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08 de abril de 2010
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Caminhões

Rodoviários x Fora-de-estrada

Categorias Disputam a preferência dos usuários. A seleção do modelo mais adequado envolve uma cuidadosa análise das condições de operação, dos custos, topografia do terreno, investimentos em manutenção de pista e volume de produção, entre outras variáveis

Quando a mineradora MBR começou a testar o uso de caminhões 8x4 no transporte de materiais em operações de minério de ferro, como uma alternativa aos gigantescos modelos fora-de-estrada, a estratégia foi recebida com certa desconfiança por alguns profissionais do setor. Naquela época, no final dos anos 90, os caminhões traçados já dominavam o cenário nos canteiros de obras do país, mas sua aplicação em mineradoras – que operam com materiais de maior densidade e grandes produções, sem contar as exigências de disponibilidade em trabalhos desse tipo – chegava a ser considerada uma heresia.

Uma década depois, eles já conquistaram seu espaço nas mineradoras, mas o embate permanece entre os modelos rodoviários e os fora-de-estrada, tanto nas aplicações em transporte de minério e estéril quanto nos trabalhos em construção pesada. Na verdade, os dois tipos de equipamentos apresentam características distintas, que viabilizam sua aplicação de acordo com algumas variáveis da operação. Em favor dos rodoviários pesa o menor custo de aquisição e operação, além de contarem com mercado para revenda ou da possibilidade do seu reaproveitamento no fim da vida útil – como caminhão irrigadeira, por exemplo.

Mas dependendo da topografia da praça de operações, da distância de transporte e dos volumes de produção envolvidos, os off-roads podem se tornar imbatíveis. Essa é a aposta de Liebherr ao introduzir no Brasil o modelo T 282 B, com capacidade para 363 t de carga. Duas unidades do caminhão já trabalham no transporte de minérios de ferro em Carajás e figuram como as maiores em operação no país.

Gigantesco e versátil
Sabrina Soares, gerente de relações públicas da Liebherr, ressalta que o T 282 B se destina a operações com alto volume de produção, que demandam elevada produtividade, como é o caso da Vale. “Por esse motivo, ele é fornecido com o suporte de manutenção, por meio de mecânicos treinados que garantem sua disponibilidade nos três turnos de trabalho.” Segundo ela, a empresa conta com cerca de 150 unidades desse modelo trabalhando no mundo, enfrentando a altitude das minas chilenas, o frio das mineradoras canadenses e a umidade das operações na Indonésia, entre outras adversidades.

Equipado com dois motores traseiros, o caminhão apresenta uma relação peso próprio/carga transportada de apenas 1.6, o que representa maior produtividade e baixo consumo de combustível, conforme explica Sabrina. “Os motores traseiros também criam contrapeso e, como eles atuam sobre cada um dos lados do eixo, dispensam o uso de pneus mais largos.” Nas curvas, ela explica que os pneus de cada lado estão girando sempre na rotação ideal, evitando o arraste de um deles, o que se traduz em economia com esse componente.