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02 de agosto de 2019
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Cenário

Mudança de modelo

Com quedas seguidas no estoque em relação ao PIB, a infraestrutura brasileira ensaia uma retomada com o anúncio de novos projetos e prioridades, mas inúmeros desafios ainda estão pelo caminho
Por Marcelo Januário (Editor)

Em um mercado global cada vez mais competitivo, nenhum país pode se dar ao luxo de tratar a infraestrutura como um mero detalhe, pois o crescimento econômico é uma variável direta do investimento feito nesta área, fato corroborado por inúmeros estudos teóricos dos mais diversos matizes. Mas é exatamente a partir deste ponto que o Brasil deixa de ser competitivo e, como consequência, marca passo em termos econômicos.

“Sem dúvida, a infraestrutura gera crescimento, mas ainda temos gargalos profundos que travam o nosso desenvolvimento”, endossa Diogo Mac Cord de Faria, secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura do Ministério da Economia.

Segundo ele, a qualidade da infraestrutura brasileira não é nada boa e, na verdade, só tem piorado, caindo do 78o para o 83o lugar em 2018, segundo o ranking do WEF (World Economic Forum), ocupando atualmente a lanterna entre os BRICs. “Não temos igualdade de condições”, lamenta-se o secretário, dando exemplos irrefutáveis. “No Brasil, o custo logístico em relação ao PIB é 60% superior ao dos EUA, assim como o custo de energia.”

Entre 2017 e 2018, o país viveu seu ponto mais baixo de investimentos em infraestrutura

No que se refere aos investimentos, a situação é ainda mais dramática. Entre 2017 e 2018, o país viveu os piores anos da sua história, quando investiu apenas 1,7% do PIB na área, índice insuficiente até mesmo para compensar a depreciação dos ativos. Com isso, o estoque de infraestrutura – hoje em 36% do PIB – vem caindo nos últimos anos. Para sair do xeque em que se encontra e chegar a algo como 61% do PIB até 2040, atingindo assim níveis internacionais, o país deve começar a se mexer.

Para tanto, o Brasil se vê impelido a adotar um novo modelo de desenvolvimento, elaborando fórmulas regulatórias a toque de caixa para atrair investimentos privados internacionais. Isso é urgente, só que ainda não foi feito. “O modelo baseado em investimentos públicos precisa migrar para o privado, mas ainda não se construiu essa ponte”, reconhece Mac Cord. “O investidor quer entrar, mas não consegue.”