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18 de março de 2010
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Dragagem

Um equipamento para cada necessidade

Especialistas explicam como selecionar a draga mais adequada para cada tipo de projeto

Concebido dentro do conjunto de bem-feitorias que visam preparar o Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o desassoreamento do canal do Fundão, na zona norte da cidade, compreende uma das maiores obras de dragagem urbana em execução atualmente no Brasil. Ao longo de seus 6,5 km de extensão, esse canal que deságua na Baía da Guanabara transformou-se num gigantesco depósito de lodo e de lixo a céu aberto, onde não é incomum se encontrar os mais inusitados objetos abandonados pela população local, de sofás e fogões velhos a carcaças de automóveis.

Esse cenário de degradação impõe um desafio à parte para a Construtora Queiroz Galvão, que venceu a concorrência para realizar a obra. “Vamos remover mais de 2 milhões de m³ de lixo, dos quais 400 mil serão de lodo dragado e armazenado em bolsas de geotêxtil (veja quadro na página 22)”, diz Douglas Aparecido Portelinha, gerente de contratos da construtora. Orçada em R$ 185 milhões, a obra é fruto de uma parceria entre o governo estadual, a Petrobras e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que, aliás, tem o seu campus às margens do canal.

Além de remover o lixo acumulado, a empresa vai rebaixar em 4 m o leito do canal, cujo assoreamento nas últimas décadas promoveu degradação ambiental e mau cheiro, inviabilizando a navegação pesqueira no local e causando inundações nos seus afluentes. Em alguns trechos, o canal chega a apresentar um calado de 30 cm, quando não fica seco nos períodos de maré baixa. Por esse motivo, a obra mobiliza dragas de pequeno porte, do tipo de sucção plena, que conseguem navegar no leito assoreado, diferentemente dos modelos de grande porte, que exigem maior calado.

Apoio das escavadeiras
“Avaliamos a possibilidade de utilizar outros tipos de dragas, como as hoppers e as de sucção e recalque com cortador, que foram inviabilizadas devido à grande quantidade de lixo que poderia entupir as bocas de sucção em poucos minutos sem o apoio de escavadeiras hidráulicas na remoção dos resíduos maiores”, explica Luiz Ricardo Ferreira, gerente de manutenção da Queiroz Galvão. Ele diz que esse entupimento poderia ocorrer até nas dragagens com sistema de corte e que, mesmo no sistema adotado, a obra conta com apoio de escavadeiras para a retirada de materiais maiores.

Os equipamentos mobilizados são da classe de 20 t de peso, que despejam os resíduos maiores em cisternas basculantes. Em seguida, esses detritos são transferidos para caçambas instaladas sobre rebocadores, de onde seguem para um reservatório em terra firme. “Quando esse material fica totalmente seco, o encaminhamos para o aterro sanitário de Nova Iguaçu”, diz Portelinha. Atualmente, a operação está sendo otimizada com a troca das escavadeiras de 20 t por modelos de 40 t, equipados com braço estendido – de 12 m – e caçamba tipo clamshell, capaz de reter maior volume em cada movimento.