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05 de dezembro de 2012
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Cenário

O desafio da inovação

No setor da construção, iniciativas inovadoras estão intrinsecamente associadas ao binômio sustentabilidade X eficiência

Com o mercado em expansão, as empresas brasileiras dispõem de estímulos crescentes para investir em atividades inovadoras. Mas nem sempre o fazem. Em 2012, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve ultrapassar R$ R$ 6,7 bilhões e se tornar um dos maiores da história. Além disso, como aponta o pesquisador David Kupfer, da UFRJ, o governo acena com incentivos fiscais à P&D, seleciona e apóia projetos, lança programas de financiamento e obtém avanços legais com leis como a 10.973, estabelecida em 2005 e conhecida como Lei da Inovação.

Outra faceta importante dessa política tecnológica é o fato de que, por exemplo, para cada R$ 1 que o governo concede de incentivo fiscal ao setor privado para investimento em inovação, R$ 3,50 retornam à sociedade por meio de receitas e impostos. O cálculo é de Valter Pieracciani, presidente da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, que há dois anos realizou um levantamento com 18 empresas de diferentes setores da economia nacional.

Segundo o empresário, a construção é um dos setores que mais se relacionam com as universidades e ajudam a promover a inovação, mas muita gente ainda não sabe disso. “Diariamente, são colocadas em prática novas tecnologias nesse segmento, porém as pessoas que trabalham na área não percebem que aquilo se trata de inovação”, afirma.

Ao reconhecer a ação inovadora, ele explica, a empresa pode (e deve) acionar um dos diversos instrumentos fiscais disponíveis e direcionados à pesquisa, desenvolvimento e inovação para ampliar a prática. “As empresas que investem em inovação têm sido reconhecidas pelo governo, como mostra, por exemplo, o anúncio de que o IPI será reduzido para as montadoras que investirem em P&D”, analisa Pieracciani.

Tais estímulos, por sua vez, ajudam as empresas a produzir mais com a mesma quantidade de recursos, fechando um ciclo. Nesse sentido, ressalte-se, não basta apenas aperfeiçoar os processos já existentes, mas avançar. “Somos muito lentos em promover melhorias”, diz Marco Otávio Prates, diretor do departamento das Indústrias Intensivas em Mão de Obra e Recursos Naturais do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Mas não podemos ficar chorando pelos cantos sem objetividade para resolver.”

Para ele, o setor precisa de uma agenda estratégica, que promova a relação entre os elos da cadeia, que continua pouco


Com o mercado em expansão, as empresas brasileiras dispõem de estímulos crescentes para investir em atividades inovadoras. Mas nem sempre o fazem. Em 2012, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve ultrapassar R$ R$ 6,7 bilhões e se tornar um dos maiores da história. Além disso, como aponta o pesquisador David Kupfer, da UFRJ, o governo acena com incentivos fiscais à P&D, seleciona e apóia projetos, lança programas de financiamento e obtém avanços legais com leis como a 10.973, estabelecida em 2005 e conhecida como Lei da Inovação.

Outra faceta importante dessa política tecnológica é o fato de que, por exemplo, para cada R$ 1 que o governo concede de incentivo fiscal ao setor privado para investimento em inovação, R$ 3,50 retornam à sociedade por meio de receitas e impostos. O cálculo é de Valter Pieracciani, presidente da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, que há dois anos realizou um levantamento com 18 empresas de diferentes setores da economia nacional.

Segundo o empresário, a construção é um dos setores que mais se relacionam com as universidades e ajudam a promover a inovação, mas muita gente ainda não sabe disso. “Diariamente, são colocadas em prática novas tecnologias nesse segmento, porém as pessoas que trabalham na área não percebem que aquilo se trata de inovação”, afirma.

Ao reconhecer a ação inovadora, ele explica, a empresa pode (e deve) acionar um dos diversos instrumentos fiscais disponíveis e direcionados à pesquisa, desenvolvimento e inovação para ampliar a prática. “As empresas que investem em inovação têm sido reconhecidas pelo governo, como mostra, por exemplo, o anúncio de que o IPI será reduzido para as montadoras que investirem em P&D”, analisa Pieracciani.

Tais estímulos, por sua vez, ajudam as empresas a produzir mais com a mesma quantidade de recursos, fechando um ciclo. Nesse sentido, ressalte-se, não basta apenas aperfeiçoar os processos já existentes, mas avançar. “Somos muito lentos em promover melhorias”, diz Marco Otávio Prates, diretor do departamento das Indústrias Intensivas em Mão de Obra e Recursos Naturais do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “Mas não podemos ficar chorando pelos cantos sem objetividade para resolver.”

Para ele, o setor precisa de uma agenda estratégica, que promova a relação entre os elos da cadeia, que continua pouco integrada, além de melhorar competências, padronizar procedimentos, reduzir o retrabalho e aumentar a interoperabilidade técnica. “Inovar na construção é aprimorar os encadeamentos produtivos, com redução dos prazos e custos considerando o ciclo completo de produção”, enfatiza Prates.

Esforços

Ao se observar mais atentamente o cenário, vê-se claramente que a maior parte dos esforços de inovação no setor da construção tende para o desenvolvimento de soluções sustentáveis, visando atender determinações legais e simultaneamente estabelecer vantagens competitivas. Isso porque inovar de forma sustentável tornou-se uma necessidade para, por exemplo, qualquer empreendimento que deseje obter certificações de seus processos construtivos. “Atualmente, todos sabem como é difícil obter as licenças ambientais junto às organizações e agências reguladoras”, exemplifica Afonso Mamede, presidente da Sobratema. “É sempre muito exaustivo e complicado.”

