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11 de março de 2010
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Freios

Capacidade total de frenagem

Especialistas discutem o futuro dos sistemas de freios para caminhões rodoviários utilizados em operações off-road, incluindo a adoção ou não do ABS como tecnologia para o segmento

A resolução 312 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) chama a atenção dos frotistas brasileiros: ela vai exigir a utilização de freios ABS para alguns modelos de caminhões a partir de 2013, com exceção dos veículos de categoria G, que são os off-road. A dúvida é: será que a adoção do sistema antitravamento ou Anti-lock Braking System, que é o significado em inglês do ABS, para todos os veículos rodoviários de transporte de carga não irá influenciar a ampliação da norma para os off-road?

É importante lembrar que há uma grande frota de caminhões rodoviários 8x4 e 10x4 sendo utilizados em operações fora-de-estrada. Os especialistas divergem, mas avaliam que esses casos precisam ser estudados com cuidado. É o caso de Dacio Paul, gerente de engenharia, qualidade e exportação da Master, empresa fabricante de sistemas de freios. Ele explica que nas operações off-road, como mineração e construção pesada, o ciclo de trabalho é bastante severo, exigindo locomoção a baixas velocidades e em terrenos amplamente irregulares, o que minimiza os benefícios que o ABS pode prover. “Portanto, para as categorias de caminhões que operam em serviços pesados, não faz sentido o ABS ser obrigatório. Porém, teremos algumas configurações 8x4 e 10x4, derivadas de veículos rodoviários, que podem ter um uso misto on e off-road. Neste caso, o ABS será obrigatório a partir de 2013”, diz ele.

David Ewel, diretor de engenharia da Mico Incorporated, escreveu um artigo em 2007 intitulado Next Stop (algo como próxima parada em português) prevendo essa dúvida pela utilização ou não do ABS em operações fora-de-estrada. Ele reconhece que não faz sentido a adoção do sistema ABS, por exemplo, em uma escavadeira hidráulica que se move a cerca de 16 km/h. Já os caminhões fora-de-estrada, na sua visão, ganhariam maior controle com a tecnologia. Como exige forte investimento de capital, o preço do sistema seria compensado pelo benefício que traz. Exemplos disso são as indústrias de carros leves, de ônibus e caminhões rodoviários, cuja economia de escala tornou o ABS um adicional mais palatável.

Para Deonir Gasperin, engenheiro de vendas da Volvo, o ABS ainda pode ser impulsionado por outras demandas. “Alguns sistemas mais avançados, como as caixas de transmissão automáticas e automatizadas – que já começam a equipar parte dos caminhões utilizados pelas construtoras e mineradoras brasileiras – dependem de informações eletrônicas da frenagem, algo que é possível ser oferecido com o ABS”, diz. “Prova disso, é que 50% dos cerca de 10 mil caminhões que a Volvo vende anualmente no Brasil, já saem com transmissão automatizada e, consequentemente, freio ABS”, complementa.