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23 de dezembro de 2013
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Retroescavadeiras

A preferência nacional

Em crescimento sustentado pelas compras do MDA, mercado de retroescavadeiras se mantém na liderança de vendas entre as máquinas da Linha Amarela de construção

Como é de conhecimento, em 2013 o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) salvou a lavoura no mercado nacional de retroescavadeiras. No ano passado, o órgão comprou nada menos que 3.100 equipamentos. Comparando com 2012, o crescimento foi de significativos 20%, com um volume total de vendas de 12 mil unidades até dezembro. Em 2012, foram 9,5 mil máquinas.

Em uma opinião que é consensual entre os fabricantes, o MDA foi um inestimável esteio que, entretanto, não deve se repetir daqui em diante. “Isso não tira o potencial desse mercado, que deve crescer agora em 2014, embora em menor proporção, mas com apoio forte das compras privadas”, pontua Carlos França, gerente de marketing de produto da Case Construction Equipment.

Presidente da Volvo Construction Equipment, Afrânio Chueire avalia que, mesmo sem o apoio do MDA, as vendas da marca cresceram 15% no primeiro semestre do último ano. O executivo, entrementes, não relaciona esse crescimento apenas ao ganho de market share ou mesmo ao incremento do mercado em geral. Para ele, o foco é que foi fundamental. “Apostamos muito nesse mercado e a prova disso é que iniciaremos ainda em janeiro a fabricação das retroescavadeiras na planta de Pederneiras, no interior de São Paulo”, diz ele, explicando que essa linha de produção está sendo transferida do México e atenderá a toda América Latina.

Roberto Marques, gerente da divisão de construção da John Deere, reconhece – assim como os demais entrevistados – a influência das compras do MDA para o crescimento das vendas de retroescavadeiras em 2013. “Isso, certamente, não acontecerá na mesma intensidade no ano que vem”, avalia o especialista. “Mas, ainda assim, trata-se de uma classe de máquinas com vigoroso crescimento no Brasil e que teve papel importante na nossa decisão de construir fábricas nacionais.”

Neste momento, a John Deere está acertando os detalhes finais para o início das operações de duas fábricas no país, o que deve ocorrer muito em breve. Uma das unidades é exclusiva da marca e produzirá pás carregadeiras e retroescavadeiras. A outra é uma parceria com a Hitachi para produzir escavadeiras das duas marcas. “Ambas as fábricas ficam em Indaiatuba (SP) e a distribuição dos produtos está a cargo da John Deere”, explica Marques.


Como é de conhecimento, em 2013 o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) salvou a lavoura no mercado nacional de retroescavadeiras. No ano passado, o órgão comprou nada menos que 3.100 equipamentos. Comparando com 2012, o crescimento foi de significativos 20%, com um volume total de vendas de 12 mil unidades até dezembro. Em 2012, foram 9,5 mil máquinas.

Em uma opinião que é consensual entre os fabricantes, o MDA foi um inestimável esteio que, entretanto, não deve se repetir daqui em diante. “Isso não tira o potencial desse mercado, que deve crescer agora em 2014, embora em menor proporção, mas com apoio forte das compras privadas”, pontua Carlos França, gerente de marketing de produto da Case Construction Equipment.

Presidente da Volvo Construction Equipment, Afrânio Chueire avalia que, mesmo sem o apoio do MDA, as vendas da marca cresceram 15% no primeiro semestre do último ano. O executivo, entrementes, não relaciona esse crescimento apenas ao ganho de market share ou mesmo ao incremento do mercado em geral. Para ele, o foco é que foi fundamental. “Apostamos muito nesse mercado e a prova disso é que iniciaremos ainda em janeiro a fabricação das retroescavadeiras na planta de Pederneiras, no interior de São Paulo”, diz ele, explicando que essa linha de produção está sendo transferida do México e atenderá a toda América Latina.

Roberto Marques, gerente da divisão de construção da John Deere, reconhece – assim como os demais entrevistados – a influência das compras do MDA para o crescimento das vendas de retroescavadeiras em 2013. “Isso, certamente, não acontecerá na mesma intensidade no ano que vem”, avalia o especialista. “Mas, ainda assim, trata-se de uma classe de máquinas com vigoroso crescimento no Brasil e que teve papel importante na nossa decisão de construir fábricas nacionais.”

