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03 de setembro de 2019
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TENDÊNCIAS

Sudeste concentra dois terços das startups do agronegócio no Brasil

Levantamento Radar AgTech, liderado pela Embrapa e pelo fundo SP Ventures, indica que o país tem 1.125 empresas do setor; para especialistas, concentração se explica por presença de universidades e polos de inovação
Fonte: O Estado de S. Paulo

Os quatro Estados da região Sudeste concentram 66% das startups dedicadas ao agronegócio (agtechs, no jargão do ramo) do Brasil, com 739 empresas do segmento – ao todo, o país possui 1.125 empresas de tecnologia no setor.

Os dados fazem parte do estudo Radar AgTech, divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pelo fundo SP Ventures e pela consultoria Homo Ludens.

Segundo o levantamento, a região Sudeste é seguida pelo Sul, com 257 startups “agro”. O Centro-Oeste tem 71 empresas, enquanto o Nordeste tem 41 e a região Norte, apenas 16.

Para chegar ao número, o Radar Agtech fez um 'levantamento ativo': realizou buscas em sites, consultou bases de dados de investidores, investigou a relação de startups inscritas em programas de aceleração e monitorou editais e eventos do setor.

Especialistas ouvidos pela reportagem disseram que a concentração nas regiões Sul e Sudeste – que contemplam quase 90% das agtechs do Brasil – ocorre pela presença de capital humano qualificado, grande mercado consumidor, disponibilidade de investidores e pela força do agronegócio na região.

Juntas, as duas grandes regiões têm 107 milhões de habitantes e seis dos dez Estados mais ricos do Brasil.

"A concentração se explica pela presença de parques tecnológicos e polos de inovação, assim como a quantidade de universidades e institutos de pesquisa. As dificuldades de desconcentrar são inerentes à existência de ambientes de inovação", disse Cleidson Dias, da secretaria de inovação da Embrapa e responsável pelo levantamento na empresa.

Apesar disso, ele afirma que existem comunidades e ecossistemas de inovação nos Estados da região Norte e Nordeste despontando na criação de agtechs, principalmente por conta da união do setor privado e do público.

Para Francisco Jardim, do fundo estadual SP Ventures, especializado em agtechs, destaca que existe uma descentralização maior no setor no que de outras startups.

Isso porque há uma forte presença de agtechs em cidades como Piracicaba, Ribeirão Preto e Campinas, por exemplo – os três municípios, juntos, são berço de 116 empresas de base tecnológica focadas no agronegócio.
Os dados do Radar AgTech, porém, levam em consideração apenas a cidade de origem de startups.