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05 de abril de 2018
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Implementos

Recurso multifuncional

Uso de engate rápido imprime versatilidade aos equipamentos-portadores, mas seu uso ainda esbarra em questões culturais e de oferta para avançar ainda mais no Brasil
Por Joás Ferreira

Engate rápido facilita a vida do usuário ao diminuir o tempo de troca de acessórios e evitar erros na sua conexão

A busca por agilidade e eficiência nos trabalhos de campo levou ao desenvolvimento de sistemas de engates para implementos que simplificam, com qualidade, as tarefas do dia a dia. Denominadas engates rápidos (do inglês “quick couplers”, também conhecidos como “quick hitches”), essas soluções diversificam a atuação dos equipamentos pesados, tanto os de construção como os agrícolas. Só que ainda penam para se popularizar no Brasil.

De acordo com Juliano Perelli, especialista de marketing para tratores da New Holland Agriculture, cada vez mais o usuário busca agilidade em campo. Isso tem estimulado a demanda por soluções práticas e rápidas, principalmente nas tarefas de acoplar e desacoplar implementos, nas quais são essenciais. “Os engates rápidos são componentes que diminuem o tempo de troca de acessórios e, além disso, são seguros e passíveis de uso em vários segmentos”, diz ele.

Este é um primeiro ponto. Mas além da praticidade, o engate rápido também proporciona maior uniformidade nas operações hidráulicas. Detalhando a questão, o especialista de marketing de produto da Case IH, Lauro Rezende, cita que a principal vantagem do engate rápido é o fato de permitir que o operador desconecte todas as mangueiras do implemento de uma só vez, ganhando-se tempo na troca.

Na visão do executivo, esse tipo de engate facilita significativamente a vida do usuário, pois evita que tenha de descer do equipamento e conectar as mangueiras, uma a uma, identificando cada uma delas com sua respectiva conexão. A solução “plug and play” permite que se faça isso de uma só vez. “Essa condição também elimina a possibilidade de troca acidental de mangueiras, o que provoca uma perda de tempo muito grande na atividade”, destaca. “Com um único dispositivo, ele liga e desliga todas as mangueiras, sem quaisquer equívocos ou contratempos.”

PRATICIDADE

A diferença na praticidade é inquestionável. No caso do trator plataformado da Case IH, Rezende explica que o operador consegue alcançar a válvula da própria plataforma. Já no caso do cabinado, ele tem de descer e dar a volta no trator para então acionar uma alavanca, que desacopla todos os engates de uma só vez. Como reitera o especialista, o engate rápido pod


Engate rápido facilita a vida do usuário ao diminuir o tempo de troca de acessórios e evitar erros na sua conexão

A busca por agilidade e eficiência nos trabalhos de campo levou ao desenvolvimento de sistemas de engates para implementos que simplificam, com qualidade, as tarefas do dia a dia. Denominadas engates rápidos (do inglês “quick couplers”, também conhecidos como “quick hitches”), essas soluções diversificam a atuação dos equipamentos pesados, tanto os de construção como os agrícolas. Só que ainda penam para se popularizar no Brasil.

De acordo com Juliano Perelli, especialista de marketing para tratores da New Holland Agriculture, cada vez mais o usuário busca agilidade em campo. Isso tem estimulado a demanda por soluções práticas e rápidas, principalmente nas tarefas de acoplar e desacoplar implementos, nas quais são essenciais. “Os engates rápidos são componentes que diminuem o tempo de troca de acessórios e, além disso, são seguros e passíveis de uso em vários segmentos”, diz ele.

Este é um primeiro ponto. Mas além da praticidade, o engate rápido também proporciona maior uniformidade nas operações hidráulicas. Detalhando a questão, o especialista de marketing de produto da Case IH, Lauro Rezende, cita que a principal vantagem do engate rápido é o fato de permitir que o operador desconecte todas as mangueiras do implemento de uma só vez, ganhando-se tempo na troca.

Na visão do executivo, esse tipo de engate facilita significativamente a vida do usuário, pois evita que tenha de descer do equipamento e conectar as mangueiras, uma a uma, identificando cada uma delas com sua respectiva conexão. A solução “plug and play” permite que se faça isso de uma só vez. “Essa condição também elimina a possibilidade de troca acidental de mangueiras, o que provoca uma perda de tempo muito grande na atividade”, destaca. “Com um único dispositivo, ele liga e desliga todas as mangueiras, sem quaisquer equívocos ou contratempos.”

PRATICIDADE

A diferença na praticidade é inquestionável. No caso do trator plataformado da Case IH, Rezende explica que o operador consegue alcançar a válvula da própria plataforma. Já no caso do cabinado, ele tem de descer e dar a volta no trator para então acionar uma alavanca, que desacopla todos os engates de uma só vez. Como reitera o especialista, o engate rápido pode ser utilizado com todos os tipos de implementos. “Não existe um engate para cada tipo de implemento”, frisa. “Além de ser bem simples, o sistema é único para todos [os modelos de implementos].”