Evidentemente, além da mãe-natureza, há muitos outros fatores a considerar. “Temos de entender que sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental”, adverte José Joaquim do Amaral Ferreira, diretor de certificação da Fundação Vanzolini, instituição responsável pela certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental). “Ela tem de ser acompanhada por sustentabilidade social, econômica e também institucional.”

Para ele, o maior desafio para conciliar a meta de crescimento com sustentabilidade ambiental e social passa necessariamente pela educação. “Mas a educação deve ser acompanhada de inovação tecnológica, ou seja, fazer mais e melhor amanhã do que fizemos hoje”, diz.

Esta também é a visão de Waldez Ludwig, professor e consultor em gestão empresarial, para quem a inovação só ocorre com o conhecimento decorrente da educação. “Nesse caso, a situação no Brasil é muito preocupante, pois 1/3 da população não tem sequer a quarta série do ensino fundamental”, afirma. “E aqui está o chamado Custo Brasil.”

Ludwig frisa que inovar é essencialmente aumentar o valor percebido pelo cliente e, para isso, é imprescindível demonstrar ousadia. “Devemos lembrar que uma boa meta é aquela em que você não tem a menor ideia de como vai conseguir atingi-la”, provoca o professor. “Só assim você vai inovar, pois do contrário, sempre se chegará a ideias no fundo pouco inovadoras.”

Green Building

No Brasil, o interesse por edifícios com certificações, por exemplo, atesta como a sustentabilidade se tornou sinônimo de inovação na construção. Atualmente, 67 edifícios já são certificados com o Green Building no país e há uma fila de outros 600 projetos aguardando para obter a certificação. “Existe hoje uma série de fatores que induzem à busca pelas certificações”, afirma Anderson Benite, diretor técnico da unidade de Sustentabilidade do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações).

Segundo o diretor, atualmente 41% das demandas por certificações Green Building são oriundas do setor privado, 30% de governos e 17% de ONGs. “Além de um maior intervalo de tempo entre as reformas ou processos de retrofit, os edifícios Green Building permitem redução de custos operacionais com água e energia, têm grande aceitação pública e de mídia, receptividade dos órgãos públicos e oferecem bem-estar e conforto aos usuários”, pontua.

Desdobrando o tema, Ercio Thomaz, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), explica que o conceito de sustentabilidade aliado à exigência da sociedade moderna por edifícios cada vez mais inteligentes tem forçado as empresas da cadeia da construção a desenvolver materiais, equipamentos e processos construtivos mais sofisticados, que atendam tais necessidades.

“Há 20 anos, o projeto de uma edificação era mais simples, contemplando as partes hidráulicas, elétricas e de telefonia”, exemplifica Thomaz. “Hoje, a gama é muito maior com novas modalidades dentro de um projeto, incluindo alvenaria, exaustão, automação, entre muitos outros. Outra realidade que não se deve ignorar é a automatização e informatização de processos, uma tendência que contribui para maior eficiência e produtividade na construção, principalmente em edificações.”

Compósitos

Dentre tantas possibilidades, a inovação sustentável pode estar em, por exemplo, iniciativas aparentemente pouco ortodoxas, como uma pesquisa acadêmica sobre compósitos de cimento associados a resíduos agroindustriais e biomassas vegetais, capaz de criar aplicações na construção a partir de elementos como bambu, taboa, bagaço de cana, sisal, casca de arroz, cinzas e outros.

“Sob a ótica da construção, o uso da biomassa no lugar da brita e da areia tem diversas vantagens”, afirma Antonio Ludovico Beraldo, engenheiro agrícola do Departamento de Construções Rurais da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp. “Além de isolamento térmico, resistência a impactos, benefícios estéticos e acústicos, esse tipo de material tem um apelo ambiental irresistível, pois cada metro cúbico do produto significa cerca de 50 a 100 kg de carbono imobilizado na biomassa.”

Investimento cresce no país

Até 2017, os investimentos em infraestrutura no Brasil devem chegar a R$ 1,240 trilhão em obras. O valor leva em conta o montante que será desembolsado por sete setores: óleo e gás, transportes, energia, indústria, saneamento, habitação e infraestrutura esportiva. De 2007 a 2011, os investimentos nesses setores cresceram 73,5%, como mostram os dados da pesquisa “Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2017”, da Sobratema.

Apesar de persistentes aspectos críticos, como a queda contínua da relação entre investimentos em infraestrutura e o Produto Interno Bruto (PIB), que foi de 2,45% para 2% em três anos, as perspectivas para os próximos anos são positivas. “O modelo delineado de Parcerias Público-Privadas (PPPs), concessões e privatizações dará um novo impulso para os investimentos”, avalia Mario Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema.

O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega também se mostra otimista. Para ele, o país amadureceu suas instituições e conseguiu “disciplinar o mercado”, além de contar com uma imprensa livre e independente. “O Brasil cruzou o rubicão”, vaticina. “Hoje, o risco que o país corre é o de perder oportunidades e crescer pouco por causa de preconceito contra a privatização, por exemplo.”

Sobratema Fórum debate inovação em SP

Realizado no dia 30 de outubro em São Paulo, o III Sobratema Fórum Brasil Infraestrutura – Tecnologia e Inovação contou com palestras que tematizaram as possibilidades de crescimento sustentável do setor de infraestrutura no Brasil.

Direcionado a todos os agentes da cadeia produtiva da construção e das áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o evento reuniu uma seleta platéia de empresários, profissionais e consultores, contemplando ainda estandes de empresas apoiadoras, incluindo BMC, Caterpillar, Case, Doosan, Gascom, John Deere, LBX, Liebherr, New Holland, Rodobens, Scania e Volvo.