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28 de setembro de 2012
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Rodoanel Leste

Solução adaptada diminui impacto ambiental

Tecnologia para obras marítimas é aplicada de forma inédita na construção de 8,8 km de trechos suspensos na maior obra rodoviária em andamento no estado de São Paulo
Por Camila Waddington

Com o processo de licitação definido em março de 2011, a obra do Trecho Leste do Rodoanel é considerada a maior do gênero rodoviário em andamento no estado paulista e corresponde a uma rodovia de 43,5 km de extensão, com três faixas em cada sentido.

São apenas 43,5 km de construção, mas que incluem uma mescla de ambientes desafiadores para a engenharia, pois as pistas atravessam rios e várzeas, trespassam morros por meio de túneis e driblam colinas com longos trechos sinuosos. Somam-se a essas adversidades as travessias por áreas urbanas e trechos da Mata Atlântica, onde a preservação ambiental é uma exigência incontornável. É nesse cenário que a engenharia brasileira está podendo demonstrar toda sua operacionalidade, projetando e executando com sucesso soluções ainda pouco convencionais.

OPÇÃO INUSITADA

Responsável pela construção da rodovia junto à SPMar (vencedora da concessão dos Trechos Leste e Sul do Rodoanel), a Contern está utilizando um equipamento chamado cantitraveller de uma maneira até então inédita no país.

Segundo a empreiteira, é a primeira vez que se utiliza essa solução em uma obra rodoviária no Brasil. Mais do que isso, é a primeira vez que ela é usada para a cravação de estacas em terra firme. A tecnologia, que normalmente é aplicada na execução de píeres em obras portuárias, realiza a cravação de estacas e o lançamento de vigas pré-moldadas na rodovia suspensa que possibilitará ao Rodoanel vencer as várzeas dos rios Tietê e Guaió.

De conceito simples, porém engenhoso, o cantitraveller nada mais é que uma estrutura metálica inicialmente montada sobre uma base de concreto, sobre a qual é posicionado um guindaste sobre esteiras com lança treliçada. Com tal arranjo, a estrutura passa a funcionar como uma extensão da esteira do guindaste, que avança sobre trilhos para içar, posicionar e cravar as estacas de concreto.

Em seguida, o guindaste encaixa as vigas pré-moldadas sobre as estacas, formando a estrutura da ponte ou viaduto que posteriormente será concretado e pavimentado. O guindaste então se volta para a montagem da próxima seção do cantitraveller, deslocando a estrutura metálica para que o trilho possa avançar à fase seguinte da obra suspensa e iniciando um novo ciclo idêntico ao anterior.

PROGRESSÃO

Antes de serem lançadas pelo guindaste, as estacas e vigas de concreto s


Com o processo de licitação definido em março de 2011, a obra do Trecho Leste do Rodoanel é considerada a maior do gênero rodoviário em andamento no estado paulista e corresponde a uma rodovia de 43,5 km de extensão, com três faixas em cada sentido.

São apenas 43,5 km de construção, mas que incluem uma mescla de ambientes desafiadores para a engenharia, pois as pistas atravessam rios e várzeas, trespassam morros por meio de túneis e driblam colinas com longos trechos sinuosos. Somam-se a essas adversidades as travessias por áreas urbanas e trechos da Mata Atlântica, onde a preservação ambiental é uma exigência incontornável. É nesse cenário que a engenharia brasileira está podendo demonstrar toda sua operacionalidade, projetando e executando com sucesso soluções ainda pouco convencionais.

OPÇÃO INUSITADA

Responsável pela construção da rodovia junto à SPMar (vencedora da concessão dos Trechos Leste e Sul do Rodoanel), a Contern está utilizando um equipamento chamado cantitraveller de uma maneira até então inédita no país.

Segundo a empreiteira, é a primeira vez que se utiliza essa solução em uma obra rodoviária no Brasil. Mais do que isso, é a primeira vez que ela é usada para a cravação de estacas em terra firme. A tecnologia, que normalmente é aplicada na execução de píeres em obras portuárias, realiza a cravação de estacas e o lançamento de vigas pré-moldadas na rodovia suspensa que possibilitará ao Rodoanel vencer as várzeas dos rios Tietê e Guaió.

De conceito simples, porém engenhoso, o cantitraveller nada mais é que uma estrutura metálica inicialmente montada sobre uma base de concreto, sobre a qual é posicionado um guindaste sobre esteiras com lança treliçada. Com tal arranjo, a estrutura passa a funcionar como uma extensão da esteira do guindaste, que avança sobre trilhos para içar, posicionar e cravar as estacas de concreto.

Em seguida, o guindaste encaixa as vigas pré-moldadas sobre as estacas, formando a estrutura da ponte ou viaduto que posteriormente será concretado e pavimentado. O guindaste então se volta para a montagem da próxima seção do cantitraveller, deslocando a estrutura metálica para que o trilho possa avançar à fase seguinte da obra suspensa e iniciando um novo ciclo idêntico ao anterior.

