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08 de julho de 2020
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Entrevista

ROLF PICKERT

"EXISTE UMA DEMANDA MUITO FORTE DE RECUPERAÇÃO"

Em um cenário de desafios, especialmente após a imprevisibilidade trazida pela pandemia do novo coronavírus, o executivo Rolf Pickert assumiu em abril o cargo de diretor executivo da subsidiária brasileira da Messe München International (MMI), com sede em São Paulo.

Uma das principais organizadoras de eventos setoriais do mundo, com forte atuação no mercado de equipamentos para construção e mineração – principalmente com a feira bauma, realizada em diferentes países –, a entidade alemã é parceira da Sobratema na realização da M&T Expo, a mais importante exposição de máquinas pesadas na América Latina.

De origem brasileira e alemã, Pickert tem formação em engenharia mecânica pela Technische Universität München (TUM), com especializações em gestão estratégica pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Com ampla experiência em empresas internacionais, possui sólidos conhecimentos em gestão, desenvolvimento de negócios, start-ups, importação, processos fabris e cadeia de suprimentos. Antes de chegar à MMI, Pickert foi diretor da joint-venture teuto-brasileira Brasbauer Equipamentos de Perfuração, tendo atuado ainda em diferentes empresas do setor de bens de capital, como EMME2, Mercedes-Benz e BMW, além de siderurgia, com a Gerdau.

Nesta entrevista exclusiva à

Revista M&T

, dentre outros assuntos o executivo discorre sobre a importância do mercado brasileiro para a indústria global de máquinas para construção e mineração, além de traçar projeções para o setor de feiras empresariais, um dos mais atingidos pela pandemia.

“Devemos assumir que a recuperação econômica pós-pandemia não ocorrerá da noite para o dia”, ele comenta. “Mas estamos seguindo uma estratégia de longo prazo e, nessa perspectiva, acreditamos firmemente na expansão do mercado brasileiro.&


Em um cenário de desafios, especialmente após a imprevisibilidade trazida pela pandemia do novo coronavírus, o executivo Rolf Pickert assumiu em abril o cargo de diretor executivo da subsidiária brasileira da Messe München International (MMI), com sede em São Paulo.

Uma das principais organizadoras de eventos setoriais do mundo, com forte atuação no mercado de equipamentos para construção e mineração – principalmente com a feira bauma, realizada em diferentes países –, a entidade alemã é parceira da Sobratema na realização da M&T Expo, a mais importante exposição de máquinas pesadas na América Latina.

De origem brasileira e alemã, Pickert tem formação em engenharia mecânica pela Technische Universität München (TUM), com especializações em gestão estratégica pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Com ampla experiência em empresas internacionais, possui sólidos conhecimentos em gestão, desenvolvimento de negócios, start-ups, importação, processos fabris e cadeia de suprimentos. Antes de chegar à MMI, Pickert foi diretor da joint-venture teuto-brasileira Brasbauer Equipamentos de Perfuração, tendo atuado ainda em diferentes empresas do setor de bens de capital, como EMME2, Mercedes-Benz e BMW, além de siderurgia, com a Gerdau.

Nesta entrevista exclusiva à Revista M&T, dentre outros assuntos o executivo discorre sobre a importância do mercado brasileiro para a indústria global de máquinas para construção e mineração, além de traçar projeções para o setor de feiras empresariais, um dos mais atingidos pela pandemia.

“Devemos assumir que a recuperação econômica pós-pandemia não ocorrerá da noite para o dia”, ele comenta. “Mas estamos seguindo uma estratégia de longo prazo e, nessa perspectiva, acreditamos firmemente na expansão do mercado brasileiro.”
Acompanhe.

  • Quais é a importância do mercado brasileiro para a Messe München?

Com mais de 200 milhões de habitantes e a 9ª maior economia do mundo, o Brasil é um país cheio de oportunidades para a Messe München. É exatamente por isso que atuamos aqui desde 2017, quando fechamos a parceria com a Sobratema. Um dos nossos objetivos é fortalecer nosso negócio principal, ou seja, as feiras para o setor de máquinas para construção e mineração, como a M&T Expo, que está programada para ocorrer de 5 a 8 de julho de 2021.

O Brasil é um país cheio de oportunidades para a Messe München, ressalta Pickert

  • Quais são os planos para essa edição?

No momento, o registro dos expositores está apenas começando. Esperamos que, até julho de 2021, quando a M&T Expo ocorrerá, toda a economia esteja funcionando normalmente. E como sempre acontece, a M&T Expo 2021 será um impulsionador central da indústria, servindo de vitrine para os fabricantes apresentarem seus produtos, fortalecerem as relações comerciais e conquistarem novos clientes. Queremos oferecer a todos os participantes uma plataforma ideal para inovações, além de organizar compromissos sob medida entre expositores e visitantes. Nessa edição, inclusive, a feira buscará atrair ainda mais visitantes dos nossos países vizinhos na América Latina.

Segundo o executivo, a M&T Expo 2021 quer atrair mais visitantes da América Latina

  • Além desse carro-chefe, qual é a estratégia da MMI no país?

Com mais de 20 anos no mercado, a M&T Expo – que foi organizada pela primeira vez pela Messe München do Brasil em 2018, em cooperação com a Sobratema – obviamente mantém-se como uma das principais exposições do continente. Mas não é o único foco de ação. Ao mesmo tempo, buscamos trazer novos eventos do portfólio da Messe München para o Brasil, como as feiras do setor de artigos esportivos, por exemplo, ou mesmo das indústrias de bebidas, alimentos, embalagens e tecnologia ambiental, atualmente em plena expansão global.

