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08 de agosto de 2017
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Pneus OTR

Não para nunca

Polímeros de alto desempenho oferecem opções que expandem ao limite a durabilidade de pneus fora de estrada, mas ainda são praticamente desconhecidos no Brasil
Por Marcelo Januário (Editor)

Quando se fala em tecnologias para máquinas pesadas, o Brasil ainda precisa avançar no uso de soluções de alto desempenho que, muitas vezes, estão disponíveis há anos no mercado interno e, no entanto, ainda são muito pouco aproveitadas no país. É o caso dos polímeros para pneus fora de estrada, por exemplo.

Fundada no já longínquo ano de 1986, a empresa TecPolimer vem atuando praticamente sozinha – somente nos últimos surgiram concorrentes neste mercado – no fornecimento de elastômeros, selantes e pneus completos, que no exterior são amplamente utilizados para evitar paradas inesperadas das máquinas devido a furos, cortes, vazamentos pelo talão e perda natural de pressão nesses componentes.

Há cerca de seis anos, inclusive, os produtos foram nacionalizados e passaram a ser produzidos na fábrica da empresa em Tatuí (SP), que domina a formulação das resinas e o processamento. Isso, no entanto, ainda não foi suficiente para popularizar as soluções em segmentos extremamente sensíveis às perdas de produção, como a construção, a mineração e o agronegócio. “Apesar de todo esse tempo neste mercado, em todas as feiras M&T Expo que participamos mais de 95% dos visitantes nunca ouviram falar do produto”, lamenta-se o engenheiro mecânico Ciro Nogueira, diretor da TecPolimer.

ELASTÔMERO

Certamente, não é por conta de irrelevância que isso ocorre. Criada nos EUA há meio século, a tecnologia oferece diferentes opções de aplicação que, segundo Nogueira, garantem durabilidade extrema aos pneus, com custo-benefício abaixo das soluções convencionais. “O elastômero Tecflex, por exemplo, substitui o ar e pode ser utilizado até gastar a lona, chegando à resina”, explica o especialista. “E o custo é intermediário, de uma vez o preço do pneu, em média.”

Instalado dentro da carcaça, o produto mantém a calibragem do começo ao fim da vida útil do pneu, podendo ser utilizado em pás carregadeiras e outros equipamentos. “Ao contrário do ar, o elastômero não vaza pelos cortes, mas somente se dilata, pois não é uma espuma”, diz ele. “Além de não parar nunca por causa de furos ou rasgos, também não para na calibragem, o que é um problema em algumas máquinas.”

Destaque-se que o elastômero não equivale ao pneu maciço – que sustenta a carga da máquina em função da dureza da borracha –, pois apresenta dureza muito baixa, variando de 8 a


Quando se fala em tecnologias para máquinas pesadas, o Brasil ainda precisa avançar no uso de soluções de alto desempenho que, muitas vezes, estão disponíveis há anos no mercado interno e, no entanto, ainda são muito pouco aproveitadas no país. É o caso dos polímeros para pneus fora de estrada, por exemplo.

Fundada no já longínquo ano de 1986, a empresa TecPolimer vem atuando praticamente sozinha – somente nos últimos surgiram concorrentes neste mercado – no fornecimento de elastômeros, selantes e pneus completos, que no exterior são amplamente utilizados para evitar paradas inesperadas das máquinas devido a furos, cortes, vazamentos pelo talão e perda natural de pressão nesses componentes.

Há cerca de seis anos, inclusive, os produtos foram nacionalizados e passaram a ser produzidos na fábrica da empresa em Tatuí (SP), que domina a formulação das resinas e o processamento. Isso, no entanto, ainda não foi suficiente para popularizar as soluções em segmentos extremamente sensíveis às perdas de produção, como a construção, a mineração e o agronegócio. “Apesar de todo esse tempo neste mercado, em todas as feiras M&T Expo que participamos mais de 95% dos visitantes nunca ouviram falar do produto”, lamenta-se o engenheiro mecânico Ciro Nogueira, diretor da TecPolimer.

ELASTÔMERO

Certamente, não é por conta de irrelevância que isso ocorre. Criada nos EUA há meio século, a tecnologia oferece diferentes opções de aplicação que, segundo Nogueira, garantem durabilidade extrema aos pneus, com custo-benefício abaixo das soluções convencionais. “O elastômero Tecflex, por exemplo, substitui o ar e pode ser utilizado até gastar a lona, chegando à resina”, explica o especialista. “E o custo é intermediário, de uma vez o preço do pneu, em média.”

Instalado dentro da carcaça, o produto mantém a calibragem do começo ao fim da vida útil do pneu, podendo ser utilizado em pás carregadeiras e outros equipamentos. “Ao contrário do ar, o elastômero não vaza pelos cortes, mas somente se dilata, pois não é uma espuma”, diz ele. “Além de não parar nunca por causa de furos ou rasgos, também não para na calibragem, o que é um problema em algumas máquinas.”

Destaque-se que o elastômero não equivale ao pneu maciço – que sustenta a carga da máquina em função da dureza da borracha –, pois apresenta dureza muito baixa, variando de 8 a 30 Shore A. Ao contrário, o produto pressuriza a carcaça do pneu, que forma uma estrutura de cabos de aço ou lonas, sustentando a carga. “É isso que confere maciez à máquina e cria uma área de contato com o solo suficiente para manter a eficiência, para não ficar derrapando”, afirma Nogueira. “No maciço, normalmente e footprint (área de contato) é menor, pois é muito mais duro e transmite o impacto para a máquina, aumentando a necessidade de manutenção mecânica e eletrônica.”