Além de diminuir o tempo de troca, o engate rápido permite que uma mesma máquina utilize mais de um acessório

Porém, segundo Perelli, há de se levar em conta que existem várias dimensões de engates rápidos e, desta forma, é importante que se adote o tamanho correto. “Caso contrário, pode haver interferência no volume de vazão hidráulica para o implemento, ocasionando não conformidade nas operações de campo”, adverte.

Também existem algumas diferenciações no acoplamento em si. Na configuração de pás carregadeiras, por exemplo, é possível haver diferentes conexões para o engate rápido: simples (feita no controle remoto, mangueira a mangueira), max system (feitas com o engate rápido e desacopladas de uma só vez), com válvulas de segurança anti-impacto (que não danificam o cilindro) e com amortecedor hidráulico (que evita que o equipamento trepide e balance muito, absorvendo qualquer impacto sem transmiti-lo para a máquina ou para o operador).

Segundo Luiz Carlos Ginefra Toni, gerente administrativo da Indeco, essa diversificação permite que o sistema seja utilizado por todos os tipos de implementos atuais. “O engate rápido realmente imprime maior versatilidade e produtividade na utilização desses acessórios”, observa. “Isso, evidentemente, é possível por tornar mais ágil o processo de instalação e desinstalação dos implementos.”

Nesse sentido, aliás, a solução representa um avanço na indústria. Afinal, nas soluções manuais e mecânicas (os engates do tipo “convencional”) os acessórios precisam ser fixados/aparafusados na máquina por meio de uma placa de união. “Essas soluções também são funcionais, mas não têm a agilidade dos sistemas de engates rápidos”, explica o especialista da marca italiana.

Como ele ressalta, além de garantir maior agilidade na troca de acessórios, o sistema também permite que uma mesma máquina utilize mais de um acessório, expandindo suas possibilidades de operação. E aqui chegamos a outro ponto da questão.

DESCONHECIMENTO

Com tantas vantagens, seria previsível uma popularidade massiva desses dispositivos. Mas, ao menos no Brasil, não é o que acontece, ainda. “O conceito de utilização de sistemas e implementos hidráulicos para escavadeiras, por exemplo, ainda não é suficientemente conhecido pelos usuários desses equipamentos que atuam no mercado nacional”, afirma Maycon Pereira, diretor da Máquina Solo Mineração & Meio Ambiente.

Segundo ele, na hora da compra de uma escavadeira, por exemplo, o usuário ainda pensa – quase que exclusivamente – em satisfazer suas necessidades em relação ao emprego usual (convencional) do equipamento, ou seja, para movimentação de material, carga e descarga, escavações etc.

No Brasil, o usuário ainda vê o componente importado como um item que encarece o produto final

Por esse motivo, o conceito de utilizar diferentes implementos hidráulicos para diferentes aplicações, com o uso de equipamento-portador e engate rápido, ainda é pouco difundido no Brasil, diferentemente do que ocorre nos EUA e na Europa. “Ainda não está na cabeça do usuário”, diz Pereira.

Isso provavelmente acontece, diz ele, porque, ao se comprar uma máquina no Brasil, as adaptações do sistema hidráulico (que dão a opção de se ter uma terceira via hidráulica, com variadas válvulas e configurações de pressões hidráulicas) ainda são oferecidas como acessório opcional. “Na Europa, por exemplo, isso já sai da fábrica como componente de série”, explica.

Por falta de conhecimento, como reforça o especialista, o usuário vê essa alternativa apenas como um item que encarece o produto final. “Ele não consegue entender que, na verdade, a terceira via hidráulica agrega recursos para o equipamento, conferindo-lhe um melhor custo/benefício, uma vez que amplia sua gama de aplicações, possibilitando a multifuncionalidade”, ressalta.

Como explica o diretor da Máquina Solo, “é preciso lembrar que, fazendo uso dessas alternativas, o usuário de máquinas ganha a possibilidade de até mesmo diminuir o tamanho da sua frota, na medida em que adota equipamentos multifuncionais, que são mais versáteis e têm uma gama muito maior de aplicação”.

Outra questão levantada, que segundo Pereira interfere na popularização dessa alternativa, é o fato de ainda não existirem grandes fornecedores e fabricantes de implementos hidráulicos no Brasil. “A maioria dos implementos disponíveis em nosso país ainda é importada, seja da Europa, dos EUA ou, agora, também dos países asiáticos”, arremata.

Saiba mais:

Case IH: www.caseih.com/latam/pt-br

Indeco: www.indeco.com.br

Máquina Solo: maquinasolo.com.br

New Holland Agriculture: agriculture1.newholland.com/lar/pt-br