da Vale a respeito do MEMS, sigla para Michelin Earthmover Management System, sistema de monitoramento eletrônico de pneus. A mineradora testou a tecnologia durante quatro meses, usando três caminhões da mina de Itabira (MG). Resultado: o produto foi aprovado e poderá, dependendo da escolha de cada unidade de operação, ser adotado na empresa. Se isso acontecer, o caso da Vale será usado como benchmarking e realmente incluirá o Brasil no mapa de usuários da tecnologia. De acordo com Carlos Buy, executivo da Michelin especializado no sistema, 50% do total de veículos que adotam o MEMS em nível mundial estão na América do Sul, com o Chile, Peru e Argentina, respectivamente, liderando o ranking.

O foco do sistema da Michelin é o controle permanente da temperatura e pressão de calibragem dos pneus de veículos fora-de-estrada. O monitoramento garante maior segurança para quem opera e para quem executa a manutenção dos caminhões. Ele evita, por exemplo, que reparos sejam iniciados em pneus com condições de sobrepressão ou com temperatura elevada. Buy reforça que a tecnologia atua diretamente na principal causa mortis dos pneus: enquanto o controle de pressão afeta o rendimento do insumo, a temperatura inadequada leva à perda prematura dos componentes formadores dos rodantes.

Para operacionalizar o monitoramento, o MEMS lança mão de um tag ou sensor, que é instalado em cada pneu. Ele envia informações de pressão e temperatura – via onda de rádio – para um receptor na cabine do veículo, que armazena o histórico de informações para depois encaminhá-la para à sala de controle da mina, via rede de rádio freqüência (RF). Um processo normal estabelece que esse envio aconteça a cada 10 minutos. Em cas


Os pneus ocupam um destacado segundo lugar nas planilhas de custos operacionais. No caso de operações de mineração, eles representariam 20% dos investimentos mensais para manter um caminhão fora-de-estrada em movimento. Para as frotas de caminhões rodoviários, a colocação no ranking se repete. Os dados foram apurados no Brasil pela Saveway, empresa que se especializou em sistemas de monitoramento de pneus para grandes frotistas. As estatísticas, combinadas com um possível desabastecimento do mercado de pneus nos próximos anos, chamam a atenção para tecnologias que monitoram esses componentes e podem aumentar sua vida útil.

Um exemplo é a recente homologação da Vale a respeito do MEMS, sigla para Michelin Earthmover Management System, sistema de monitoramento eletrônico de pneus. A mineradora testou a tecnologia durante quatro meses, usando três caminhões da mina de Itabira (MG). Resultado: o produto foi aprovado e poderá, dependendo da escolha de cada unidade de operação, ser adotado na empresa. Se isso acontecer, o caso da Vale será usado como benchmarking e realmente incluirá o Brasil no mapa de usuários da tecnologia. De acordo com Carlos Buy, executivo da Michelin especializado no sistema, 50% do total de veículos que adotam o MEMS em nível mundial estão na América do Sul, com o Chile, Peru e Argentina, respectivamente, liderando o ranking.

O foco do sistema da Michelin é o controle permanente da temperatura e pressão de calibragem dos pneus de veículos fora-de-estrada. O monitoramento garante maior segurança para quem opera e para quem executa a manutenção dos caminhões. Ele evita, por exemplo, que reparos sejam iniciados em pneus com condições de sobrepressão ou com temperatura elevada. Buy reforça que a tecnologia atua diretamente na principal causa mortis dos pneus: enquanto o controle de pressão afeta o rendimento do insumo, a temperatura inadequada leva à perda prematura dos componentes formadores dos rodantes.

Para operacionalizar o monitoramento, o MEMS lança mão de um tag ou sensor, que é instalado em cada pneu. Ele envia informações de pressão e temperatura – via onda de rádio – para um receptor na cabine do veículo, que armazena o histórico de informações para depois encaminhá-la para à sala de controle da mina, via rede de rádio freqüência (RF). Um processo normal estabelece que esse envio aconteça a cada 10 minutos. Em caso de incidentes, o repasse de dados automaticamente acontece minuto a minuto.