PROGRESSÃO

Antes de serem lançadas pelo guindaste, as estacas e vigas de concreto são movimentadas em um pátio, por meio de pórticos estrategicamente posicionados e dimensionados. No Rodoanel Leste são empregados dois pórticos, com capacidade de 32,5 t cada. Fabricados pela Demag, esses equipamentos também caminham sobre trilhos, transportando as peças descarregadas no início do trecho da obra até a frente de execução. Em mais um exemplo da magnitude da obra, os pórticos transportam peças por até 2 km em alguns trechos.

Isso ocorre porque a obra suspensa requer a junção de quatro frentes de construção que caminham de forma simultânea, cada uma com seu próprio cantitraveller e todo o aparato de apoio necessário para a operação, como pórticos e guindastes. Durante a visita da M&T às obras, somente duas frentes de 2 km de extensão cada já estavam em execução. Essa estrutura se juntará a outra frente com 4,8 km de extensão, totalizando uma seção suspensa de 8,8 km.

Serão então somadas outras duas frentes, totalizando um trecho de 12 km de rodovia sobre ponte ou viaduto. Tal dimensão colocará a obra de arte suspensa como a maior do estado de São Paulo e segunda maior do Brasil, atrás somente da Ponte Rio-Niterói, com 13,8 km de extensão.

A decisão de construir o trecho suspenso foi motivada por fatores pró-ambientais, pois a obra evitará a movimentação de 4,5 milhões de m³ de terra, um volume suficiente para encher dois estádios como o Maracanã. Além disso, a terra em questão tem baixíssima capacidade de suporte – pois é oriunda de várzeas de rios e não serve de aterro para projetos de portes razoáveis.

Para fazer a terraplanagem com o sistema convencional, diz a Contern, seria necessário realizar drenagem, escavações ou aterros. Só assim seria possível iniciar a fixação dos blocos de fundação, pilares e superestrutura. Já com o método construtivo aplicado, denominado Encontro Leve Estrutural, além de se reduzir drasticamente o contato da estrutura com o solo, a própria estaca funciona como pilar, resultando em – como o próprio nome diz – uma estrutura muito mais leve.

ENGRENAGEM

Como já vimos, o cantitraveller, a principal peça da solução adotada, é equipado com um guindaste, invariavelmente sobre esteiras. A capacidade de cada máquina varia de acordo com as estruturas do equipamento, que também são variadas nas obras do Rodoanel Leste. Nas duas primeiras frentes do Encontro Leve Estrutural as máquinas utilizadas têm capacidade de 180 e 266 t, dotadas de luffing jib (extensão de lança móvel) que permite chegar a 72 metros de altura com carga. As máquinas também operam os martelos de cravação de estacas da marca Junttan. São dois em cada cantitraveller, com 9 t cada.

Segundo Elton Lima, gerente de vendas da divisão de guindastes e máquinas de perfuração da Sany – fabricante dos guindastes utilizados pela Contern, a configuração das máquinas foi determinada em conjunto pela construtora e pela fabricante, que tiveram suporte de consultoria da Crane Service, empresa mineira especializada em planos de rigging.

“O projeto inicial previa somente máquinas da faixa de 260 t de capacidade”, diz ele. “Mas, devido à urgência para o início das obras, decidimos que um equipamento de 180 t atenderia a segunda frente de obras suspensas, enquanto outro maior poderia ser locado para o trecho mais complexo.”

Paralelamente aos 12 km de Encontro Leve Estrutural, a construtora trabalha na execução de um túnel de 1.080 m, além de trechos de terraplanagem e de outras 128 obras de arte especiais, como a M&T detalha a partir da página 24.

Entenda o Trecho Leste do Rodoanel

O terceiro trecho do Rodoanel Mario Covas receberá investimentos da ordem de R$ 2,8 bilhões. A rodovia terá ligação com o Trecho Sul, onde o tráfego de veículos já ocorre desde abril de 2010, e também incluirá saídas para as rodovias Henrique Eroles, Presidente Dutra e Ayrton Senna, facilitando o transporte rodoviário entre o Porto de Santos e o Aeroporto de Guarulhos. Confira mais detalhes da obra:

Mais de 17 km de pontes e viadutos e 30 km de alças e ramos de acesso;

Atravessa os municípios de Mauá, Ribeirão Pires, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba e Arujá;

Três faixas por sentido de tráfego, com 3,60 m de largura cada (há previsão de 4ª faixa nos trechos de terraplanagem);

Acostamento com 3 m de largura e refúgio com 1 m de largura;

Canteiro central gramado com 11 m de largura;

Velocidade diretriz de 100 km/h;

Rampa máxima vertical de 4%.

 

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