FECHAR
FECHAR
05 de dezembro de 2012
Voltar
Obras Ferroviárias

Produtividade máxima sobre trilhos

Equipamentos especiais para instalação de vias férreas voltam à voga com o vultoso pacote de investimentos recém-anunciado pelo governo federal

Após anos de estagnação, o mercado de obras ferroviárias volta a se movimentar no país. O motivo é simples: a destinação de R$ 91 bilhões em investimentos, por meio de concessões, previstos pelo governo para a construção ou reforma de 10 mil km de vias férreas nos próximos 25 anos.

A melhor notícia, porém, é que mais de 61,5% desse investimento (ou R$ 56 bilhões) devem ser aplicados até 2017, o que promete movimentar, de forma até mesmo histórica, a engenharia de construção ferroviária nos próximos cinco anos. Ansiosamente aguardada pelo setor, a notícia foi anunciada em meados de agosto pelo Ministro dos Transportes, Paulo Passos.

O montante integra o chamado Programa de Investimentos em Logística, que engloba também o aporte de R$ 42,5 bilhões na duplicação de 5,7 mil km de rodovias em todo o território nacional. Tal projeção coloca o país como um dos maiores canteiros de obras de infraestrutura em curso no mundo. Desde que saiam do papel, é claro.

Contrapondo-se aos recentes escândalos envolvendo a Valec – que praticamente paralisaram obras ferroviárias já em andamento como a Transnordestina, que liga o sertão do Piauí ao Porto de Suape (PE), e a Ferrovia Leste-Oeste, que liga Ilhéus (BA) ao estado do Tocantins – as empreiteiras já se preparam para adotar tecnologias avançadas que permitam a construção da maior quantidade de vias no menor prazo possível.

Processo

Visando a obter ganhos em produtividade, os fabricantes de equipamentos especiais para obras ferroviárias, como a francesa Geismar, apresentam uma lista de soluções. Começando pelo processo de posicionamento de dormentes, a empresa fabrica pórticos de diferentes capacidades para lançá-los.

“Os pórticos trabalham em pares, sendo que o conjunto mais avançado tem capacidade para lançar até 60 dormentes por ciclo”, diz Antônio Marciano, diretor executivo da empresa no Brasil. Esses equipamentos caminham sobre trilhos, que são colocados nas laterais do traçado da via férrea em construção e recolhem os dormentes de vagões de transporte, que os trazem diretamente da fábrica.

“Em seguida vem a instalação dos trilhos”, diz o especialista. Nessa fase, uma máquina chamada posicionadora de trilhos recolhe os dois trilhos simultaneamente e os posiciona sobre os dormentes. “Essa máquina trabalha com um único operador e é capaz de recolher seções de trilhos de até 240 m, que são as maiores fabricadas atualmente no Brasil”, explica Marciano.