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27 de setembro de 2010
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Rolamentos

Sabendo cuidar, eles vão durar

Os cuidados na operação, desde a correta especificação dos rolamentos até a adoção de sistemas de monitoramento que antecipam suas manutenções, ajudam a ampliar a vida útil desses componentes

Versatilidade talvez seja o adjetivo que melhor traduza a característica dos rolamentos na operação de equipamentos fora-de-estrada. Afinal, ao ficarem posicionados entre duas ou mais peças que se movimentam, esses componentes desempenham funções como a redução de atrito, a transmissão de cargas e a transferência do próprio movimento de uma peça para a outra. Por esse motivo, eles são classificados pelos especialistas como o coração de muitos sistemas e, quando submetidos a corretos procedimentos de operação e manutenção, sua vida útil pode ser praticamente infinita.

Segundo José Roberto Aguiar, engenheiro de aplicação da SKF, há diversos tipos de rolamento no mercado, mas quando a aplicação se restringe aos equipamentos para construção, os mais utilizados são os autocompensadores de rolos, os rígidos de esferas e os de rolos cônicos (veja quadro na página 38). “A folga interna dos rolamentos é um fator preponderante para se garantir a maior vida útil desse componente”, diz ele.

Como exemplo, Aguiar cita o funcionamento desse componente nos eixos de rodas motoras. “O anel interno do rolamento é montado com interferência no eixo. Por isso, conforme o eixo gira, o anel interno acompanha seu movimento, uma ação que pode reduzir a folga interna entre eles e causar o atrito de metal com metal caso o rolamento, as tolerâncias ou a folga interna não estejam perfeitamente especificados e aplicados.” O problema também pode ser ocasionado por falhas na lubrificação, que resultam no aquecimento do rolamento e na aceleração do seu desgaste.

Realizando a pré-carga
De acordo com o especialista, esse caso ilustra a necessidade de se aplicar uma folga interna maior do que a normal nos rolamentos. “Vale explicar que a folga normal é um dos tipos de folga radial aplicada em rolamentos, assim como a folga C3”, ele intervém. A relação da folga, segundo Aguiar, vai depender das tolerâncias especificadas pelo fabricante do equipamento, como rotação e temperatura, para que o rolamento trabalhe internamente de forma adequada. “Por isso, tudo é previamente calculado, como a tolerância de eixo, a folga do rolamento e outros parâmetros.”

Wagner Mistrinelli, consultor técnico da área de engenharia de serviços da Timken, salienta que geralmente os rolamentos de rolos cônicos têm a folga interna estabelecida somente durante sua montagem na máquina. Isso exige que a carga do componente seja pré-dimensionada, uma prática denominada de pré-carga. “Os rolamentos apresentam uma variação de folga entre as pistas e os corpos rolantes, o que denominamos de folga axial ou radial, dependendo do tipo de rolamento. Quando não desejamos que essa folga ocorra de forma desordenada após a montagem, indicamos a realização de folga ‘zero’ ou realizamos a pré-carga”, diz ele.