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12 de julho de 2010
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Pavimentação

Restauração de pistas com microfresagem

Especialistas demonstram que, apesar de pouco utilizada no Brasil, a tecnologia representa uma boa alternativa para obras de recuperação de rodovias

O último levantamento sobre as condições das rodovias brasileiras, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelou o estado de abandono em que se encontra o setor de  transporte no Brasil. Segundo o estudo, divulgado em maio, 65% da malha federal – composta por cerca de 61 mil quilômetros de estradas pavimentadas – encontra-se em estado de “deficiente a péssimo”.

Para melhorar essa situação, o estudo sugere investimentos de mais de R$ 180 bilhões no setor, dos quais R$ 145 bilhões seriam destinados a obras de recuperação, adequação e duplicação de pistas. A demanda abre discussão sobre quais tecnologias podem ser utilizadas para suprir as necessidades de melhorias apontadas pelo estudo, uma vez que o governo já aprovou parte dos investimentos – o equivalente a 13% do aporte total necessário – por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Especialistas ouvidos pela revista M&T destacam a microfresagem como uma das tecnologias capazes de melhorar o estado de conservação das rodovias brasileiras, principalmente nos casos que exigem a correção de irregularidades em pistas já existentes. “É preciso esclarecer a confusão gerada em torno da microfresagem”, adianta Ismael Mendes Alvim, diretor da Pavisan. Ele explica que a maioria dos serviços identificados dessa forma no Brasil corresponde, na verdade, à fresagem fina.

Melhoria na pista

“A fresagem fina consiste em realizar o corte do pavimento com uma distância de 8 mm entre os sulcos, a uma profundidade máxima de até 6 cm. Já na microfresagem, os espaçamentos são de 2 mm a 6 mm e a profundidade não ultrapassa os 3 cm”, diz ele. Ambas as tecnologias, segundo o especialista, permitem corrigir irregularidades na pista, desde que os problemas ainda não tenham comprometido a base ou sub-base da rodovia.

“A diferença é que a fresagem fina necessita de uma camada de microrrevestimento asfáltico para proporcionar maior conforto aos motoristas, enquanto a microfresagem pode ser usada como acabamento final”, completa Élio Cepolina Junior, diretor comercial do Grupo Ane, controlador de empresas de recuperação de pavimento como a Unifresa. Ele diz que sua empresa é a única no Brasil a dispor de equipamentos capazes de realizar serviços de microfresagem. Como exemplo, o executivo cita o serviço executado no Sambódromo de São Paulo, em maio, com o obje


O último levantamento sobre as condições das rodovias brasileiras, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelou o estado de abandono em que se encontra o setor de  transporte no Brasil. Segundo o estudo, divulgado em maio, 65% da malha federal – composta por cerca de 61 mil quilômetros de estradas pavimentadas – encontra-se em estado de “deficiente a péssimo”.

Para melhorar essa situação, o estudo sugere investimentos de mais de R$ 180 bilhões no setor, dos quais R$ 145 bilhões seriam destinados a obras de recuperação, adequação e duplicação de pistas. A demanda abre discussão sobre quais tecnologias podem ser utilizadas para suprir as necessidades de melhorias apontadas pelo estudo, uma vez que o governo já aprovou parte dos investimentos – o equivalente a 13% do aporte total necessário – por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Especialistas ouvidos pela revista M&T destacam a microfresagem como uma das tecnologias capazes de melhorar o estado de conservação das rodovias brasileiras, principalmente nos casos que exigem a correção de irregularidades em pistas já existentes. “É preciso esclarecer a confusão gerada em torno da microfresagem”, adianta Ismael Mendes Alvim, diretor da Pavisan. Ele explica que a maioria dos serviços identificados dessa forma no Brasil corresponde, na verdade, à fresagem fina.

Melhoria na pista
“A fresagem fina consiste em realizar o corte do pavimento com uma distância de 8 mm entre os sulcos, a uma profundidade máxima de até 6 cm. Já na microfresagem, os espaçamentos são de 2 mm a 6 mm e a profundidade não ultrapassa os 3 cm”, diz ele. Ambas as tecnologias, segundo o especialista, permitem corrigir irregularidades na pista, desde que os problemas ainda não tenham comprometido a base ou sub-base da rodovia.

“A diferença é que a fresagem fina necessita de uma camada de microrrevestimento asfáltico para proporcionar maior conforto aos motoristas, enquanto a microfresagem pode ser usada como acabamento final”, completa Élio Cepolina Junior, diretor comercial do Grupo Ane, controlador de empresas de recuperação de pavimento como a Unifresa. Ele diz que sua empresa é a única no Brasil a dispor de equipamentos capazes de realizar serviços de microfresagem. Como exemplo, o executivo cita o serviço executado no Sambódromo de São Paulo, em maio, com o objetivo de adequar seu pavimento à realização da corrida de Fórmula Indy.

A fresagem, nesse caso, contou com distanciamento entre sulcos de 6 mm e, na opinião de Cepolina Junior, ajudou a desmistificar o conceito de que esse tipo de serviço não é indicado para pistas de concreto compactado a rolo. “Alguns pilotos revelaram que a pista ficou melhor do que o de costume, mesmo sem a aplicação de microrrevestimento após a fresagem.” Ele salienta que, além de melhorar a regularidade da pista, o serviço de microfresagem conferiu maior aderência ao pavimento.

