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05 de junho de 2018
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Cenário

Os gargalos da infraestrutura

Com o recuo na qualidade de sua infraestrutura, o Brasil vem perdendo terreno no cenário internacional, necessitando com urgência de novos investimentos no setor
Por Marina Simões

É preocupante constatar que, dentre 138 nações listadas em ranking do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa apenas a 116ª posição em termos de qualidade da infraestrutura. A incômoda classificação é citada em novo estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que enfatiza a necessidade de ampliar os investimentos no setor como um dos principais fatores para agregar mais competitividade à economia do país.

O relatório da OCDE corrobora o que as empresas da área da infraestrutura e de toda a sua cadeia de suprimentos vêm vivenciando na prática nos últimos anos, notadamente após o agravamento da crise econômica nacional, em 2014, seguido pela eclosão dos escândalos denunciados pela Operação Lava Jato. Como se já não bastasse o quadro de recessão, tais fatos conjugados praticamente paralisaram as empreiteiras atuantes em obras de rodovias, ferrovias, aeroportos, hidrelétricas e indústrias de petróleo e gás.

Para quem trabalha no setor, também não é novidade a dificuldade de acesso a financiamentos e, quando se torna viável, suas onerosas taxas de juros, igualmente apontadas pelo estudo da OCDE, que defende a ampliação do mercado de crédito para a infraestrutura. A ideia é de que, não sendo tão concentrada em organismos financeiros estatais, a oferta de recursos possa ser maior.

Retomada da credibilidade internacional é decisiva para atrair novos investimentos ao país

EXEMPLOS

Há fatos emblemáticos do motivo de estarmos perdendo terreno nesse importante setor para numerosos países, inclusive os nossos principais competidores. Em 2015, por exemplo, ao divulgar o balanço do quarto trimestre de 2014, a Petrobras anunciou a paralisação das obras das refinarias Premium do Maranhão e do Ceará, por considerá-las economicamente inviáveis. Em tempo: a empresa já havia investido R$ 2,7 bilhões nos projetos.

Outro exemplo relevante: entre janeiro e outubro de 2017, as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinadas à mobilidade foram reduzidas em 41%. O corte teve impacto em 23 estados e no Distrito Federal. Somente em São Paulo, a diminuição dos repasses foi de R$ 54,9 milhões, em prejuízo de projetos como a reforma e modernização de estações de trem e a ampliação de corredores de ônibus.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral