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27 de abril de 2012
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Manutenção

Como cuidar dos filtros de ar

A manutenção correta desse componente pode evitar problemas muito maiores com os motores diesel de máquinas off road

Os filtros de ar são essenciais para garantir o bom funcionamento do motor e a maior vida útil dos equipamentos, principalmente dos que operam em locais com alta incidência de poeira, como pedreiras e canteiros de obras. Isso ocorre porque eles retêm as partículas em suspensão no ar e evitam que esses contaminantes sejam admitidos na câmara de combustão, o que pode ocasionar diversos problemas ao bom funcionamento.

Os fabricantes de filtros não aprovam que o usuário faça sua limpeza no campo, mas essa recomendação nem sempre é seguida. Em muitas operações, os profissionais de manutenção têm utilizado o ar comprimido em baixa pressão com sucesso para a remoção dos resíduos de contaminantes (poeira, fuligem, silício etc.). Esse tipo de procedimento, todavia, pode danificar seriamente o filtro e afetar seu desempenho se for realizado de forma incorreta. Além disso, a limpeza do filtro com ar comprimido implica o imediato cancelamento da garantia oferecida pelo fabricante do produto.

A justificativa dos fabricantes é que, ao ser aplicado qualquer tipo de pressão, esforço ou jato de ar sobre o meio filtrante, as microfibras que o compõem podem sofrer uma ruptura permanente e imperceptível a olho nu. Com isso, os contaminantes de menor tamanho poderão passar pelo filtro e chegar até o motor, onde vão atuar no desgaste de seus componentes internos até ocasionar sua parada. Se mesmo assim, o usuário optar pela limpeza do filtro de ar, deve seguir os passos recomendados no quadro da página seguinte.

Problemas com saturação

Uma partícula de apenas 2 μm (1 micrômetro equivale a um milésimo de 1 mm) presente no motor é o suficiente para causar um desgaste prematuro da superfície das peças. Já as partículas menores que 2 μm, ainda que menos nocivas, podem se infiltrar facilmente entre as peças móveis e causar desgaste por abrasão. As mesmas partículas podem se acumular e atrapalhar a alimentação de ar no processo de combustão.

Esse problema pode ocorrer devido à saturação do filtro com contaminantes, situação que impede a passagem da quantidade correta de ar para a combustão. Apesar de cada motor possuir uma especificação própria, especialistas afirmam que, em média, para cada volume de diesel, são necessários cerca de 1.250 volumes de ar para assegurar uma combustão eficiente. Se houver uma taxa de alimentação desbalanceada, o motor vai apresentar


Os filtros de ar são essenciais para garantir o bom funcionamento do motor e a maior vida útil dos equipamentos, principalmente dos que operam em locais com alta incidência de poeira, como pedreiras e canteiros de obras. Isso ocorre porque eles retêm as partículas em suspensão no ar e evitam que esses contaminantes sejam admitidos na câmara de combustão, o que pode ocasionar diversos problemas ao bom funcionamento.

Os fabricantes de filtros não aprovam que o usuário faça sua limpeza no campo, mas essa recomendação nem sempre é seguida. Em muitas operações, os profissionais de manutenção têm utilizado o ar comprimido em baixa pressão com sucesso para a remoção dos resíduos de contaminantes (poeira, fuligem, silício etc.). Esse tipo de procedimento, todavia, pode danificar seriamente o filtro e afetar seu desempenho se for realizado de forma incorreta. Além disso, a limpeza do filtro com ar comprimido implica o imediato cancelamento da garantia oferecida pelo fabricante do produto.

A justificativa dos fabricantes é que, ao ser aplicado qualquer tipo de pressão, esforço ou jato de ar sobre o meio filtrante, as microfibras que o compõem podem sofrer uma ruptura permanente e imperceptível a olho nu. Com isso, os contaminantes de menor tamanho poderão passar pelo filtro e chegar até o motor, onde vão atuar no desgaste de seus componentes internos até ocasionar sua parada. Se mesmo assim, o usuário optar pela limpeza do filtro de ar, deve seguir os passos recomendados no quadro da página seguinte.

Problemas com saturação

Uma partícula de apenas 2 μm (1 micrômetro equivale a um milésimo de 1 mm) presente no motor é o suficiente para causar um desgaste prematuro da superfície das peças. Já as partículas menores que 2 μm, ainda que menos nocivas, podem se infiltrar facilmente entre as peças móveis e causar desgaste por abrasão. As mesmas partículas podem se acumular e atrapalhar a alimentação de ar no processo de combustão.

Esse problema pode ocorrer devido à saturação do filtro com contaminantes, situação que impede a passagem da quantidade correta de ar para a combustão. Apesar de cada motor possuir uma especificação própria, especialistas afirmam que, em média, para cada volume de diesel, são necessários cerca de 1.250 volumes de ar para assegurar uma combustão eficiente. Se houver uma taxa de alimentação desbalanceada, o motor vai apresentar uma redução considerável na potência, além de consumir mais combustível, emitir fumaça preta pelo escapamento e apresentar dificuldade em dar a partida.

