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26 de fevereiro de 2019
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As principais técnicas para lidar com 'lixo da mineração'

O que a mineração trata como lixo já foi transformado em tijolo, pavimento, telha, ladrilho hidráulico, madeira plástica, concreto asfáltico, pigmento, sais para saneamento básico e até mesmo em mais minério
Fonte: BBC News Brasil

Em parceria com universidades, mineradoras e o poder público financiaram projetos que provaram ser bem sucedidos como solução não só para evitar o armazenamento de rejeitos em barragens por meio do beneficiamento a seco do minério como também para reciclar resíduos, transformando-os, principalmente, em insumos para a construção civil.

Para Alberto Sayão, professor de engenharia civil da PUC-Rio, a principal alternativa a ser pensada é reduzir a quantidade de água usada no beneficiamento do minério.

"Os rejeitos têm muita água porque o método mais usado hoje é por via hidráulica. A água fica armazenada nos reservatórios e isso representa um risco enorme, como temos visto nos últimos anos com uma série de rompimentos", afirma.

O professor lembra que, além disso, mineradoras têm optado pelo tipo de barragem chamado "a montante", considerada a mais barata, a que ocupa menos espaço e, também, a menos segura - esse tipo de construção foi proibido em Minas depois que a Mina do Feijão, da Vale, rompeu em Brumadinho em janeiro, deixando mais de duas centenas de mortos e desaparecidos.

A Justiça em Minas proibiu novos licenciamentos, e o governo mineiro deu três anos para o fechamento de todas as 50 barragens a montante no Estado – dessas, 27 ainda estão em operação.

Não se sabe, contudo, se as empresas vão investir em métodos alternativos, ou se vão continuar usando outros tipos de barragens.

Beneficiamento a seco

No mercado, já há pelo menos duas metodologias de deposição a seco de rejeitos. Uma delas propõe a filtragem e a compactação do resíduo (em forma de pilha ou disposto em locais de descarte de materiais). A outra usa uma tecnologia chamada de pasta mineral, que promove o adensamento de material muito fino.

A Vallourec, empresa que opera em Minas e mantém um centro de pesquisas instalado no Parque Tecnológico da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, já usa um equipamento chamado de filtro prensa, que dispensa a construção de barragens.

Depois de cinco anos de pesquisa para eliminar os riscos de instabilidade inerentes às barragens, a Mina Pau Branco, em Minas, passou a operar em novembro de 2015 com o filtro prensa que retira água dos rejeitos e permite o empilhamento dos resíduos drenados.

"Mas esse equipamento ainda é caro", afirma Sayão, lembrando que a água filtrada pode ser reutilizada no processo de beneficiamento do minério.