Quantidade de bits
Entretanto, como a fresagem realiza cortes em sentido diagonal à pista, esse tipo de serviço pode ocasionar trincas em pavimentos revestidos de concreto, conforme explica Ismael Alvim, da Pavisan. “Para esses casos há um equipamento especial, a ‘cepilhadeira’, que não provoca o desprendimento dos agregados do concreto, nem fissuras no pavimento ou danos às juntas.”

O equipamento opera de forma semelhante às fresadoras, mas substitui o uso das ferramentas de corte por discos diamantados, que atuam como uma espécie de serra e realizam cortes verticais no pavimento. O especialista classifica essa operação também como microfresagem, embora voltada para pistas de pavimento rígido, já que o equipamento executa corte com espaçamento de até 6 mm.

Quando o assunto é a restauração de pavimento flexível, Bernardo Ronchetti, gerente de engenharia da Ciber, confirma a informação de que existe apenas um equipamento em operação no Brasil capaz de realizar serviços de microfresagem. Segundo ele, trata-se de um modelo Wirtgen, fornecido pela Ciber ao grupo Ane. No segmento de fresagem fina, o especialista estima que o País não dispõe de mais de 10 equipamentos em condições de realizar essa tarefa. “Apesar dos benefícios incontestáveis oferecidos por essa tecnologia, ainda estamos trilhando os primeiros passos nessa área”.

Ronchetti explica que as fresadoras utilizadas nos serviços de microfresagem ou fresagem fina são as mesmas adotadas nas fresagens convencionais, cujos cortes no pavimento apresentam uma distância de 15 mm entre cada sulco. “A diferença fica por conta do tambor de ferramentas”, diz ele. Nas máquinas da Wirtgen, por exemplo, o conjunto para fresagem tradicional tem cerca de 180 ferramentas de corte, enquanto as para fresagem fina são equipadas com mais de 370 bits e as para microfresagem, com 672 ferramentas de corte.

Nivelamento preciso
Para os especialistas do setor, esse cenário, marcado pela escassa utilização de novas tecnologias em serviços de fresagem, deverá mudar nos próximos anos. Essa é a opinião de Antônio Monfrinatti Neto, diretor da Reciclotec, empresa responsável pela comercialização dos equipamentos da marca Wirtgen. Como justificativa, ele aponta os investimentos previstos em obras de rodovias e o avanço tecnológico dos novos modelos de equipamentos. “Nossas fresadoras mais recentes, por exemplo, já contam com seis sensores de nivelamento instalados em partes estratégicas da máquina.”

Ele explica que os modelos tradicionais continham somente dois sensores instalados no meio do equipamento, sendo um em cada lado, o que inviabilizava operações de microfresagem e fresagem fina. Isso porque esses serviços exigem maior exatidão quanto ao nivelamento da máquina em relação à pista. “Com sensores posicionados nas quatro esteiras e mais dois no meio da máquina, o sistema permite realizar o serviço praticamente sem inclinações”, explica Monfrinatti Neto.

Para isso, os novos modelos são dotados de multiprocessadores que fazem a comunicação entre os sensores e os sistemas de acionamento da fresadora, estabelecendo uma espécie de nivelamento virtual e corrigindo continuamente seu posicionamento. “No caso da fresagem tradicional, cujos equipamentos são dotados somente de dois sensores, o sistema acompanha basicamente o nivelamento já existente na pista e não elimina todas as irregularidades.”

Largura de corte
A Terex Roadbuilding, que também dispõe de tambores para microfresagem e fresagem fina, embora ainda não comercializados no Brasil, destaca a melhor manobrabilidade dos novos modelos, proporcionada pela instalação de câmeras filmadoras. Além desse item, a empresa aponta como diferencial de suas fresadoras o fato de serem equipadas com cabines fechadas e climatizadas, o que contribui para o maior conforto e produtividade do operador.

“Os sensores instalados em pontos estratégicos da máquina também controlam a profundidade de corte, indicando se a fresagem está sendo realizada em linha reta ou não”, diz Juliano Fae, supervisor técnico de vendas da Terex Roadbuilding. Como no caso dos demais fabricantes, os modelos da marca usados em fresagens convencionais também podem ser aplicados em microfresagem, utilizando-se tambores com mais ferramentas de corte. Eles executam o serviço numa faixa de largura de 1 m, enquanto os modelos da Ciber atingem 2 m de largura.

Na opinião de Ismael Alvim, da Pavisan, o uso de equipamentos que cobrem maior largura de corte pode beneficiar o usuário final da pista, no caso o motorista, além do inegável ganho de produtividade na execução do serviço. “Numa via de 3,5 m de largura, ele realiza a microfresagem em duas passadas e não em quatro, que seriam necessárias no caso de uma fresadora de 1 m de largura. Isso resulta em menos juntas longitudinais ao longo da pista e em maior conforto para o motorista”, ele sintetiza.