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09 de abril de 2018
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Artigos / A ameaça ao setor de bens de capital

“De saída, a proposta é inconsistente ao desconsiderar a tarifa efetiva, isto é, a tarifa do produto final líquida dos gravames tarifários incidentes nos insumos intermediários necessários à sua produção. Por isso, a metodologia padrão internacional recomenda que os produtos finais devam ter tarifas superiores às dos seus insumos”, complementa.

Segundo o economista, insumos importantes para a produção de máquinas, tais como o aço, produtos de metal, artigos de borracha e plásticos, tintas e vernizes, têm tarifas reais que variam entre 10 e 18% enquanto que a tarifa máxima para M&E é de 14% e a real praticada é de 7,5%. Portanto, a proteção efetiva para o setor de bens de capital já é negativa.

“Desde os anos 90 o nosso setor de BK enfrenta forte concorrência e participa ativamente do comércio exterior. Mais de 2 mil ex-tarifários facilitam importações de M&E, que alcançaram 52% do consumo aparente em 2017, enquanto a exportação representou 44% da produção brasileira”, diz,

Além das deficiências técnicas, comenta o economista, a citada proposta ignora todas as desvantagens sistêmicas brasileiras.

“Os índices do BC relativos ao câmbio real, desde meados de 1994, mostram 21 anos de alta e persistente apreciação cambial, interrompida apenas em momentos de crise, como em 1999, 2001 e 2002-2003 e 2009. Essa valorização continuada do câmbio explica grande parte da evolução desfavorável de nosso comércio exterior, manifesta na forte expansão das importações e no débil crescimento das exportações de manufaturados”, comenta.

O custo de financiamento é, decerto, um fator chave para a competitividade do setor de BK. Neste momento, em função da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) elevada e do alto spread cobrado pelos bancos repassadores, o programa Finame alcança juros superiores a 14% ao ano.

De outro lado, os juros na importação de máquinas da Europa, em euro, se situam ao redor 4,2% ao ano. A diferença no custo da máquina, a valor presente, é tão grande (quase 20%) que vem induzindo preferência pela importação, apesar do risco cambial.

“Some-se às distorções supracitadas outras mazelas brasileiras, tais como os impostos não desoneráveis, que alcançam de 5 a 6% do faturamento líquido, os custos de infraestrutura, de logística e burocracia, muito acima dos níveis observados em nossos concorrentes”, afirma.

“Nesta fase de convalescença, com rentabilidade deprimida, a pretendida redução tarifária porá em risco a sobrevivência do setor e ameaçará 300 mil empregos diretos e quase 2 milhões de indiretos”, diz Coutinho.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral