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15 de março de 2010
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Sondagem

Do trado manual às sondas rotativas

Especialistas traçam a linha de evolução dos equipamentos de sondagem e sua contribuição para a exata classificação do subsolo

Em determinados locais, como a orla marítima da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, o solo nem sempre segue a máxima do “quanto mais fundo, mais resistente”. Nesses casos, aliás, o subsolo pode não apresentar sequer uma camada de rocha para apoio à fundação da obra, o que exige um profundo conhecimento do terreno para dimensionar as estacas que irão suportar a edificação.

Em suma, isso explica porque alguns edifícios mais antigos construídos na orla santista acabaram inclinando lateralmente, como fruto de recalques diferenciais entre suas estacas. Há 50 anos, a sondagem por sistema de percussão, conhecida pela sigla em inglês SPT (Standard Penetration Test), era realizada manualmente e contava com poucos recursos de identificação do solo. Como resultado, não era possível avaliar que abaixo do ponto de resistência, encontrado durante a sondagem, havia outra camada mole sujeita a deformações com o peso da estrutura.

De acordo com os especialistas, o SPT ainda é o método mais utilizado para a classificação das diferentes camadas que compõem o subsolo, bem como a avaliação do nível do lençol freático e a definição da capacidade de carga que o solo poderá receber a determinada profundidade. Ele também antecede a sondagem rotativa (em rocha), para a perfuração do solo até se encontrar a formação rochosa, e sua execução pode empregar equipamentos de tecnologia avançada, capazes de conferir exatidão à sondagem.

“Mas a maioria das sondagens SPT ainda são realizadas no Brasil de forma manual, algo totalmente improdutivo e que exige um grande número de operários”, pondera o geólogo Ruy Thalea Baillot, diretor da Alphageos. Ele alerta que a utilização de equipamentos específicos, com trados vazados e martelo automático de fundação, pode resultar em produções até dez vezes maiores que as oferecidas por ferramentas manuais. “Prova disso é que praticamos o mesmo preço para os nossos serviços que os adotados por empresas que só trabalham com sondagem manual.”

Cuidados com o trado
Neidyr Cury Neto, gerente regional de vendas da Atlas Copco na América Latina, explica que as máquinas SPT consistem em um tripé de apoio, equipado com um determinado peso, o qual é lançado sobre uma coluna de hastes com altura controlada. O sistema mede o número de golpes desse peso sobre a coluna, para que esta penetre no solo a uma determinada profundidade. “Em solo mole, por exemplo, o NSTP (número de golpes para perfurar o solo) é um ou dois. Ou seja, com esses golpes é possível cravar 30 cm, depois da cravação dos 15 cm iniciais. Já em argila, esse número sobe para 10 ou 15 e em areia, vai para 20 ou 25”, ele explica.