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18 de março de 2010
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Dragagem / Um equipamento para cada necessidade

“Enquanto a escavadeira enche a cisterna com lixo grosso, a draga de sucção, equipada com tubos de 14'' de diâmetro, remove o lodo e os finos, enviando esse material para uma bacia de desaguamento às margens do canal”, afirma Portelinha. Após essa etapa, o material é transportado por embarcação 24 km mar adentro, onde será despejado. “Nesse momento, temos o cuidado de descarregar o material por uma tubulação de 6 m de profundidade, pois segundo cálculos realizados por especialistas, isso evita que os finos fiquem em suspensão na superfície do oceano.”

O projeto está sendo executado por cinco dragas sem sistema de autopropulsão, movidas por carrinhos hidráulicos de avanço instalados na traseira dos equipamentos. “Assim, a cada movimentação, o charuto é erguido e o dispositivo empurra a draga até o próximo ponto de atuação”, explica Ferreira. Segundo ele, toda a operação é monitorada em tempo real por sistema de geoposicionamento, via satélites (GIS), e controlada por um software chamado Dredgepack, que dá uma precisão de 10 cm nas localizações.

Dragas maiores
Os equipamentos usados no desassoreamento do canal do Fundão estão longe de se enquadrar na categoria das dragas de grande porte e alta tecnologia, como as mobilizadas em obras de terminais marítimos e, mais recentemente, na instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí (RJ). Segundo Walter Herchenhorn, que representa a holandesa IHC Merwede, as dragas de alta tecnologia mais usuais no Brasil são as de sucção e recalque. “Elas são dotadas de cortadores, capazes de desagregar o material no leito do mar, rio, lagoa ou canal para facilitar sua sucção.” Ele diz que atualmente a empresa disponibiliza um modelo dessas dragas totalmente desmontável, “o que facilita o transporte até a frente de trabalho”.

As dragas de sucção e recalque desmontáveis da empresa são oferecidas em variadas faixas de capacidade, com potências que vão de 300 hp a 3.800 hp e tubulações de sucção e descarga de 10 a 24 polegadas. “A maioria das dragas desse tipo pode ser acionada por motor diesel ou elétrico, sendo que esse último sistema de motorização é mais comum em locais dotados de fornecimento contínuo de eletricidade, como mineradoras, por exemplo.”

Esses equipamentos, segundo Herchenhorn, podem ser dotados de bombas submersas, desenvolvidas originalmente para se atingir profundidades maiores, mas que são capazes de otimizar a sucção de materiais. “Em média, uma draga de sucção e recalque com cortador obtém 20% de concentração volumétrica de sólidos e 80% de água no processo de dragagem. Com as bombas submersas instaladas na lança de sucção, esses índices podem chegar a 35% e 65%, respectivamente, aumentando a produtividade da operação e diminuindo o custo por metro cúbico, pois com a mesma potência se atinge uma produção superior”, ele explica.