FECHAR
FECHAR
15 de março de 2010
Voltar
Mercado / Setor deve crescer 18% em 2010

Mercado interno X exportações
Além disso, o Brasil figura como um dos primeiros países em condições de sair da crise, já a partir de 2010. Para atender o cronograma de obras necessárias à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o País deverá transformar suas principais capitais (principalmente o Rio de Janeiro) em grandes canteiros de obras. Com tais projetos, associados aos investimentos na exploração dos recursos do pré-sal, no próximo ano espera-se um incremento de 18% no setor de equipamentos para construção, que assim atingirá um patamar próximo ao volume de vendas de 2008, o melhor ano de sua história.

Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema, ressalta que a queda nas vendas e o elevado estoque de máquinas no mercado proporcionaram boas oportunidades de negócios aos usuários que precisaram adquirir equipamentos este ano. A afirmação é corroborada por José Luís Fernandes, superintendente de suprimentos e logística da construtora ARG. “Quando a oferta de equipamentos tornou-se maior que a procura, percebemos a possibilidade de realizar bons negócios, já que a empresa continuou acreditando na continuidade de seus empreendimentos”, diz ele em entrevista publicada nesta edição (veja na página 54).

O fato é que, nesse cenário, o que comprometeu o desempenho das empresas do setor em 2008 foram as exportações e não o mercado interno, que continuou comprador. Com a queda do consumo nos mercados internacionais, os fabricantes brasileiros de equipamentos viram despencar o volume de vendas ao exterior, em um contexto no qual a taxa de câmbio contribuiu ainda mais para prejudicar as empresas exportadoras.

Para Brian Nicholson, consultor da Sobratema na realização desse estudo, o mais importante é que o comportamento do mercado de equipamentos se desvinculou definitivamente do calendário eleitoral. “Antes, o setor apresentava um desempenho cíclico, com picos nas vendas nos períodos pré-eleitorais. Com a estabilização econômica, esse cenário mudou e a construção civil se estruturou verdadeiramente como um indústria.” Por esse motivo, Nicholson vislumbra um papel de destaque para o Brasil no futuro do setor de equipamentos para construção. “A retomada certamente não virá da Europa ou da América do Norte, mas sim dos países em desenvolvimento”, ele pondera.

O futuro do mercado
O especilista vislumbra um peso preponderante no futuro do setor para países como a China, Índia e Rússia. Afinal, ele ressalta que, juntamente com o restante da Ásia, eles abrigam quase 50% da população da Terra, bem como metade dos investimentos em mineração previstos no mundo até 2012 e 37% dos recursos aplicados em petróleo e gás no planeta até 2030. Mesmo assim, o peso do mercado brasileiro de equipamentos para construção aumentou e o País já representa 2,5% do consumo global, contra 1% em 2004 e a projeção de chegar a 3,5%, em 2013.