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08 de julho de 2020
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Coluna do Yoshio

Sem visão não há estratégia

Uma projeção para a construção – que traz retorno político rápido – pode indicar algum aumento do investimento público no setor, embora com obras ‘pequenas’ e rápidas, principalmente nas periferias das cidades

Não há dúvidas de que estamos vivendo um tempo sem precedentes. Por conta da covid-19, pessoas de diferentes faixas etárias passaram a viver expectativas estranhas aos seus sonhos, tanto na vida pessoal como profissional.

E Isso tem sido particularmente complexo para aqueles que estão em posição de liderança no campo profissional, com a responsabilidade de interpretar a situação, sobreviver às dificuldades imediatas, orientar pessoas e, no limite, proporcionar esperanças aos negócios.

No setor de construção, há alguns anos vivemos um quadro de rompimento nos negócios com grandes obras públicas. No entanto, mesmo que fosse previsível uma maior austeridade nos investimentos, a previsão dos ‘stakeholders’ era de uma gradual acomodação da situação e recuperação dos negócios, impulsionada pela retomada da economia.

Mas com o surgimento de problemas inesperados, decorrentes da pandemia, tais expectativas foram sumariamente destruídas, gerando incerteza em relação aos investimentos em obras de infraestrutura.

Em tal quadro, fazer a leitura da nova situação e elaborar uma visão para o setor de construção tornou-se um desafio ainda maior que antes.

Certamente, algumas premissas podem ajudar neste exercício, como a constatação de que a prioridade do atual governo – que ademais está mais empobrecido devido aos gastos extras com a covid-19 – é a sua reeleição em 2022. Também se tornou mais urgente a necessidade de atender à população, com melhorias em saneamento e habitação, além da adoção de políticas que gerem empregos para os mais carentes.

Nessa linha, uma projeção para a construção – que traz retorno político rápido – pode indicar algum aumento do investimento público no setor, embora com obras ‘pequenas’ e rápidas, principalmente nas periferias das cidades, gerando benefício político decorrente dos empregos e demais benef&i


Não há dúvidas de que estamos vivendo um tempo sem precedentes. Por conta da covid-19, pessoas de diferentes faixas etárias passaram a viver expectativas estranhas aos seus sonhos, tanto na vida pessoal como profissional.

E Isso tem sido particularmente complexo para aqueles que estão em posição de liderança no campo profissional, com a responsabilidade de interpretar a situação, sobreviver às dificuldades imediatas, orientar pessoas e, no limite, proporcionar esperanças aos negócios.

No setor de construção, há alguns anos vivemos um quadro de rompimento nos negócios com grandes obras públicas. No entanto, mesmo que fosse previsível uma maior austeridade nos investimentos, a previsão dos ‘stakeholders’ era de uma gradual acomodação da situação e recuperação dos negócios, impulsionada pela retomada da economia.

Mas com o surgimento de problemas inesperados, decorrentes da pandemia, tais expectativas foram sumariamente destruídas, gerando incerteza em relação aos investimentos em obras de infraestrutura.

Em tal quadro, fazer a leitura da nova situação e elaborar uma visão para o setor de construção tornou-se um desafio ainda maior que antes.

Certamente, algumas premissas podem ajudar neste exercício, como a constatação de que a prioridade do atual governo – que ademais está mais empobrecido devido aos gastos extras com a covid-19 – é a sua reeleição em 2022. Também se tornou mais urgente a necessidade de atender à população, com melhorias em saneamento e habitação, além da adoção de políticas que gerem empregos para os mais carentes.

Nessa linha, uma projeção para a construção – que traz retorno político rápido – pode indicar algum aumento do investimento público no setor, embora com obras ‘pequenas’ e rápidas, principalmente nas periferias das cidades, gerando benefício político decorrente dos empregos e demais benefícios levados aos moradores locais. Isso pode levar a uma municipalização das obras e programas federais, em uma visão pragmática tão simplista e despudorada quanto são as práticas políticas dos nossos dias, especialmente diante da difícil realidade imposta pela pandemia.

Com as informações a que temos acesso atualmente, é difícil fazer prognósticos mais detalhados. Por enquanto, a única certeza é que os ‘stakeholders’ devem se manter em compasso de espera, sem produzir qualquer estratégia para os seus negócios, clientes e parceiros. Afinal, antes disso há de se definir um caminho, ainda que tímido, pragmático e deselegante, para voltar a ter planos.

*Yoshio Kawakami é consultor da Raiz Consultoria e diretor técnico da Sobratema