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08 de julho de 2020
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Obras de Arte Especiais

Estruturas com prazo de validade

Para garantir sua integridade, estruturas precisam passar por inspeções periódicas, assim como intervenções de manutenção sempre que necessário

Mercado promissor para investimentos em infraestrutura, o Brasil historicamente tem se preocupado pouco com a manutenção do que constrói. Uma amostra disso pode ser constatada em duas de suas principais capitais. Parecer técnico recente do Ministério Público, emitido em março de 2019, apontou que em São Paulo havia 14 pontes e viadutos com risco iminente de queda. Em novembro do mesmo ano, uma vistoria feita pelo Tribunal de Contas do Município em 28 Obras de Arte Especiais (OAE) apontou sete viadutos em condições precárias no Rio de Janeiro, com risco de ruptura.

Os prejuízos disso são evidentes. Sem preservação do capital investido, os custos vão muito além da mera reconstrução de obras deterioradas, enquanto a sociedade contabiliza transtornos causados pelo colapso das estruturas. De acordo com o engenheiro e professor Jarbas Milititsky, autor do livro ‘Patologia das Fundações’ (Ed. Oficina dos Textos, 2005), tudo o que é construído tem vida útil definida, que pode ser aumentada de acordo com inspeções e manutenções específicas. “A prevenção é o melhor caminho para o país não perder dinheiro, nem vidas humanas”, defende o engenheiro, acrescentando que os elementos utilizados nas fundações de obras de engenharia sofrem agressões do meio físico. “Por isso, devem passar por manutenções em prazos estabelecidos, o que ainda não é priorizado por instituições governamentais e grandes proprietários”, aponta Milititsky, que já foi presidente da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica).

Para ele, não adianta apenas prover o país com infraestrutura nova, é preciso ir além. “É essencial melhorar a qualidade das obras de arte e edificações antigas, com inspeções técnicas periódicas nas fundações e em toda a estrutura, primando pela conservação”, defende.

PATOLOGIAS

Até porque existe


Mercado promissor para investimentos em infraestrutura, o Brasil historicamente tem se preocupado pouco com a manutenção do que constrói. Uma amostra disso pode ser constatada em duas de suas principais capitais. Parecer técnico recente do Ministério Público, emitido em março de 2019, apontou que em São Paulo havia 14 pontes e viadutos com risco iminente de queda. Em novembro do mesmo ano, uma vistoria feita pelo Tribunal de Contas do Município em 28 Obras de Arte Especiais (OAE) apontou sete viadutos em condições precárias no Rio de Janeiro, com risco de ruptura.

Os prejuízos disso são evidentes. Sem preservação do capital investido, os custos vão muito além da mera reconstrução de obras deterioradas, enquanto a sociedade contabiliza transtornos causados pelo colapso das estruturas. De acordo com o engenheiro e professor Jarbas Milititsky, autor do livro ‘Patologia das Fundações’ (Ed. Oficina dos Textos, 2005), tudo o que é construído tem vida útil definida, que pode ser aumentada de acordo com inspeções e manutenções específicas. “A prevenção é o melhor caminho para o país não perder dinheiro, nem vidas humanas”, defende o engenheiro, acrescentando que os elementos utilizados nas fundações de obras de engenharia sofrem agressões do meio físico. “Por isso, devem passar por manutenções em prazos estabelecidos, o que ainda não é priorizado por instituições governamentais e grandes proprietários”, aponta Milititsky, que já foi presidente da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica).

Para ele, não adianta apenas prover o país com infraestrutura nova, é preciso ir além. “É essencial melhorar a qualidade das obras de arte e edificações antigas, com inspeções técnicas periódicas nas fundações e em toda a estrutura, primando pela conservação”, defende.

PATOLOGIAS

Até porque existe uma evolução de sintomas quando as estruturas de pontes e viadutos apresentam anomalias. Muitas vezes, surgem deformações e trincas que podem estar diretamente relacionadas à fundação. “Inicialmente, os sintomas não são perceptíveis, não há como saber se um dos apoios afundou 5 cm, por exemplo”, comenta o especialista.

Mobilidade garante a eficiência das soluções frente a opções como andaimes

Sempre que for identificada alguma suspeita de degradação, deve ser solicitada a análise técnica a um órgão inspecionador. Caso a hipótese seja constatada, é essencial avaliar os riscos do problema, buscando soluções. De acordo com Milititsky, existem estruturas mais suscetíveis, como fundações de pontes sobre rios, mares, áreas portuárias e instalações industriais, especialmente na área de fertilizantes, celulose & papel e outros produtos. “Como a fundação está o tempo todo exposta à degradação e ação corrosiva da água ou do solo, essas edificações devem passar por inspeções técnicas em prazos pré-estabelecidos e por intervenções, quando necessárias.”

Para tanto, é recomendável que haja um programa de minimização de patologias que prime pela qualidade do projeto, sua execução e condições do meio onde é construído. “A sociedade deve estar ciente de que as inspeções das estruturas, bem como as intervenções técnicas de manutenção e revitalização, devem ser feitas com periodicidade a partir de um prazo estabelecido, da mesma forma que uma pessoa precisa passar por exames de rotina a partir de certa idade”, recomenda Milititsky.