A coleta também pode ser feita com um pequeno computador de mão ou handheld, que a uma distância média entre 80 m e 100 m faz a busca dos dados, usando a mesma rede sem fio, instalada na mina, como canal de transporte de informação. A versão homologada pela Vale inclui um display na cabine dos caminhões, permitindo que os motoristas acompanhem os parâmetros de pressão e temperatura dos veículos.

Opções de Tecnologia
Um sistema similar ao MEMS foi desenvolvido pela brasileira Saveway e já está sendo empregado em frotas de caminhões rodoviários de grandes frotistas. Trata-se do Savetyre, solução de gestão de pneus que promete aumentar em até 20% da vida útil do componente e reduzir em até 3% o consumo de diesel. Os valores são apontados por José Gomes, engenheiro mecânico e diretor da Saveway, o qual chegou a esses números após estudar a aplicação da tecnologia na prática. O executivo também faz parte dos especialistas que trouxeram a aplicação do cartão de aproximação usado no transporte urbano de passageiros e tem um histórico de estudos sobre os custos operacionais em grandes frotas.

O Savetyre é formado por um coletor de dados, uma antena e tags, que devem ser inseridos nos pneus, dando a cada um deles uma identificação única (id). Cada módulo da tecnologia inclui ainda um manômetro e um profundímetro convencionais. Um software de gestão acompanha a tecnologia e foi desenvolvido para ser integrado às soluções de gestão empresarial (ERPs) tradicionais. Com isso, a tecnologia cumpre a meta de coletar dados de forma fácil e correta, administrá-los e gerar economia para os usuários.

A presença de manômetros e profundímetros no kit reforça a iniciativa da Savetyre em fortalecer a necessidade de coleta correta de pressão e profundidade. Ao serem aferidos periodicamente, eles devem ser incluídos via coletor de informação. Como o software de gestão armazena as informações anteriores, a inserção de dados discrepantes não é aceita, chamando a atenção para algum erro de medição. Um exemplo é a medida de profundidade do pneu: não é factível que uma medida em abril seja maior ou igual do que a aferida em janeiro, pelo simples fato de que o pneu está rodando e tem um desgaste.

Para coletar os dados, o usuário do sistema usa a antena e o coletor, aproximando-os do tag inserido no pneu a uma distância média de 30 cm. De acordo com Gomes, o tempo de coleta de um caminhão com 10 pneus não demora mais do que 3 minutos. Uma vez coletados, os dados são armazenados em outro tag na cabine do veículo e também podem ser transferidos para um computador, uma vez que ficam estocados nos coletores. O armazenamento na cabine dos veículos funciona como um back up para a memória dos dados, concentrando ainda as informações de vários pneus. Os dados recolhidos são usados para alimentar o software de gestão, que vai organizalos os dados e pode estar conectado ao ERP da empresa, como já foi dito.

Rastreamento Completo
Com a tecnologia, os pneus podem ser totalmente rastreados, inclusive do ponto de vista de quem realizou os reparos. “Eles ganham um responsável em cada etapa de manutenção ou troca”, explica Gomes. A rastreabilidade também permite que as transportadoras identifiquem fraudes como a troca de pneus fora das oficinas oficiais. A iniciativa de inibir ações ilegais pode aumentar ainda mais o retorno de investimento no sistema.

O executivo da Saveway lembra que o tempo de recuperação do valor investido na implantação de um módulo é, em média, de seis meses. Ele igualmente estima que uma frota de 100 caminhões deva contabilizar entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões em ativos, apenas considerando os pneus. “Se avaliarmos esse montante, a implantação da gestão é infinitamente pequena”, avalia. Segundo ele, o Savetyre está implantado em duas transportadoras de São Paulo e em uma grande usina de açúcar e álcool do interior do mesmo Estado.