Para identificar o nível de saturação do filtro, os equipamentos contam com indicadores de restrição. Esses sistemas podem ser eletrônicos, alertando o operador por meio de uma indicação luminosa no painel da cabine, ou mecânicos, com uma escala em cores ou em polegadas de coluna de água, posicionada próximo ao filtro. Caso essa escala aponte entre 40% e 50% de índice de saturação no filtro, indicará que a passagem de ar está comprometida e que a limpeza ou troca deve ser efetuada imediatamente. Na ausência de um indicador de restrição, o usuário deve seguir as orientações encontradas no manual do fabricante do equipamento.

A troca do filtro deve ser feita com cuidado, certificando-se do momento correto por meio dos indicadores de restrição. No entanto, é recomendado que seja feita uma vistoria diária, ou mais vezes ao dia dependendo das condições de impurezas no ar. Essa inspeção, entretanto, não deve ser feita no compartimento do filtro, onde a simples abertura da caixa pode acumular mais poeira em seu interior.

Pré-filtros

Em muitas condições de aplicação severa, o usuário opta pela utilização de dois jogos de filtros e de um sistema de pré-purificação, que funciona como um acessório que retém entre 60% e 80% das partículas mais pesadas por meio de um sistema de ciclone. Nesse caso, existem dois tipos de pré-filtros: o primeiro acumula essa sujeira em uma caixa de acrílico, para ser removido manualmente, e o outro é um sistema automatizado, que direciona todas essas partículas para o escape do motor.

Alguns equipamentos ainda podem contar com filtro de ar banhado a óleo, acumulando a sujeira até o momento de saturação, quando o óleo lubrificante deve ser trocado. O usuário pode também procurar sistemas especiais de filtragem, como acoplamentos mais altos para a entrada de ar. Segundo especialistas, em casos mais severos é recomendado que a entrada fique a pelo menos 2 m acima do nível do chão, onde o ar está menos saturado de poeira.

Quando o usuário opta pela limpeza dos filtros, deve realizar o serviço com o motor desligado e abrir a tampa do compartimento em locais com pouca sujeira no ar. Essas recomendações são dadas para que a retirada do filtro possa ser feita sem prejudicar a integridade do motor. Após a retirada do filtro primário, certifique-se que o filtro secundário caso houver um não seja removido, pois ele funciona como uma garantia de segurança durante a remoção do filtro principal. O filtro de segurança deve ser retirado apenas quando indicado (veja no quadro da página 78).

Para evitar que o papel do meio filtrante seja danificado por líquidos, utilize um pano especial e seco para limpar o compartimento e remover os resíduos acumulados em seu interior. Em um processo ideal, recomenda-se o encaixe de um filtro primário reserva durante a limpeza do outro. O filtro secundário, por ser muito sensível, nunca deve ser limpo.

A remoção da poeira do filtro deve ser feita apenas com ar comprimido seco, nunca ultrapassando 30 psi de pressão, soprando sempre de dentro para fora, no sentido longitudinal das pregas do papel. Após a limpeza, posicione uma fonte de iluminação no interior do filtro e certifique-se que não há passagens nítidas de luz, o que indica um furo e torna o componente inutilizável. Esse processo de verificação é conhecido como o teste da lâmpada. Em seguida, embrulhe a peça com cuidado, para ser estocada em um local limpo e seco até ser reinstalada em algum equipamento.

Cuidados adicionais

Na embalagem do filtro, faça uma marcação indicando a quantidade de vezes pelas quais ele já passou por limpezas e as datas em que elas ocorreram. Esse sistema de marcação é um processo preventivo essencial e deve lembrar os operadores sobre a hora certa para descartar o filtro, além de gerenciar o momento de troca do filtro secundário ou de segurança.

É indicado que, após três trocas do filtro primário, seja feita a troca do filtro de segurança. Há relatos que o filtro primário, quando limpo corretamente, foi reposicionado na máquina até seis vezes antes de ser descartado. A recomendação dos especialistas, mesmo para casos em que o filtro não passou por tantas limpezas, é que ele seja descartado sempre após 12 meses de uso. Mas sempre deverão ser seguidas as instruções do fabricante que, em alguns casos, chegam a recomendar a troca do elemento secundário sempre que o primário for trocado.

Todos os cuidados apontados com o filtro, no entanto, tornam-se insuficientes caso o usuário não fique atento a todo o sistema de admissão de ar. Devem ser feitos vistorias nas mangueiras de ar, nos apertos das abraçadeiras e nas vedações de borracha, que podem estar ressecadas e com defeitos, causando entradas falsas de ar. Sobretudo, deve-se seguir disciplinadamente os intervalos de limpeza e os períodos de troca dos filtros.

A segurança do técnico deve ser sempre garantida durante o processo de limpeza dos filtros, com a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs). Devem ser utilizadas luvas de borracha, máscara de proteção respiratória, óculos especiais e protetores auriculares.

 

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