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15 de março de 2010
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Sondagem

A imagem substitui o corpo de prova

Num cenário em que as perfuratrizes mecânicas ainda predominam em relação às hidráulicas, o mercado já dispõe de tecnologia de sondagem de solos que elimina a recuperação de testemunho
Por Camila Waddington

Apesar da maioria dos trabalhos de sondagem no País ainda ser executada por métodos manuais, com o uso de ferramentas com pouca tecnologia incorporada, os especialistas do setor observam uma evolução no que diz respeito à mobilização de equipamentos mais sofisticados para a investigação de solos e rochas. Os novos equipamentos fornecem subsídios tanto para o cálculo de fundações em construção civil como para a pesquisa geológica em mineração.

Partindo das máquinas totalmente mecânicas até as hidráulicas e as equipadas com câmera filmadora, as empresas do setor lançam mão de soluções voltadas para a maior produtividade e segurança no serviço de investigação do subsolo. A empresa de sondagem Alphageos, por exemplo, adota o sistema de sondagem televisiva, até recentemente inédito no País, que fornece imagens coloridas das paredes do furo, até mesmo em perfurações abaixo do lençol freático. “Há alguns anos, os japoneses desenvolveram uma câmera que filmava a parede do furo e disponibilizava a imagem em um monitor instalado na cabine da máquina”, diz o geólogo Ruy Thalea Baillot, diretor da companhia.

Com base nessa tecnologia, ele diz que franceses e ingleses desenvolveram um software que consegue medir a direção das fraturas no subsolo e determinar o mergulho da perfuração. A combinação dessas tecnologias, segundo Baillot, resultou no desenvolvimento das máquinas de sondagem televisiva. “Os outros tipos de sondagem em rocha são baseados na recuperação do testemunho e isso não condiz com 100% das características do material avaliado, pois no momento da perfuração ocorrem fraturas na rocha que podem deteriorar as suas reais capacidades.”

Na sua opinião, esse método de sondagem só faz sentido para fins de simulação do estado da rocha depois de desmontada por explosão (zonas de escavação). “O problema é que, mesmo para todas as demais zonas, fora da influência dos explosivos, a qualidade da rocha também continuaria sendo desfigurada para pior”, diz ele.

Avaliação pela imagem
De acordo com Baillot, as normas vigentes no setor determinam que o testemunho seja recuperado em 90% do corpo de prova programado. Ou seja, se tal extensão deveria medir 1 metro, seria aceitável que ela se apresentasse reduzida até o mínimo de 90 cm. “Num caso como esse, os 10 cm que não foram recuperados, geralmente devido a fragmentações durante a perfuração, são justamente os que retratariam os principais atributos da rocha em uma zona crítica, e que, no entanto, não poderão ser avaliados.” Em tais situações, ele explica que as empresas preferem pecar pelo excesso, atribuindo a toda a massa de rocha características inferiores àquelas que ela poderia apresentar.