Neste momento, a John Deere está acertando os detalhes finais para o início das operações de duas fábricas no país, o que deve ocorrer muito em breve. Uma das unidades é exclusiva da marca e produzirá pás carregadeiras e retroescavadeiras. A outra é uma parceria com a Hitachi para produzir escavadeiras das duas marcas. “Ambas as fábricas ficam em Indaiatuba (SP) e a distribuição dos produtos está a cargo da John Deere”, explica Marques.

Como contraponto, a Caterpillar avalia o mercado de forma menos entusiástica. “Em uma análise fria, se excluirmos as unidades adquiridas pelo MDA, o setor brasileiro de retroescavadeiras apresenta retração de 10% a 15% em relação a 2012”, crava Rodrigo Cera, especialista de produto da empresa.

Isso mesmo com o modelo Cat 416E mantendo-se entre os mais vendidos de todas as classes de equipamentos disponíveis no país. Já a representação por nicho (quanto se vende para cada tipo de cliente) é um dado confidencial na empresa, mas a importância do mercado de locação é algo patente. “Esse setor é diferente no Brasil, onde muitos locadores oferecem o serviço com operador, cobrando por hora”, diz o executivo, destacando que esse tipo de demanda continua em crescimento no país.

LOCAÇÃO

A avaliação da Caterpillar não é isolada. A própria Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostra que o setor de locação é o segundo mais representativo no mercado de retroescavadeiras, com responsabilidade direta por 25% das compras em 2012. Dados do último ano ainda não estão disponíveis.

Segundo a Abimaq, com 41% as construtoras continuam sendo as maiores compradoras dos equipamentos, enquanto as compras governamentais representam outros 22%. Mineração, indústria, agricultura e florestal ficam com a porcentagem restante. Na escala por fabricante, os índices tendem a se repetir. “Na Case, a locação já é o principal mercado, pois vendemos 45% do nosso volume a esses clientes, em um segmento que lideramos há 20 anos”, confirma França.

Marques, da Deere, afirma que o levantamento estatístico sobre o volume destinado à locação ainda está em desenvolvimento na empresa, que avalia detalhadamente os locadores com perfis diferentes. “Do mesmo modo que há uma grande quantidade de empresas que se especializaram em vender hora/máquina, e que de fato são rental, há outra boa quantidade nas quais o aluguel é apenas mais um entre os vários serviços que oferecem”, explica. “E, muitas vezes, esse perfil de empresa não é captada como locadora nas estatísticas do setor.”

Na BMC-Hyundai, um percentual de 31% das retroescavadeiras vendidas também é direcionado para a locação. O segundo mercado é o de terraplanagem, com distantes 16%. “Apostamos no setor de retroescavadeiras ao ponto de iniciarmos a montagem do modelo H940C via SKD, na planta industrial de Itatiaia”, diz Noel Teixeira, diretor de vendas da empresa. “Neste ano, planejamos fabricá-la com índice de nacionalização acima de 60%, para dar acesso ao Finame.”

COMPETITIVIDADE

Além dos planos de financiamento e capilaridade crescente de mercado, os fabricantes apostam no diferencial tecnológico para ganhar fatias maiores de mercado. Mais do que isso, os players trabalham duro para identificar com precisão o perfil de compra dos diferentes tipos de clientes nesse quesito. “Ao longo do tempo, as retroescavadeiras têm adicionado funções para aumentar a produtividade, em alguns casos com o uso de eletrônica embarcada”, diz Nei Hamilton, diretor comercial da JCB.

No caso da BMC-Hyundai, segundo Teixeira o incremento de eletrônica embarcada não tem sido uma prioridade. E a razão é que “aproximadamente 85% dos clientes preferem máquinas com cabine aberta e proteção limitada ao vidro dianteiro”. Essa condição impede a instalação de controladoras eletrônicas para gerenciamento das principais funções da máquina, mas para os usuários, diz ele, os benefícios dessas soluções “tornam-se secundários se o equipamento oferecer boa produtividade e baixo consumo de combustível”.

Para a Caterpillar, a opção por componentes eletrônicos deve necessariamente estar atrelada à condição operacional da máquina. Segundo Cera, um exemplo de aplicação no qual os componentes eletrônicos requerem atenção especial são os ambientes corrosivos, como manipulação de fertilizantes ou sal. “Não introduzimos novas tecnologias simplesmente por estarem acessíveis, mesmo que muitas vezes sejam utilizadas em outras linhas de produtos”, infere. “Antes, nossa decisão leva em conta o benefício ao cliente e a confiabilidade da tecnologia para a operação em questão.”

