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26 de fevereiro de 2019
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TENDÊNCIAS / As principais técnicas para lidar com 'lixo da mineração'

No entanto, o beneficiamento a seco ainda é exceção no mercado da mineração, em especial em Minas Gerais.

As barragens são responsáveis pela destinação de 94,6% dos rejeitos da mineração de mais de 300 empresas em Minas Gerais que, em 2017, contribuíram para a produção de 562 milhões de toneladas de descartes – metade desse montante é de rejeitos, como os que varreram Brumadinho em janeiro e recentemente forçaram a retirada de famílias que vivem perto de barragens em Itatiaiuçu e em Barão de Cocais, em Minas, diante do risco de rompimento.

Esses dados são do Inventário de Resíduos da Mineração 2018, divulgado pela Feam Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas (Feam) em janeiro e que leva em conta a produção de 2017.

Dos rejeitos da mineração em Minas, além das barragens, se usam numa proporção bem menor os métodos de pilha (2,87%), bota fora (0,72%) e depósito de estéril (0,66%). A Feam não especifica o método responsável pelo 1,72% restante.

Os números indicam ainda que empresas têm ignorado várias técnicas da mineração que permitem não apenas a eliminação de barragens no processo de beneficiamento do minério de ferro como também o reaproveitamento de rejeitos, em especial na construção civil.

Reciclagem de rejeitos

Se depender dos projetos elaborados nas universidades em Minas Gerais, muitos deles em parceria com as próprias mineradoras, os resíduos do beneficiamento a seco e mesmo os armazenados em barragens podem ser reutilizados, principalmente na construção civil.

Apesar de haver certo estigma entre empresas e consumidores em relação a material produzido a partir dos resíduos da mineração, pesquisadores garantem que o rejeito não é tóxico, corrosivo nem inflamável.

"O processo da mineração é hidrofísico, portanto, essa lama não representa risco toxicológico", salienta Ricardo Fiorotti, professor de engenharia e integrante do Grupo Reaproveitamento de Resíduos e da UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto.

Coordenador do projeto que usa rejeitos da mineração e da siderurgia para erguer uma vila sustentável de casas populares no campus da Ufop, Fiorotti destaca que os resíduos do processo da mineração permitem reduzir o uso de matéria prima como areia e brita.

Desde 2005 pesquisando reciclagem de resíduos da mineração, Fernando Soares Lameiras, professor da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, explica que já existe tecnologia que dispensa, por exemplo, alterar a composição ou fazer beneficiamento especifico para transformar resíduos em insumos para construção civil, como tijolo, telhas, blocos.