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19 de outubro de 2010
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Empresa

Sexagenária com fôlego de adolescente

Ao completar 60 anos no Brasil, a New Holland espera encerrar 2010 com crescimento de 30% nas vendas em relação a 2008, o melhor ano de toda a sua história no país

Num país cujo ciclo de industrialização soma pouco mais de cinco décadas, poucas indústrias têm o privilégio de comemorar 60 anos de existência. Esse é o caso da New Holland, uma das pioneiras da indústria brasileira de equipamentos para construção. É verdade que essa marca, hoje de abrangência global, ficou registrada na memória dos antigos profissionais do setor com o nome dos tempos em que consolidou sua presença no mercado local: o de Tratores Fiat, depois rebatizado de Fiatallis.

Mas o fato é que a New Holland chegou ao Brasil com a razão social de Moto Agrícola Indústria e Comércio, instalando-se no bairro do Brás, em São Paulo. Fundada em 1950, para a importação de tratores agrícolas e sobre esteiras da italiana Fiat, ela rapidamente conquistou posições no mercado brasileiro. “Em 1956 já trazíamos o trator de esteiras Fiat 60, precursor do modelo 70 CI, que vinha desmontado em regime CKD e cuja lâmina e material rodante eram fabricados no Brasil”, lembra Gino Cucchiari, diretor da New Holland e um dos remanescentes dessa fase pioneira.

Para isto, em 1957 a empresa instalou uma fábrica de lâminas de tratores e material rodante na Via Anchieta, em São Paulo, marcando seu pioneirismo na indústria de equipamentos para construção. “Como as lâminas eram do tipo angle dozer, os equipamentos ficaram conhecidos pela sigla AD”, diz Cucchiari. Começava a era dos tratores AD7, de 75 hp de potência, que passariam a ser fabricados no Brasil em 1973.

Lances de pioneirismo
A vinda para o país de Gino Cucchiari, um italiano que acabou se tornando brasileiro e um dos mais conhecidos profissionais do setor, ilustra as peculiaridades desses tempos de pioneirismo. Ele chegou em 1969, acompanhando uma venda de 500 tratores para o governo de Minas Gerais. “Em valores atuais, seria o equivalente a um contrato de cerca de R$ 150 milhões, o que mostra as dimensões daquele negócio e da estrutura que precisávamos montar para atender o cliente com serviços de peças e assistência técnica.”

Dessa forma, em 1969, já com a razão social de Tratores Fiat, a empresa se estabeleceu em Belo Horizonte, ocupando uma área coberta de 11.000 m2. Com isso, ela protagonizou outros dois lances de pioneirismo: além de levar a industrialização brasileira para fora do eixo São Paulo-Rio, ela se tornou o embrião do grupo Fiat, que atualmente produz em Minas Gerais uma linha composta por automóveis, caminhões, equipamentos de construção, autopeças e outros produtos.