FECHAR
FECHAR
28 de setembro de 2010
Voltar
Manutenção

Vida longa ao material rodante

Novas técnicas permitem a aplicação de solda sobre solda para a recuperação dos componentes do material rodante

Há alguns anos, a recuperação de material rodante caminhava para uma redução drástica no mercado brasileiro e já se tornava uma prática quase inexistente devido à proximidade de custos entre esse procedimento e o uso de componentes novos. Mas o crescimento no consumo de equipamentos de grande porte no Brasil, como guindastes sobre esteiras, colocou essa prática novamente em voga.

Esse cenário – atualmente mais evoluído com respeito aos critérios de custos e de disponibilidade produtiva que serão avaliados na hora de optar pela recuperação ou pela compra de um conjunto novo – impulsionou o desenvolvimento tecnológico por parte de empresas especializadas em serviços de recuperação. Atualmente, elas são capazes de oferecer a reforma de material rodante com uma garantia superior a 80% em termos de confiabilidade, na comparação com o componente novo.

Tal desempenho se deve ao desenvolvimento dos processos e das técnicas de solda, assegurando ao material reformado uma resistência ao desgaste muito próxima à do metal base do equipamento, desde a aplicação seja realizada após a peça estar totalmente limpa. Essa evolução desmistifica a máxima de que não é possível executar solda sobre solda na recuperação de material rodante. Afinal, uma vez que a recuperação de determinada peça de aço transfere características muito próximas das originais, a manutenção seguinte será sobre um metal de alta qualidade, capaz de receber todos os tratamentos de solda especificados para o metal base.

Assim, a aplicação de solda sobre solda pode ser executada mais de uma vez, desde que apoiada numa análise cuidadosa do material que receberá a nova deposição. Isso é feito após uma avaliação química da estrutura do componente, buscando fragmentos internos, bem como o escoamento no metal, que possam prejudicar a resistência do conjunto. Caso as avarias sejam encontradas, é necessário remover o metal e, em seguida, recomenda-se a limpeza da área antes da nova deposição de solda.

O processo-chave nessa prática é a escolha de fornecedores que possam disponibilizar soldas com parâmetros químicos bem próximos aos do metal base. Também é necessário avaliar se o tipo de liga requer pré-aquecimento ou não, de forma a proporcionar uma fusão perfeita entre a solda e o componente. Esses cuidados resultarão na melhor aderência possível entre a solda e o metal base da peça, possibilitando que o componente restaurado apresente propriedades de resistência mecânica e à abrasão muito próximas das originais.