Segundo ele, esse foi o caso do sistema de monitoramento via satélite, incorporado à retroescavadeira 416E desde sua introdução no mercado brasileiro. “Essa máquina também conta com sistema de diagnóstico de falhas, que otimiza as manutenções do equipamento”, pontua Cera.

Na John Deere, como enfatiza Marques, a avaliação é de que o mercado brasileiro vem acompanhando os demais grandes mercados do mundo, nos quais os equipamentos de apoio e de múltiplas funções – como as retroescavadeiras – incorporam eletrônica embarcada de uma forma lenta, mas progressiva. “Essa tendência de oferecer todos os benefícios possíveis ao cliente é irreversível”, diz ele. “Afinal, são soluções que permitem uma comunicação mais eficiente da máquina com seu operador.”

TECNOLOGIAS

Nas retroescavadeiras da John Deere, aliás, essa comunicação é feita por meio de um monitor na cabine, que oferece capacidade de diagnóstico de falhas, calibrações e informações operacionais. “O intuito dessas soluções é proporcionar ao usuário melhor entendimento da máquina, com um tempo de resposta mais rápido no diagnóstico e solução dos problemas encontrados”, explica Marques. “Em aplicações intensivas, que exigem alta disponibilidade mecânica e podem definir todo o processo produtivo, os clientes pedem até mais benefícios que a eletrônica embarcada atual pode oferecer.”

Na Case, a série N de retroescavadeiras foi lançada em 2012 e, desde então, vem adicionando tecnologias como o freio de estacionamento com acionamento eletrônico, que substituiu o acionamento mecânico usado nas séries anteriores. “Em breve, iremos oferecer a transmissão automatizada, que é equipada com módulo eletrônico e possui controles pilotados com comandos eletrônicos proporcionais para a retroescavadeira”, revela França.

Nas retroescavadeiras da Volvo CE, a disponibilidade de sistemas de transmissão automática e automatizada constitui um de seus maiores apelos comerciais. Segundo Chueire, essas tecnologias influenciam diretamente no consumo de combustível das máquinas, em um benefício que também se estende aos pequenos frotistas. “A demanda por transmissão automatizada por pequenos proprietários é cada vez maior”, salienta. “Já as transmissões automáticas ainda estão restritas aos grandes e médios frotistas.”

Essa última tecnologia, como acentua Teixeira, da BMC-Hyundai, assegura redução significativa de consumo principalmente em operações leves, como pequenas escavações, nivelamento de terrenos, carregamento de caminhões e outras. “Nesses casos, a média de consumo não ultrapassa 10 litros por hora”, calcula.

Pneus Diagonais dominam mercado de retroescavadeiras

Para os especialistas entrevistados por M&T, os pneus diagonais ainda são os mais utilizados em retroescavadeiras. A preferência se explica porque, como explica Afrânio Chueire, presidente da Volvo CE, os modelos radiais são mais indicados para deslocamento a distâncias maiores. “O trabalho em solo exige maior aderência e, por isso, o diagonal é o mais indicado e o preferido entre os usuários desses equipamentos”, diz o executivo.

Nei Hamilton, diretor comercial da JCB, completa que os pneus diagonais atendem perfeitamente às necessidades operacionais das retroescavadeiras em suas diversas aplicações. “Os pneus têm maior impacto na produtividade quando as máquinas trabalham nas operações de carregamento”, pontua. Na mesma linha, para o especialista de produto da Caterpillar, Rodrigo Cera, na maioria dos casos as retroescavadeiras não fazem deslocamentos a grandes distâncias e, portanto, não aproveitam plenamente os benefícios dos pneus radiais. “Em equipamentos utilizados para deslocamento maior, o pneu radial faz a diferença no consumo de combustível, pois oferecem vantagens como menor temperatura de rodagem”, adverte. “Mas esse não é o caso das retroescavadeiras.”

Já Roberto Marques, da Deere, lembra que as retroescavadeiras trabalham parte do tempo apoiadas nos estabilizadores, caso em que o tipo de pneus não faz diferença. “Todavia, as opções de pneus são determinadas para oferecer o melhor custo-benefício aos clientes finais que, em geral, optam pelo custo de aquisição mais acessível”, diz ele. “A necessidade de conteúdo local para fabricação nacional é outro fator que direciona a escolha por pneus mais acessíveis no país, o que justifica a tendência pelos diagonais no caso das retroescavadeiras.”