Segundo o diretor, o elastômero promete manter a pressão ideal e dispensar as calibragens. Outra vantagem é a eliminação do risco de explosão, bastante presente em pneus de mineração de grande porte, assim como a proteção da carcaça contra infiltração de umidade. “A gente ajuda o cliente a tomar decisão com base na perda de produção e de custo de conserto dos pneus”, acrescenta o executivo. “Afinal, é uma coisa absurda parar uma máquina de milhões de dólares por causa de um pneu.”

OPÇÕES

Além deste produto, a empresa disponibiliza o selante Tecflex e o pneu Softgel. Indicado para furos menores, o primeiro tem baixo custo e inclui diversos tipos, como o modelo extreme para pneus LX, uma novidade no mercado brasileiro que veda furos de até 12 mm ou mais do que isso, para pneus de mineração, por exemplo, nos quais pode selar furos de até 38 mm. “O selante usa ar e também pode ser usado dentro da câmara, mas não recomendamos isso, a não ser que não haja maneira de se retirar a câmara, pois o selante não funciona se ela rasgar”, adverte Nogueira. “Lá fora, é bastante comum em pás carregadeiras que trabalham com reciclagem, mas o ideal é aplicar em pneus sem câmera de ar.”

A linha também conta com o selante padrão (chamado de extra), que veda furos até 6 mm, e o selante lastro, que pode ser usado na agricultura, misturado em 10% com água. Segundo o diretor, o custo-benefício é patente. “Um cliente que gastava 4 mil reais por mês com borracheiro para uma única pá, passou a gastar 600 reais/mês após a adoção do selante”, compara.

Também há uma questão de manutenção. Em pneus agrícolas para transbordo de cana, por exemplo, é preciso trabalhar com pressão de 50 psi, mas frequentemente ocorre um problema grave, que é o vazamento pelo talão e arrasto, perdendo-se a pressão de maneira muito rápida e levando à necessidade de calibragem do componente a cada dois dias. Sem falar que rodar com uma pressão 10% inferior ao ideal aumenta o desgaste do pneu em pelo menos 20%. “Com o selante, leva um mês para a pressão cair 2 psi”, assegura. “Assim, é possível calibrar com 35 psi, melhorando a compactação do solo e diminuindo drasticamente a perda de pneus, que custam 3 mil reais a unidade.”

Já o Softgel (visto na imagem de abertura desta matéria) é apresentado como uma solução definitiva, resistindo a cortes largos e com menor custo horário. Disponível em desenho lameiro ou misto (para concreto e asfalto), o produto é um pneu completo, que não utiliza ar e possui “furos” na estrutura para obter maior amortecimento. “A grande vantagem é resistir a grandes cortes em vários pontos, continuando funcional pela vida toda”, ressalta Nogueira. “É indicado principalmente para minicarregadeiras e dianteiras de retroescavadeiras. E apesar de seu custo inicial mais alto, oferece um custo-horário baixo.”

MERCADO

Mesmo com todas essas opções, ainda há muito a avançar por aqui. Estimativas do mercado norte-americano indicam uma demanda de cerca de 60 mil toneladas por ano do produto, enquanto o mercado brasileiro mal deve chegar a 200 toneladas/ano. “A diferença é gigantesca, e não porque o Brasil é tão menor, mas porque ainda desconhece”, comenta Nogueira.

De fato, o país oferece oportunidades em setores como siderurgia, reciclagem e locação, principalmente em plataformas aéreas, nas quais o elastômero é obrigatório por uma questão de segurança. “O Brasil é um mercado que tem muito a crescer”, reitera o especialista. “Além da Linha Amarela, algumas operações de mineração já utilizam a solução como padrão, como a mina de potássio em Taquari Vassouras (SE), a única subterrânea da Vale no Brasil e onde antes se perdia uma hora de produção por dia por conta de problemas com pneus.”

No entanto, de acordo com o executivo, a ociosidade dos equipamentos se mantém muito alta no país, o que tem derrubado o consumo de pneus, levando junto os produtos químicos. “Podemos crescer em clientes que tem a necessidade, mas nem sabem do nosso produto. Porém, a abertura de um cliente é bem demorada, muito técnica, levando meses ou até anos em alguns casos”, revela. “Isso inclui testes, levantamento de custos, avaliação, até se tomar a decisão. Porém, uma vez que confirma os números de economia, vira um cliente por muitos anos.”

SISTEMA MONITORA TEMPERATURA E PRESSÃO DE PNEUS PESADOS

Desenvolvido pela empresa Alientronics, o Sistema de Monitoramento Inteligente para Pneus (TPMS) mede a temperatura e a pressão de forma constante, enviando alertas para o celular e, em locais sem acesso à internet, para um módulo no veículo. Instalado internamente no pneu, o produto é composto por sensores que medem pressão, temperatura e acelerações. Posteriormente, as informações são armazenadas em um banco de dados na nuvem, permitindo a realização de análises sobre as condições de uso de cada pneu. “Esses dados crus saem do sensor e vão para o módulo do veículo e, de lá, para a internet”, explica Felipe Werle Melz, diretor da Alientronics, ao jornal DCI. “Hoje, nosso foco é total em veículos pesados, como caminhões e ônibus, e as maiores interessadas são as indústrias e transportadoras.”

NOVA ESPÁTULA É ESPECÍFICA PARA PNEUS FORA DE ESTRADA

A Esco (Equipment Supply Company) apresentou ao mercado norte-americano sua nova espátula 90456 para troca de pneus OTR, destinada aos setores de mineração, agrícola e caminhões pesados. Projetada para uso no campo de operação, a ferramenta tem força de separação de 10 ton, em um espectro de 6 a 34 polegadas. A solução funciona com bomba hidráulica ou a ar, além de permitir o uso de uma barra de bloqueio de segurança, ambas vendidas separadamente, informa a fabricante.

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