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10 de julho de 2018
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Editorial

Setor vive mudança estrutural

“Alguns fatos pontuais mostram que a transformação do setor da construção realmente é muito profunda, mas também que é plenamente possível reverter esse quadro.”

Já não restam dúvidas de que o país que sairá da maior crise político-econômica da era republicana será outro, bem diferente de antes, mesmo que ainda não se saiba quando isso efetivamente ocorrerá. Algumas mudanças de fundo estão indicando isso.

De saída, há os efeitos da crise. Uma leitura do noticiário recente mostra, por exemplo, como as obras de infraestrutura vêm perdendo representatividade na construção. Segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2007 e 2016 a participação das obras de infraestrutura no PIB caiu de 41,3% para 29,5%. Um recuo expressivo.

De fato, já são mais de dez pontos percentuais de diferença em comparação a 2007, mostrando uma participação em declínio das atividades da construção no total do valor adicionado. E esse setor, como se sabe, é historicamente um dos maiores demandantes de equipamentos do país. Em consonante, nos últimos anos o setor da construção já efetuou mais de 400 mil demissões, com o número de empresas caindo em quase 4 mil (de 131.304 companhias em 2015 para 127.332 em 2016). Só isso já configuraria um novo contexto, com menos pessoal e importância da construção na economia nacional. O que, evidentemente, provoca um efeito cascata em todo o setor, atingindo em cheio o mercado de bens de capital, por exemplo.

Mas há outros po


Já não restam dúvidas de que o país que sairá da maior crise político-econômica da era republicana será outro, bem diferente de antes, mesmo que ainda não se saiba quando isso efetivamente ocorrerá. Algumas mudanças de fundo estão indicando isso.

De saída, há os efeitos da crise. Uma leitura do noticiário recente mostra, por exemplo, como as obras de infraestrutura vêm perdendo representatividade na construção. Segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2007 e 2016 a participação das obras de infraestrutura no PIB caiu de 41,3% para 29,5%. Um recuo expressivo.

De fato, já são mais de dez pontos percentuais de diferença em comparação a 2007, mostrando uma participação em declínio das atividades da construção no total do valor adicionado. E esse setor, como se sabe, é historicamente um dos maiores demandantes de equipamentos do país. Em consonante, nos últimos anos o setor da construção já efetuou mais de 400 mil demissões, com o número de empresas caindo em quase 4 mil (de 131.304 companhias em 2015 para 127.332 em 2016). Só isso já configuraria um novo contexto, com menos pessoal e importância da construção na economia nacional. O que, evidentemente, provoca um efeito cascata em todo o setor, atingindo em cheio o mercado de bens de capital, por exemplo.

Mas há outros pontos de mudança – no caso, mais positiva – mostrando como será possível reverter esse quadro. Isso é evidenciado por fatos aparentemente isolados, mas que também apontam para uma renovação. Como as (cada vez mais recorrentes) críticas aos editais de obras públicas, o que comprova que um novo critério vem sendo adotado pelas empresas na hora de fazer propostas, mais ancorado no compromisso público.

Como mostra o jornal Valor Econômico, um dos principais questionamentos das construtoras é o fato de o Estado brasileiro continuar a lançar editais com brechas que permitem irregularidades. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura (Sinicon), citado pela publicação, as “falhas no planejamento do projeto e na contratação são invariavelmente uma porta para corrupção”. Relacionado a isso, um projeto de lei quer reformular a Lei 8.666/93, que regulamenta as licitações do serviço público. Com diversas propostas de mudanças, a ideia do novo modelo é corrigir as defasagens do país em relação às regras de contratações do setor público.

São iniciativas muito bem-vindas, sem dúvida, pois podem ajudar a gerar um novo cenário de negócios no país, bem mais estável e que permita superar os efeitos que anos seguidos de recessão provocaram no setor. Boa leitura.