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06 de abril de 2018
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Coluna do Yoshio

Vertigem da montanha-russa

De tempos em tempos, administradores, empresários e gestores são testados com mudanças de humores em seus negócios no Brasil. O fato é que, em nosso país, os vales são muito profundos e os picos, muito elevados. Isso faz com que, além da habilidade de lidar com as variações, também seja necessária muita agilidade.

É claro que os negócios, a vida e o universo são cíclicos, alternando fases favoráveis e outras desfavoráveis. Portanto, não deveríamos estranhar tanto estas mudanças. No entanto, as mudanças no Brasil claramente transcendem as variações compreensíveis pela lógica e pela racionalidade.

O leitor já parou para pensar, por exemplo, como é possível um mercado tão tradicional como o de bens de capital cair 30% ou 40% em um único ano? As demandas do mercado são assim tão “loucamente” voláteis? Como isso pode ocorrer se a população é basicamente a mesma, seus hábitos seguem fundamentalmente os mesmos e as necessidades de moradia e trabalho continuam iguais? As nossas necessidades coletivas de infraestrutura, melhoramentos públicos, educação, saúde e tudo o mais continuam as mesmas, senão maiores. Assim como as atividades das empresas e seus negócios.

A crise é real e ninguém deve duvidar que o sofrimento causado às pessoas também seja real. Mas estes picos e vales são resultados de um mercado influenciado por fatores externos. Quando falamos em demanda – a menos que estejamos falando de produtos e serviços fortemente influenciados pela moda, inovação irruptiva ou catástrofe –, a evolução e o declínio costumam ser mais suaves e previsíveis.

Se refletirmos um pouco mais, perceberemos que o casuísmo dos incentivos econômicos, dos créditos e financiamentos exagerados, das medidas governamentais e de outras manobras são causas de melhoras fortuitas e repentinas. Do mesmo modo, é de se esperar que a retirada desses incentivos deprima rapidamente a demanda, deixando descobertos os investimentos realizados. É claro que, seja como for, a primeira reação é o reestabelecimento das medidas em nome do emprego, da manutenção dos interesses dos investidores etc.

Um bom exemplo são os cursos superiores, que cresceram rapidamente com o Fies (Programa de Financiamento Estudantil) e estimularam investimentos e consolidações. Hoje, este mercado já descobriu que o índice de inadimplência é muito elevado, talvez acima dos 60%. Aliás, tal qual ocorreu com a crise do “subprime” em 2008...

Produção editorial: Revista M&T – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral