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08 de junho de 2015
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Obras de Arte Especiais

Contra o abandono

Ainda pouco comuns no Brasil, equipamentos precisam superar a falta de fiscalização e de reparos de pontes e viadutos por parte dos órgãos responsáveis para avançar

Em 2012, um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) assustou muita gente ao indicar que a maioria das mais de 6,6 mil estruturas de pontes e viadutos (obras de arte especiais) do país estava em situação precária, há muito tempo sem receber manutenção ou inspeção e, o que é ainda pior, oferecendo risco de desabamento a qualquer momento.

Evidentemente, é uma situação bastante grave, principalmente porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) só havia mapeado 25% desse legado, esforçando-se no sentido de iniciar procedimentos para cadastrar o restante de forma mais eficiente.

Desde então, a situação tornou-se menos pior, uma vez que o DNIT – segundo o diretor geral interino de infraestrutura da entidade, Adailton Dias – já tem 5.114 pontes e viadutos mapeados e, com isso, sabe que a maioria dessas obras de arte especiais tem mais de 20 anos de existência, o que alerta para a necessidade de inspeção para não cair no abandono.

O DNIT não informa a quantidade de pontes e viadutos que ainda não passaram por inspeção recente, mas assegura que é um trabalho constante e que tem sido acelerado, principalmente após a implementação de um sistema que permite aos técnicos do órgão governamental coletar informações em campo por meio de tablets, transmitindo os dados em tempo real. Esta, aliás, seria a principal evolução do Sistema de Gerenciamento Informatizado de Obras de Arte Especiais, segundo Dias.

Diante desse cenário, M&T foi a campo para entender até que ponto o volume de obras ou serviços de inspeção e manutenção de pontes e viadutos tem evoluído no país. Sob a ótica dos fabricantes de equipamentos, a reportagem também averiguou se um hipotético volume maior de projetos para obras de artes especiais estaria compensando os poucos investimentos em construção e reforma de rodovias. Para a Cunzolo e a Socage, duas das empresas nacionais que fornecem soluções para elevação de pessoas utilizadas nesse tipo de serviço, a resposta direta foi a mesma: não.

SOLUÇÕES

Ou seja, não houve crescimento significativo desse tipo de serviço e, portanto, não há como compensar o baixo investimento na expansão rodoviária. “O serviço de inspeção de pontes e viadutos no Brasil ainda precisa de mais investimentos”, enfatiza Marcelo Bracco, diretor da Socage. “Há máquinas e equipamentos que facilitam e muito esse trabalho, mas


Em 2012, um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) assustou muita gente ao indicar que a maioria das mais de 6,6 mil estruturas de pontes e viadutos (obras de arte especiais) do país estava em situação precária, há muito tempo sem receber manutenção ou inspeção e, o que é ainda pior, oferecendo risco de desabamento a qualquer momento.

Evidentemente, é uma situação bastante grave, principalmente porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) só havia mapeado 25% desse legado, esforçando-se no sentido de iniciar procedimentos para cadastrar o restante de forma mais eficiente.

Desde então, a situação tornou-se menos pior, uma vez que o DNIT – segundo o diretor geral interino de infraestrutura da entidade, Adailton Dias – já tem 5.114 pontes e viadutos mapeados e, com isso, sabe que a maioria dessas obras de arte especiais tem mais de 20 anos de existência, o que alerta para a necessidade de inspeção para não cair no abandono.

O DNIT não informa a quantidade de pontes e viadutos que ainda não passaram por inspeção recente, mas assegura que é um trabalho constante e que tem sido acelerado, principalmente após a implementação de um sistema que permite aos técnicos do órgão governamental coletar informações em campo por meio de tablets, transmitindo os dados em tempo real. Esta, aliás, seria a principal evolução do Sistema de Gerenciamento Informatizado de Obras de Arte Especiais, segundo Dias.

Diante desse cenário, M&T foi a campo para entender até que ponto o volume de obras ou serviços de inspeção e manutenção de pontes e viadutos tem evoluído no país. Sob a ótica dos fabricantes de equipamentos, a reportagem também averiguou se um hipotético volume maior de projetos para obras de artes especiais estaria compensando os poucos investimentos em construção e reforma de rodovias. Para a Cunzolo e a Socage, duas das empresas nacionais que fornecem soluções para elevação de pessoas utilizadas nesse tipo de serviço, a resposta direta foi a mesma: não.