INSPEÇÃO

Essenciais nesse processo, os equipamentos utilizados para inspecionar as condições estruturais de pontes e viadutos devem oferecer segurança para a pessoa embarcada no cesto, além de evitar interromper o fluxo de veículos nas faixas de rolamento. “O modelo mais indicado para esse tipo de atividade é a unidade de inspeção PA 19001”, aponta Juliano Menegolla, executivo de produtos da Madal Palfinger.

Segundo ele, para dimensionar o equipamento é necessário analisar não apenas altura e profundidade de acesso, mas também o alcance horizontal do equipamento. O modelo citado pelo especialista, por exemplo, tem altura máxima de trabalho de 23 m, profundidade de 14 m e alcance horizontal de 18 m, o que – garante o executivo – oferece versatilidade para diversas operações.

Unidade de inspeção possui braços articulados extensíveis, facilitando o acesso às estruturas

A PA 19001, detalha Menegolla, possui três articulações nos braços, sendo que duas dessas seções são extensíveis. Com isso, é possível inspecionar pontes e viadutos por cima ou por baixo das estruturas, como acontece em OAEs sem acesso inferior. “Esse equipamento tem a vantagem de poder ser instalado em caminhões comuns ou em conjuntos rodoferroviários, para que pontes ferroviárias também possam ser inspecionadas”, relata o especialista.

Para esses casos, é possível instalar um contrapeso na coluna do equipamento, permitindo que possa operar sem abertura do estabilizador. O equipamento também conta com o controlador Paltronic 100, que monitora todos os movimentos e sinais emitidos pelo equipamento. “Os recursos eletrônicos desse equipamento são totalmente focados na segurança da operação”, reforça Menegolla.

DEMANDA

A Cunzolo também conta com equipamentos para inspeção de pontes e viadutos, com diferentes níveis de alcance. De acordo com o diretor da empresa, Marcos Cunzolo, os recursos eletrônicos deixam os equipamentos mais ágeis, já que o comando fica nas mãos do operador embarcado no cesto. “A tecnologia está cada vez mais adequada a esse tipo de trabalho, o que é muito positivo”, destaca.

De acordo com ele, alguns modelos do mercado são telescópicos, enquanto outros funcionam como andaimes hidráulicos montados sobre caminhão. Inclusive, algumas empresas optam por utilizar andaimes e balancins para esse tipo de trabalho. Contudo, Cunzolo ressalta que os equipamentos são mais eficientes, com garantia de rapidez e mobilidade de acesso. “Para inspecionar alguns metros adicionais no itinerário de uma ponte basta locomover o equipamento”, sublinha. “Mas um andaime precisa ter a estrutura modular montada, desmontada e remontada.”

Após o acidente com um viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros (SP), em 2018, Cunzolo conta que houve aumento na procura pela locação desses equipamentos no estado de São Paulo. “De lá para cá, essa demanda se manteve, mesmo durante a pandemia”, assinala. “Nos primeiros meses de quarentena o tráfego diminuiu e as concessionárias aproveitaram para fazer vistorias e reparos, já que a construção civil foi uma das atividades consideradas essenciais e não parou.”

Estudo identifica anomalias em OAEs

Estudo aponta anomalias em obras de arte especiais, reforçando a necessidade de análise e manutenção

Estudo publicado no ano passado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) elenca as principais anomalias que acometem as Obras de Arte Especiais (OAE), ressaltando a importância da manutenção dessas estruturas, regida pela norma técnica NBR 9452/2016. Assinado pelo engenheiro civil e pesquisador Ciro José Ribeiro Villela Araujo, o trabalho aponta a recorrência de problemas – por desgaste natural ou carregamentos acidentais durante sua vida útil – em aparelhos de apoio, juntas de dilatação e sistemas de drenagem, além de fissuras e trincas, corrosões de armaduras do concreto armado e de estruturas metálicas, danos nos pavimentos, barreiras rígidas e guarda-corpos. “Para que as manutenções sejam eficazes e viáveis sob os aspectos financeiros, estruturais, funcionais e de durabilidade, é necessária uma gestão de atividades de inspeção e manutenção”, destaca o estudo. “Isso inclui procedimentos sistemáticos previstos por toda a vida útil da estrutura, com início a partir da sua fase de construção, identificando o real estado das obras, analisando e diagnosticando as suas condições, de modo que se planeje e priorize as intervenções efetivamente necessárias, permitindo a elaboração de orçamentos realistas.”

Concessionárias realizammelhorias em 110 estruturas de SP

Desde janeiro, a CCR ViaOeste e a CCR RodoAnel promovem serviços de recuperação e melhorias em 110 estruturas, incluindo pontes, viadutos, passarelas e passagens inferiores, ao longo do Sistema Castello-Raposo e do Trecho Oeste do Rodoanel, na capital paulista. Os trabalhos consistem na recuperação de juntas de dilatação, reparos em barreiras rígidas de proteção e limpeza do sistema de drenagem das estruturas, bem como melhorias localizadas de pavimento e outras.

Em meio à pandemia, CCR promove serviços de recuperação em estruturas

De acordo com o gestor de engenharia viária da CCR ViaOeste, Pedro Veloso, as recuperações de estruturas realizadas na malha viária são importantes para manter as condições de tráfego e garantir a segurança dos usuários nas rodovias. “Mesmo em um período tão delicado como nesta pandemia, nossas equipes continuam realizando as obras nas rodovias”, comenta Veloso.

Saiba mais:
CCR: www.grupoccr.com.br
Cunzolo: https://cunzolo.com.br
FNE: www.fne.org.br
Palfinger: www.palfinger.com/pt-br

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