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21 de julho de 2011
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Ponte Estaiada

Uma obra no coração de São Paulo

Planejamento e logística facilitam a construção de uma ponte sobre o corredor viário mais movimentado do Brasil, recuperando o prazo para conclusão da obra

 

A construção de uma ponte de 660 m de comprimento não representaria grandes desafios de engenharia, mesmo em se tratando de uma estrutura sustentada por estais, um sistema construtivo plenamente dominado pelas empresas projetistas e construtoras, caso não acontecesse em um local onde circulam cerca de 1,2 milhão de veículos diariamente. Não bastasse esse fator, suficiente para impor bastante desafio à logística da obra, a altura dos pilares de sustentação dos estais precisou ser reduzida em 30 m – passou de 85 m para 55 m de comprimento – tornando a inclinação dos cabos mais acentuada do que nos demais projetos desse tipo.

A ponte estaiada em questão, que está sendo construída na Marginal Tietê, em São Paulo, teve a altura de seus pilares reduzida por exigência do IV Comando Aéreo Regional, pois, devido a sua proximidade do Aeroporto Campo de Marte, a estrutura acabaria prejudicando os procedimentos de pouso e decolagem das aeronaves. Adicione-se a esses fatores a existência de uma tubulação de gás de alta pressão, cujo traçado se estende ao longo da Marginal Tietê, passando exatamente no local em que seriam executadas as fundações da ponte, e teremos o quadro completo de uma obra que precisou vencer muitas adversidades.

“A principal característica dessa obra foi sua adequação ao cotidiano da cidade, de forma que a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP), juntamente com a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), que é a responsável pelo projeto de duplicação da Marginal Tietê, participaram ativamente desse processo”, explica Mario Gaspari, gestor de contratos da EIT (Empresa Industrial Técnica), responsável pela execução dos serviços no lote 1, em consórcio com a Egesa Engenharia.

Programação da concretagem
A complexidade logística da obra pode ser exemplificada pela execução das aduelas de concreto. Ao todo, a ponte conta com 48 aduelas, sendo 24 em cada lado dos pilares de sustentação. Cada aduela tem 6,5 m de comprimento por 15,2 m de largura, sendo suportada por dois estais. “Sua execução envolveu uma sequência de serviços que começava com a montagem das treliças em balanço sucessivo e a instalação das formas e armação, seguida pela concretagem, a protensão das longarinas e a instalação dos estais”, diz Gaspari.

Esse processo, segundo ele, foi planejado para ser concluído em ciclos de sete dias, de modo que a concretagem sempre acontecesse aos sábados, reservando o domingo para o período de cura do concreto. “O cronograma foi calculado para não ficar refém do tráfego intenso da Marginal do Tietê.” Ele explica que cada aduela consumiu 80 m³ de concreto e, como era preciso executar simultaneamente duas aduelas – uma em cada lado da ponte, para o necessário equilíbrio da estrutura – cada etapa do processo exigia o consumo de 160 m³ de concreto transportados por caminhões betoneiras de 8 m³.