SOLUÇÕES

Ou seja, não houve crescimento significativo desse tipo de serviço e, portanto, não há como compensar o baixo investimento na expansão rodoviária. “O serviço de inspeção de pontes e viadutos no Brasil ainda precisa de mais investimentos”, enfatiza Marcelo Bracco, diretor da Socage. “Há máquinas e equipamentos que facilitam e muito esse trabalho, mas tanto locadores e prestadores de serviços como concessionárias de rodovias e órgãos governamentais ainda não investiram fortemente no segmento.”

Para Marcos Cunzolo, diretor da empresa que leva o seu sobrenome, os equipamentos de manutenção têm um custo-benefício interessante, pois também podem ser utilizados na construção das obras de arte especiais, evitando-se a montagem de andaimes ou de estruturas de acesso à parte inferior da ponte. “Para essa atividade, nossa empresa utiliza um equipamento especial, denominado Barin”, explica.

Trata-se de uma espécie de plataforma articulada com formato de ‘L’, que avança negativamente (para baixo) para chegar ao centro da estrutura da ponte. Montado sobre caminhão, o equipamento fica posicionado ao lado da ponte, permitindo que os operadores realizem inspeções ou reparos abaixo das estruturas, usando ferramentas pneumáticas, elétricas e hidráulicas abastecidas diretamente pelos pontos de alimentação instalados no cesto da plataforma.

Fabricante de equipamentos para inspeção e manutenção de pontes e viadutos, a Palfinger também possui equipamentos especiais que operam para essa finalidade. Aliás, a proposta da empresa para esse tipo de serviço é semelhante à da Cunzolo. A empresa fabrica um equipamento denominado PA 19001, também montado sobre caminhão e dotado de três lanças hidráulicas articuladas de avanço negativo, que alcançam até 19,9 m na horizontal. De acordo com a empresa, todos os movimentos, inclusive o deslocamento do caminhão, podem ser controlados desde o cesto da plataforma do operador, por controle remoto.

“O guindaste possui válvulas de segurança nos cilindros hidráulicos, além de um sistema de controle eletrônico de sobrecarga, com aterramento desde a base do guindaste até o cesto aéreo”, informa o coordenador de comunicação e marketing da Palfinger, Marcos Oliveira. “Além disso, o conjunto inclui alimentação elétrica de 24 V e 220 V (dentro do cesto), botão de parada de emergência em todos os painéis de controle, sistema de segurança adicional para estabilização e trabalhos sobre trilhos e preparação hidráulica ou pneumática dentro do cesto.”

No caso da Socage, a proposta operacional para serviços de manutenção e construção de pontes e viadutos é diferente, com a ação vindo de baixo para cima. “Ou seja, nossos equipamentos são plataformas de trabalho aéreo sobre caminhão, com alcance de 10 m a 75 m”, diz Bracco, complementando que os equipamentos têm alcance negativo de até 16 m, mas não articulam, motivo pelo qual não são direcionados para trabalhar em cima da ponte.

Ampliação de ponte utiliza balanço sucessivo

Prevista no contrato de concessão da Ecopistas, a obra de ampliação da ponte sobre o Rio Tietê em Guarulhos (SP) utiliza a técnica de balanço sucessivo (ou progressivo) para obter uma execução rápida e com baixo custo. Iniciada em novembro de 2014, a obra está localizada na altura do km 18,2 e tem cerca de 250 m de extensão. Para concluir os trabalhos até agosto, a empresa CSO vem empregando algumas soluções tecnológicas integradas na construção da obra de arte.

Fornecidos pela SH, equipamentos como torres LTT e LTT Extra, Modex, Fôrma Concreform e Perfil AL foram utilizados no trecho de contrabalanço. Já o balanço sucessivo – cada vez mais comum em obras com vãos grandes e em pontes estaiadas – demandará a utilização de Perfil W, Multiform e Carro de Avanço. “Essa obra exige um trabalho conjunto de toda a área técnica para a fabricação dos carros de avanço utilizados no balanço sucessivo”, diz Stanley Marques, supervisor de contratos da SH.