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02 de agosto de 2019
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Cenário

Por uma agenda da competitividade

Com um novo ciclo de concessões no horizonte, setor de bens de capital pode finalmente recuperar o fôlego no país, mas ainda clama por reformas e produtividade
Por Marcelo Januário (Editor)

Após anos de retração, o mercado de máquinas e equipamentos da Linha Amarela aguarda ansiosamente a retomada das obras de infraestrutura para alavancar as vendas, que até ensaiaram um avanço no ano passado, chegando a 13 mil unidades, mas ainda longe do potencial – e da necessidade – do país. E, agora, as expectativas são ainda maiores com a aproximação de um novo ciclo de concessões no horizonte.

Já era hora, tendo em vista a importância do setor, o que mais exporta na indústria brasileira de transformação, com 15% das vendas externas de manufaturados. Com um parque industrial robusto, incluindo plantas das maiores marcas globais do setor, o Brasil envia máquinas para mais de 150 países, sendo a única fonte no Hemisfério Sul de um amplo leque de soluções, desde tratores de esteiras e retroescavadeiras até usinas de asfalto, exportando mais de 40% da produção, em média.

Em 2016, o setor representou 5,1% do PIB, a mesma participação da agropecuária, com um faturamento de 606 bilhões de reais, ou 22% da receita total da indústria de transformação. “Este setor é responsável por alavancar os demais setores produtivos”, atesta João Marchesan, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). “Afinal, também consome 24% do valor demandado em matérias-primas, 25% da compra de energia elétrica e combustíveis demandados pela indústria e mais de 25% do aço produzido no país.”

É uma participação expressiva, mas que depende diretamente das obras para se manter. Por isso, o dirigente acredita que a recuperação só virá com mais força se o país investir em infraestrutura um valor acima dos atuais 15% do PIB, ainda assim muito abaixo da média mundial, atualmente em torno de 25%. “Temos tudo por fazer, com um potencial tão grande quanto qualquer outro país”, avalia Marchesan. “Mas para isso precisamos de reformas, eliminando o manicômio tributário para reduzir o custo das nossas indústrias e nos tornarmos mais competitivos, com uma agenda de medidas que traga segurança jurídica a quem produz, levando à retomada dos investimentos e ao crescimento.”