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29 de abril de 2010
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Treinamento

Por que investir na qualificação do pessoal

Em busca de maior produtividade e redução nos índices de acidentes, empresas do setor se lançam ao desafio da qualificação da mão-deobra, para atender à forte demanda de novos operadores nos canteiros de obras

Estima-se que metade dos operadores de equipamentos que trabalham nas grandes obras do país sejam motoristas de caminhões. Com a substituição do motoscreiper pelo uso de escavadeiras e caminhões nos serviços de terraplenagem, esse contingente de operadores cresceu nos canteiros de obras e, do total de motoristas de uma construtora, cerca de 50% realiza o transporte de materiais com veículos equipados com caçamba basculante. O restante corresponde a condutores de outros tipos de veículos pesados, como caminhões-pipa, guindautos e autobetoneiras, entre outros.

O dado é suficiente para justificar maior atenção com os motoristas nos programas de treinamento das construtoras brasileiras. Entretanto, segundo um levantamento da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet), especializada na qualificação desse tipo de profissional, a ordem de prioridades está mal definida nas empresas quando o assunto é a operação de caminhões: para obter ganhos de produção, elas priorizam a tecnologia do veículo e os cuidados com manutenção, seguidos pelo dimensionamento logístico. Os cuidados com acidentes aparecem em terceiro lugar e, em último, figura a preocupação com o treinamento dos motoristas.

“Essa ordem tem que ser revista e o condutor precisa se tornar prioridade, pois assim como a tecnologia do veículo e a logística, ele é fundamental para a produtividade da operação”, afirma Sérgio Augusto Monteiro, consultor técnico-científico da área de projetos da Fabet. Monteiro concluiu um estudo, em 2007, no qual identificou que 32% dos custos operacionais com caminhões correspondem a perdas por acidentes.

“Esse percentual está subdimensionado, pois as empresas só calculam os custos de manutenção dos veículos e deixam de lado os prejuízos com processos trabalhistas e com a hora parada, tanto por parte do operador acidentado quanto do equipamento.”

Ganhos com treinamento

Segundo ele, o estudo foi conduzido com transportadoras de cargas, mas os resultados também se aplicam a construtoras, mineradoras e demais empresas que operam com caminhões. “Em geral, as empresas têm uma visão errôneo, pois acidente não é custo; é prejuízo”, diz Monteiro. Quem percebe isso, de acordo com o especialista, consegue otimizar a operação, uma vez que o treinamento e comprometimento dos motoristas resultam em maior responsabilidade na condução do veículo. “Isso se traduz em 47% a menos de sinistros, em aumento de 10% da vida útil dos pneus e redução de 15% do consumo de combustível, sem contar os ganhos com produtividade e a maior durabilidade de outros componentes”.