  • Como avalia o momento atual do setor de máquinas?

O Brasil estava caminhando na direção certa para sair de uma grande crise econômica, iniciada em 2014. Uma agenda governamental muito bem-pensada, com amplas reformas estruturais, privatização de empresas públicas, concessões e parcerias público-privadas, colocou o país de volta no caminho certo. Infelizmente, a disseminação do novo coronavírus interrompeu abruptamente essa fase positiva de recuperação econômica e de crescimento, mas estamos confiantes de que será retomada no pós-pandemia. Claro que a crise de 2014 atingiu fortemente o setor de máquinas para construção, por exemplo, mas o lado positivo disso é que agora existe uma demanda muito forte de recuperação. Quase nenhuma outra indústria registrou tantos pedidos nos últimos anos, tanto do setor público quanto do privado.

  • Nesse aspecto, quais são as perspectivas de uma recuperação mais efetiva?

O Brasil está bem-posicionado para a economia se recuperar e ganhar velocidade depois da pandemia. Entre outras coisas, o país possui grandes reservas de matérias-primas, que serão muito importantes nesse processo de recuperação. Setores da indústria, como energia e construção, também estão em uma boa posição. No entanto, devemos assumir que a recuperação econômica pós-pandemia do novo coronavírus não ocorrerá da noite para o dia. Mas estamos seguindo uma estratégia de longo prazo e, sem dúvida, acreditamos firmemente na expansão do mercado brasileiro.

  • Como a pandemia atingiu o setor de feiras?

Nossa indústria foi uma das primeiras a ser afetada pela crise da covid-19, assim como todas as outras indústrias de eventos que reúnem muitas pessoas em um único local. E as consequências são graves. De acordo com a International Trade Fair Association, o setor espera uma queda nas vendas de mais de 14 bilhões de euros em todo o mundo. Mas não é apenas o setor de feiras que sofre com isso, pois também atinge hotéis, restaurantes, fornecedores, varejistas, o setor de táxis e assim por diante. Afinal, o impacto de feiras comerciais quase sempre se estende muito além do evento em si, tanto no aspecto positivo como no negativo. O que significa que, no caso de adiamentos ou cancelamentos desses grandes eventos, regiões inteiras são afetadas. Isso torna ainda mais urgente recolocar os negócios das feiras em funcionamento assim que a pandemia terminar. É claro que na medida em que a segurança e a saúde de nossos funcionários, clientes e parceiros possam ser plenamente garantidas.

O impacto das feiras se estende muito além do evento em si, diz o gestor

  • Que mudanças podem decorrer dessa situação na área de eventos?

A crise atual está mostrando o quanto nós, como seres humanos, valorizamos os contatos pessoais. Por isso as plataformas e redes sociais têm se mostrado mais importantes do que nunca. E isso é bom para nossos negócios e formatos tradicionais em feiras. Mas também nos mostra que os serviços online, como uma opção adicional de relacionamento, estão se tornando cada vez mais importantes. Ou seja, agora é a hora da digitalização. E o setor de feiras está trabalhando fortemente para desenvolver plataformas e produtos digitais que possam oferecer a seus clientes uma alternativa aos eventos adiados ou cancelados, por exemplo.

  • A propósito, o adiamento da Smart.Con foi inevitável? Já há perspectiva de nova data?

Lamentamos muito ter de tomar essas medidas, mas infelizmente não tivemos outra escolha. Como disse antes, é preciso seguir as diretrizes estabelecidas para proteger a saúde e o bem-estar de todos os envolvidos no evento, o que inclui expositores, patrocinadores, palestrantes, congressistas, visitantes, fornecedores e, claro, toda a força local de trabalho. Dada a incerteza geral, teremos que monitorar os desenvolvimentos e reagir de acordo. Mas anunciaremos uma nova data o mais breve possível.

  • Qual é o perfil dessa nova feira?

O tópico da feira – tecnologias e inovações na indústria da construção – é certamente mais relevante do que nunca, em particular com as soluções digitais inteligentes encontrando seu caminho de assimilação no setor da construção. São soluções que contribuirão muito para a eficiência de custos e segurança, um aspecto de importância fundamental para a indústria da construção.

  • Em termos de tendências, que fatores estão no radar do setor?

Acreditamos que segurança e produtividade serão os principais indutores para o desenvolvimento de novos equipamentos e sistemas nesse setor. Por outro lado, o mercado brasileiro é bastante sensível aos preços, mas esperamos que, no futuro, o fator decisivo não seja mais o custo de aquisição de uma nova solução, mas que todos os custos ao longo do ciclo de vida do produto sejam considerados. Como resultado, as opções de locação e leasing também devem se tornar mais atraentes.

Custo inicial não será mais o fator decisivo na aquisição de máquinas, projeta o diretor

  • Após três anos, como avalia a parceria com a Sobratema?

A Sobratema é a associação brasileira mais importante no setor de construção e mineração. É uma entidade com uma rede enorme e intensamente cultivada, com excelentes relações no Brasil e na América Latina. Ao mesmo tempo, é o parceiro mais importante da Messe München no mercado nacional, mostrando-se fundamental quando começamos a organizar feiras no país.

Saiba mais:
Messe München do Brasil: www.mm-br.com

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