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24 de janeiro de 2018
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Tendências

Financiamento integral do BNDES favorece caminhões

O banco surpreendeu o mercado neste início de ano ao voltar a financiar 100% do bem via Finame, o que sustenta projeções de crescimento entre 10% e 20% das vendas em 2018
Fonte: DCI

As montadoras estão otimistas com a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de voltar a financiar 100% do caminhão para pequenas e médias empresas.

A medida reforça a expectativa dos executivos de um crescimento de 10% a 20% das vendas no segmento em 2018.

Segundo Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz, foi uma surpresa positiva a adoção do financiamento completo pelo banco de fomento, que passou a vigorar no último dia 1º.

No começo de 2017, ainda sob a gestão de Maria Silvia Bastos Marques, o BNDES impôs um limite de 80% para o financiamento de qualquer projeto, à exceção da linha concedida a municípios para a reconstrução em caso de desastres naturais.

Mais surpreendente ainda foi que as condições favoráveis foram aprovadas mesmo com o cenário atual de concessão de crédito mais criteriosa pelo banco, em face do déficit nas contas públicas.

Vale lembrar que o BNDES precisa devolver R$ 130 bilhões ao Tesouro Nacional neste ano.

“Diante do cenário atual, o financiamento de 100% dos veículos é uma medida positiva que, somada a todas as outras boas notícias para o setor neste ano, ajuda na tomada de decisão de investimento pelas transportadoras”, afirma.

Após três anos de previsões frustradas, o financiamento de 100% do bem se junta a outros pontos que justificam o otimismo das montadoras de caminhões este ano. Entre os motivos, estão a queda da taxa básica de juros (Selic), que se reflete em uma redução de todos os juros de financiamento no setor; a perspectiva de crescimento mais forte da economia e a necessidade de renovação das frotas, que estão rodando atualmente com veículos defasados.

Para Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, fabricante Volkswagen, mesmo as mudanças do programa de financiamento de bens de capital do BNDES – o Finame – da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a Taxa de Longo Prazo (TLP), não impactaram tanto as vendas de caminhões, graças à redução da Selic.

Ao contrário da TJLP, que era estabelecida a cada três meses pelo governo com base na meta de inflação do ano, e que girava em torno de 7% ao ano, a TLP é uma taxa de juros marcada a mercado que usa como referência a NTN-B (ou Tesouro IPCA), um dos títulos de dívida oferecido pelo Tesouro Nacional aos investidores no mercado.

O segundo ponto positivo para o segmento é a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescer acima de 2% este ano.