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29 de abril de 2010
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Treinamento / Por que investir na qualificação do pessoal

Pelos cálculos da Fabet, o Brasil demanda a qualificação de cerca de 90 mil motoristas, em sua maioria no setor de transporte rodoviário. De acordo com o especialista, a maioria dos acidentes com caminhões acontece por falha humana. “Além disso, as falhas mecânicas, que também são grandes geradoras de acidentes, geralmente ocorrem após uma sucessão de falhas humanas.” Para resolver o problema, ele propõe um programa de treinamento contínuo, acompanhado por políticas de relações interpessoais entre a empresa e os operadores. “Isso faz com que eles vistam a camisa da empresa e os resultados surgem naturalmente.”

Como exemplo de programa bem-sucedido, Monteiro cita o caso da mineradora de ouro FreePort- McMoran, do Arizona, nos Estados Unidos. Ela desenvolveu um trabalho desse tipo e estendeu a vida útil dos caminhões fora-de-estrada para até 100 mil horas de trabalho sem enfrentar problemas de manutenção corretiva. “O sistema foi adotado em 1991 com o operador do primeiro caminhão, que passava por 200 ações preventivas por ano.” Até 2007, ele afirma que esse caminhão consumiu 17 milhões de litros de diesel, passou por 132 trocas de pneus e apresentou disponibilidade de 90% durante toda a sua vida útil. “Ou seja, ele só parou para as manutenções e nunca sofreu acidente.”

A manutenção preventiva, nesse caso, era antecedida por um minucioso check-list feito pelas equipes de campo da mineradora, que inspecionavam os principais componentes do caminhão antes de uma parada. “Assim, eles identificavam todos os pontos que precisariam ser revistos durante a manutenção preventiva e o veículo já ia para o pátio com destino certo e o tempo de parada era otimizado.”

Perfil adequado

No Brasil, onde os caminhões rodoviários substituiram os gigantescos modelos fora-de-estrada nos canteiros de obra e também conquistaram um espaço nas operações de mineração, o cenário é um pouco diferente. Com a substituição dos pesados off-road pelos leves e ágeis caminhões 6x4 – e mais recentemente pelos modelos 8x4 e 10x4 – o perfil dos operadores também mudou, com impacto nos índices de produtividade e de acidentes. Para os especialistas, essa situação impõe a necessidade de maior qualificação da mão-de-obra dos motoristas por parte de construtoras e mineradoras.

Hécton Silva Rodrigues, técnico de operação e infraestrutura de mina da Petrobras, sabe bem o que é isso. Apesar de não dimensionar o tamanho da sua frota de caminhões, ele adianta que após a troca dos modelos off-road pelos caminhões traçados, os índices de acidentes se tornaram “insuportáveis” na empresa. Isso está levando sua equipe a procurar formas para identificar o perfil ideal de motoristas. “É possível que os operadores que antes conduziam os caminhões fora-de-estrada não consigam se adaptar às dimensões e à velocidade dos modelos rodoviários”, intervém Monteiro, da Fabet.