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15 de março de 2010
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Obras urbanas

Quando o canteiro não comporta os equipamentos

Com muito planejamento e o uso de equipamentos especiais, construtora vence o desafio de erguer um empreendimento numa das regiões mais movimentadas de São Paulo, num terreno que mal comporta a movimentação das máquinas

Recém-vendida para o grupo alemão Zech Internacional, a Hochtief do Brasil é a responsável pela construção do Rec Berrini, um edifício comercial de 100 mil m² de área construída, distribuída entre 35 andares e cinco subsolos. Localizada na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, que já se converteu no coração financeiro de São Paulo, a obra convive com problemas típicos de um canteiro instalado em grandes centros urbanos. Além do conturbado trânsito da região, ela se depara com adversidades como a falta de espaço para a manobra dos equipamentos e para o armazenamento de materiais.

“O congestionamento no período da manhã e após as 16h30 impede a movimentação de qualquer equipamento de maior porte nesses horários”, afirma Pedro Keleti, gerente de contratos da Hochtief. “Isso exige um cuidadoso planejamento das chegadas e saídas dos caminhões que transportam insumos para a obra, pois praticamente não dispomos de área para o armazenamento de materiais no canteiro”, ele completa.

Por esse motivo, Keleti explica que a obra conta com uma área de apoio para estoque desses insumos, localizada na avenida Jornalista Roberto Marinho, a cerca de 4 km do local, além de um depósito da construtora na rodovia Raposo Tavares, distante a mais de 60 km do canteiro. “Só diminuiremos esta dificuldade de locomoção quando avançarmos na execução das lajes, que serão usadas no armazenamento de materiais”.

Enquanto isso não acontece, o especialista diz que toda a estrutura necessária à obra – inclusive os banheiros usados pelos operários – chega pronta ao canteiro em sistema pré-fabricado. Em seguida, esses recursos são transportados por guindaste de torre até o andar em que serão usados.

Movimentação das máquinas
As dificuldades por conta do limitado espaço para a construção vão além da estocagem de insumos. “O descarregamento dos caminhões é feito em uma pequena baia, que disponibilizamos com o avanço de tapumes até o meio da calçada, após a anuência da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) do município”, diz Keleti. Segundo ele, esse espaço comporta a carga e descarga simultânea de apenas três caminhões, o que exige rapidez na operação.

Por conta disso, um guindaste móvel de 70 t fica sempre disponível no local, servindo de apoio para a descarga de materiais e sua locomoção dentro da obra, principalmente nos trechos fora do raio de alcance do guindaste de torre. “Devido à falta de espaço no terreno, os equipamentos usados na terraplenagem e escavação do subsolo, como caminhões basculantes, retroescavadeiras e escavadeiras de 20 e 40 t, tiveram que ser retirados pelo guindaste, pois foi impossível construirmos uma rampa de saída para eles.”