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16 de dezembro de 2016
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Bauma China 2016

Em busca da nova rota da seda

China aposta em investimentos para alavancar a indústria da construção, que sofreu uma queda de 70% em quatro anos e vive seu pior momento em mais de uma década
Por Marcelo Januário (Editor)

Após anos de queda nas receitas, resultando em aumento de estoques e ociosidade produtiva, as fabricantes chinesas contam com a abertura de uma nova “rota da seda” para recuperar a indústria de equipamentos pesados no país. Desde 2011, após o colapso nos preços das commodities, o setor vem sofrendo com a retração. Naquele ano, as vendas da indústria no país chegaram a um pico de US$ 35 bilhões, de acordo com a consultoria especializada Off-Highway Research. Em 2016, as estimativas apontam para resultados de US$ 9 bilhões, o pior nível em mais de uma década.

Isso porque o volume de vendas de equipamentos para construção na China declinou de 435 mil unidades em 2011 para 131 mil unidades em 2015, em uma queda de 70% em quatro anos. Para 2016, os analistas esperam um leve avanço de aproximadamente 4%, com vendas provavelmente estabilizadas em um pouco menos de 138 mil unidades.

INFRAESTRUTURA

O país tenta driblar o impacto do ritmo mais baixo de crescimento dos últimos 25 anos acelerando aprovações de projetos e encorajando investidores privados a assumir um papel mais importante na área de infraestrutura. Nos primeiros 10 meses do ano passado, o país aprovou projetos de US$ 429 bilhões, um nível 2,9% maior sobre o mesmo período do ano anterior.

A Associação Americana de Fabricantes de Equipamentos (AEM, da sigla em inglês) estima que o país tenha investido o equivalente a US$ 130 bilhões na construção de ferrovias entre 2014 e 2015. Em um plano mais amplo, observadores esperam que o 13º Plano Quinquenal, que começou em 2016, disponibilize a anunciada soma de US$ 650 bilhões para construção de estradas de ferro até 2020.

Os investimentos em logística, inclusive, podem agregar US$ 2,5 trilhões na próxima década, tornando-se um ponto chave para a recuperação pós-crise econômica. As iniciativas do presidente Xi Jinping incluem estímulos para a construção de uma área econômica integrada envolvendo Ásia Central, Ásia Ocidental, Oriente Médio e Europa, baseada em uma nova infraestrutura, com estradas e ferrovias, que possam aquecer as rotas de comércio nessas regiões.

As regulações mais restritivas também constituem um incentivo adicional para aquisição de novas máquinas. Desde abril de 2016, todos os motores a diesel novos para máquinas fora de estrada comercializados na China devem cumprir ao menos com o padrão Tier III. De acordo com informações da revista chinesa Economy & Nation Weekly, o padrão mais restritivo retirará de circulação mais de 2,5 milhões de máquinas antigas do mercado. Como consequência disso, espera-se que a demanda por máquinas mais amigáveis ambientalmente cresça exponencialmente no país, que representa 16% do mercado global de equipamentos para construção e 12% em valores nominais.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral