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09 de abril de 2018
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A ameaça ao setor de bens de capital

Segundo o economista, Luciano Coutinho, a Proposta de redução unilateral de tarifas de máquinas e equipamentos coloca em risco a sobrevivência do setor
Fonte: Valor Econômico

O setor de bens de capital (BK) é peça relevante em qualquer sistema industrial. Sem a presença de um setor capacitado a suprir parcela importante das máquinas e equipamentos (M&E) demandados pelas decisões empresariais de expansão, todo o impulso do investimento escoa para o exterior, via importação.

Segundo o economista, Luciano Coutinho, nenhum problema, diriam os economistas liberais, desconhecendo o efeito multiplicador do setor sobre a economia e sobre a indústria e a importância de ter soluções tecnológicas concebidas em função das necessidades específicas das empresas.

“É amplamente reconhecido que a proximidade e interação entre os produtores de bens de capital e seus usuários forma clusters de inovação essenciais para o desenvolvimento de novos produtos e processos mais eficientes e aceleradores de ganhos de produtividade”, comenta Coutinho.

Em setores onde existe necessidade de customização essa convivência é muito frutífera, afirma.

“Muitas máquinas e equipamentos agrícolas, por exemplo, foram desenvolvidos no Brasil para as necessidades específicas de nossa agricultura. Inúmeros outros exemplos desta sinergia podem ser citados, especialmente no que toca aos bens de capital sob encomenda. O avanço do novo paradigma tecnológico 4.0 tornará a relevância desses nexos de inovação ainda maior”, diz Coutinho.

Nas últimas décadas de desindustrialização, o setor brasileiro de BK perdeu segmentos importantes e viu cair a sua participação no consumo aparente de máquinas e equipamentos, de 79% em 1995 para 48% em 2017 e a recessão de 2015-2017 afetou severamente a sua rentabilidade.

Mas, apesar dos reveses, o setor se prepara para a retomada do crescimento e suas empresas mais criativas já se engajam para implementar o paradigma 4.0.

Nesse momento ainda difícil, explica, uma inesperada ameaça surge a partir de setores do próprio governo, envolvendo uma Secretaria da PR e ministérios da área econômica apoiados por organismos internacionais.

“Trata-se da proposta de redução unilateral, acelerada, não negociada, das tarifas alfandegárias da indústria e, especialmente, dos setores de bens de capital e de bens de informática e comunicações, cujas alíquotas seriam reduzidas a 4% por decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex)”, comenta.

A tese, diz, é de que a remoção da proteção, tudo mais constante, seria benigna para a criação de empregos e para a produtividade.

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral